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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

MARX - Trabalhos e modos de produção

EE Sud Mennucci
Amanda Cristina de Souza, 03, 1ºD
Artur Henrique, 08, 1ºD
Jéssica Rabello de Oliveira, 23, 1ºD
Título: Marx – Trabalhos e modos de produção
Piracicaba
Outubro/2013


1.   Introdução

O presente trabalho é sobre Marx e também sobre trabalhos e modos de produção.
        É como objetivo desse trabalho trazer um melhor conhecimento aos alunos sobre o tema/assunto estudado no atual bimestre.
        Está organizado em 4 (quatro) partes. Na parte 1 (um) temos a Introdução. Na parte 2 (dois) temos o Desenvolvimento, onde encontrará a bibliografia de Karl Marx e também sobre Trabalhos e modos de produção. Na parte 3 (três) temos a Conclusão e na parte 4 (quatro), temos a Bibliografia do trabalho.
        A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica.

2.Desenvolvimento

2.1.     Marx (1818-1883)

Einrich Karl Marx nasceu em Tréves, Alemanha, em uma família de origem hebraica que havia renunciado à religião devido às leis anti-semitas então vigentes no Palatinado. Depois de se diplomar pela universidade DE Berlim, empregou-se como jornalista e em pouco tempo tornou-se redator da Reinische Zeitung (Gazeta Renana).
Expulso da Prússia em conseqüência de suas idéias revolucionárias, emigrou para Paris, onde teve o ensejo de conhecer o francês Proundhon e o russo Bakunin – expoentes do movimento anarquista e, principalmente, Friedrich Engels, que seria seu amigo, adepto e colaborador por toda a sua vida. 

2.2.     Trabalhos e Modos de produção

Chamamos modo de produção a maneira pela qual as forças produtivas se organizam em determinadas relações de produção nem dado momento histórico.
Há diferentes modos de produção, tais como: o modo de produção primitivo, o escravista, o asiático, o feudal, o capitalista, o socialista.
Os modos de produção se constituem de dois elementos fundamentais: as forças produtivas e as relações de produção.
Por forças produtivas entende-se o conjunto dos agentes que impulsionam o processo produtivo.


Forças Produtivas

Utiliza

    Meios de produção
Instrumentos, ferramentas, utensílios, terra, edifícios, instalações, máquinas, matéria-prima, etc.



Forças de trabalho
A energia muscular e cerebral com a qual os trabalhadores, valendo-se dos meios de produção, possibilitam que o processo produtivo aconteça.

As relações de produção são as relações que os homens estabelecem entre si e com a natureza no processo produtivo. De um modo geral, elas são determinadas pela forma de propriedade dos meios de produção. Por exemplo, no modo de produção primitivo a propriedade dos meios de produção era coletiva, o que permitia que todos participassem da produção e do consumo dos bens necessários à comunidade.
Em um modo de produção em que os meios de produção são de propriedades privada ou particular e no qual os seus proprietários se apropriam do produto do trabalho dos não proprietários, as relações sócias predominantes são de conflito e antagonismo (SEE, 2013, pp. 24-25; Aranha, 2009, p.324).



3. Conclusão

Concluímos que há diferentes modos de produção ao decorrer da história. Também vimos que elas se constituem em dois elementos fundamentais: as forças produtivas e as relações de produção.
Conseguimos alcançar o objetivo, que era levar os alunos ao melhor conhecimento sobre o tema em questão.
Nós, integrantes do grupo, aprendemos sobre a biografia de Karl Marx e sobre os modos de produção.


4. Bibliografia

SEE. Caderno do aluno, 1ªS, V3, Filosofia. S. Paulo: SEE, 2013.

ARANHA, M.L.A. Filosofando, introdução a filosofia. S. Paulo: Moderna, 2009.

NICOLA. Filosofia, das origens à idade moderna. S. Paulo: Globo, 2005.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Outras concepções de ideologia


O termo ideologia possui vários significados:

Sentido originário: ideologia é uma palavra criada por Destutt de Tracy, filósofo, político, soldado francês e líder da escola filosófica dos Ideólogos, no tempo da Revolução Francesa, em 1801, quando em seu livro Projeto de elementos de ideologia empregou-a como ciência que tem por objeto o estudo das idéias (fatos da consciência). Karl Marx e Friedrich Engels deram-lhe sentido político, em meados do século XIX. 

Sentido pejorativo: ideologia corresponde a idéias que se encontram deslocados em relação aos fatos reais; pode ser confundida com mentira ou utopia. Daí o termo ideólogo referir-se àquele que voa em seu pensamento, sonha com uma sociedade em outras bases. Quando o pensamento teórico se desenvolve sobre os próprios dados e dificulta sua aplicação, impedindo uma explicação clara do real, também pode ser entendido no sentido pejorativo.
Sentido doutrinário: ideologia é entendida como o conjunto de idéias que exerce influência sobre grupos sociais e legitima formas de ação. Nesse sentido, a ideologia procura convencer para ganhar adeptos a doutrinas políticas, econômicas, filosóficas, religiosas, morais, que inspiram governos e partidos políticos, por exemplo.

FONTE: ______________________
(AAVV. Para filosofar. São Paulo: Scipione, 2002, p. 162)

terça-feira, 27 de março de 2012

PERÍODOS DA HISTÓRIA DA FILOSOFIA (resumo)



Para trabalhar a questão de quando viveu um filósofo, deve ser considerada a sua posição na clássica divisão da História da Filosofia: Filosofia Antiga, Filosofia Medieval, Filosofia Moderna e Filosofia Contemporânea. Além disso, mesmo respeitando essa tradição, convém considerar a especificidade de cada autor, evitando generalizações. Importa, aqui, levar em conta o contexto histórico-social em que viveu o pensador.

É necessário, portanto possibilitar uma visão geral sobre cada uma dessas divisões, explicadas nas sínteses a seguir:

Filosofia Antiga: Trata-se do início da Filosofia (φ), da identificação de seus primeiros problemas. A φ Antiga abrange um período que vai do final do séc. VI a.C até o séc.VII d.C. Tendo como espaços iniciais as cidades-Estdo da Grécia, chamadas poleis, seu desenvolvimento atingiu várias cidades do Império Romano, inclusiva no norte da África.

Os escritos da época foram produzidos, e geral, em grego e latim, mas os espaços culturais onde φ Antiga se desenvolveu eram bastante heterogêneos. Muitos textos desses pensadores acabaram se perdendo, restando-nos apenas alguns livros e fragmentos.

Filosofia Medieval: A φ Medieval se desenvolveu no período que vai do século VIII ao séc. XIV. Seus espaços foram, principalmente, os mosteiros e ordens religiosas européias, onde a Igreja Católica tinha hegemonia.

Entretanto, houve manifestações filosóficas fora do mundo cristão, em especial no mundo árabe e judeu. A φ Medieval foi uma das responsáveis pela criação das universidades. Sua principal discussão: a relação entre a fé e razão, ou seja, a tentativa de separar o que pertenceria a Deus (teologia) e que pertenceria aos homens (filosofia).

Filosofia Moderna: Iniciada no séc. XIV, φ Moderna se estende ate o final do séc. XVIII, no continente europeu. Nessa época, a Europa foi palco do desenvolvimento do capitalismo, da formação dos Estados Nacionais, das grandes navegações e dos processos de colonização e formação dos impérios.

A Igreja Católica dividiu a hegemonia com o protestantismo e com as ideias que incentivavam a liberdade do homem frente à religião. Sua s pela criação das universidades. Sua principal discussão: a relação entre a fé e razão, ou seja, a tentativa de separar o que pertenceria a Deus (teologia) e que pertenceria aos homens (filosofia).

Filosofia Contemporânea: A φ Contemporânea se estende do final do séc. XVIII até os nossos dias. É possível dizer que seus problemas inspiram-se na Revolução Francesa e na revolução Industrial, com a crescente desumanização do processo social de produção.

Seu espaço central ainda é a Europa, mas cada vez mais atinge outros espaços, como por exemplo, os Estados Unidos.


Fonte:____________
(SÃO PAULO-SEE, Caderno do professor: filosofia, EM, 1ª S., V.1, pp.28-29)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O QUE E, O QUE E

Gonzaguinha

Eu fico com a pureza das respostas das crianças:É a vida! É bonita e é bonita!Viver e não ter a vergonha de ser feliz,Cantar, A beleza de ser um eterno aprendizEu seiQue a vida devia ser bem melhor e será,Mas isso não impede que eu repita:É bonita, é bonita e é bonita!E a vida? E a vida o que é, diga lá, meu irmão?Ela é a batida de um coração?Ela é uma doce ilusão?Mas e a vida? Ela é maravilha ou é sofrimento?Ela é alegria ou lamento?O que é? O que é, meu irmão?Há quem fale que a vida da gente é um nada no mundo,É uma gota, é um tempoQue nem dá um segundo,Há quem fale que é um divino mistério profundo,É o sopro do criador numa atitude repleta de amor.Você diz que é luta e prazer,Ele diz que a vida é viver,Ela diz que melhor é morrerPois amada não é, e o verbo é sofrer.Eu só sei que confio na moçaE na moça eu ponho a força da fé,Somos nós que fazemos a vidaComo der, ou puder, ou quiser,Sempre desejada por mais que esteja errada,Ninguém quer a morte, só saúde e sorte,E a pergunta roda, e a cabeça agita.Fico com a pureza das respostas das crianças:É a vida! É bonita e é bonita!É a vida! É bonita e é bonita! 
 
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fonte: (http://www.vagalume.com.br/gonzaguinha/o-que-e-o-que-e.html)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

BILU E JOAO (ALMEIDA, F.S.G; GAMA, G.)

I - Introdução
O trabalho será apresentado sobre o curtametragem Bilu e João. 
Será apresentado um breve relato sobre o modo difícil de sobrevivência que eles tiveram que se adaptar e sua luta para se manterem catando restos de papelão e metal nas ruas de São Paulo.
Sem tempo para aproveitarem sua infância, eles tentam persistir no sonho para um futuro melhor.

II- Desenvolvimento
2.1 Quem é Bilu?
Bilu é uma menina que deseja muito que sua vida seja melhor, mas as condições em que ela habita é exatamente o contrário disso o que dificulta sua realização. 

2.2 Quem é João?
João é um garoto que vivia pelas ruas garantindo a sua sobrevivência e da sua irmã. Seu sonho é ter uma ferrari e participar de corridas de fórmula 1.

2.3 Onde vivem?
Em uma favela nas ruas de São Paulo.

2.4 Eles são pobres ou não?
Sim, pois eles não tem renda mínima e fixa.

2.5 Como acontece a violência?
Há muita disputa entre os lugares nas ruas para conseguir dinheiro e isso gera muitos conflitos que os prejudicam bastante.

2.6 Como as instituições poderiam acabar com a situação deles?
Como eles ainda são crianças, poderiam entrar em lares adotivos ou instituições de caridade que poderiam mante-los vivos até pelo menos atingir sua idade adulta.

III- Conclusão 
Nós concluimos que o curtametragem ''Bilu e João'' trata de duas crianças que vivem uma realidade complicada e que aos olhos de muitos, é desconhecida. A única coisa que eles têm e que ninguém pode tirar através da violência sofrida são seus sonhos e suas vontades de ter um futuro melhor. 

IV - Bibliografia
Curtametragem "Bilu e João".Disponível em: www.jaueras.blogspot.com/joaoebilu.Acessado em 24/10/2011.
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Com permissão das autoras (Flavia Serigato Gomes de Almeida e GG são alunas do 1º Ano, da Escola Estadual Dr. Jorge Coury - Piracicaba)

domingo, 16 de outubro de 2011

O QUE E SER POBRE


1. POR QUE A MAIORIA DAS PESSOAS É POBRE E PARECE ACEITAR ISSO COMO NATURAL?
Por que parece normal algumas pessoas viverem em conforto, sem problemas materiais, enquanto outras passam, principalmente, dificuldades durante toda a vida? O que haveria de errado com o ser humano? Por que há fartura e fome em um mesmo país, e tantas diferenças até entre vizinhos?
Temos duas possibilidades de resposta que merecem reflexão:
a) A primeira pode ser resumida nesta fórmula: "Isso ocorre porque as pessoas não têm estudos", o que transfere a responsabilidade para quem não estudou.
b) A segunda, diz respeito ao trabalho, ao se responsabilizar quem não trabalha. Em ambas as respostas, a responsabilidade é dos próprios pobres. Enfim, em muitos casos, aponta-se a falta de vontade das pessoas de trabalhar ou de estudar, desenhando-se, assim, a preconceituosa e quase clássica figura do marginalizado.
A respeito do primeiro argumento não há dúvida de que a pobreza dos indivíduos pode ser atrelada à falta de estudo, porém não em uma perspectiva individual e, sim, social.
A responsabilidade, neste caso, em primeiro lugar é do Estado, e de toda a sociedade, pois em uma adequada política educacional, bem estabelecida e duradoura, torna-se mais difícil a participação política, base para a construção da democracia. Por outro lado. é necessária uma crítica a respeito do comportamento de todos em relação à educação, o que inclui pais, professores e funcionários da escola. alem de o aluno. Responsabilizar apenas o Estado é anular completamente o compromisso de outros agentes da educação; no entanto, restringir, também, a responsabilidade a esses agentes indica falta de reflexão e de entendimento sobre o papel do Estado na implantação de políticas públicas que favoreçam a todos.
A estrutura educacional está permeada de problemas éticos e políticos. Éticos, porque exigem o compromisso social dos agentes: professores são interpostos entre as limitadas condições de trabalho e os alunos; funcionários e diretores dividem-se entre as rotinas burocráticas da escola e a educação integral do aluno e a facilitação do trabalho do professor: os pais percebem que deve haver harmonia entre estas duas necessidades: sua vida e a formação dos seus filhos, o que implica respeitar a escola, sobretudo ao reconhecer a importância dos professores. No que diz respeito aos problemas políticos, a relação é bem mais ampla e exige o compromisso de todos os agentes, por exemplo, no sentido da construção democrática da vida escolar, do bom uso do dinheiro público; enfim, da necessidade de vigilância constante da sociedade em relação à melhoria da escola.
De certa forma, a discussão sobre a educação abrange aspectos relativos também ao trabalho, já que o acesso ao mercado e os níveis salariais estão diretamente associados ao nível de escolaridade dos indivíduos.

2. A IDEOLOGIA
Resumindo os dois argumentos, a superação da pobreza está associada à educação para o trabalho e. também, ao emprego. Em certo sentido, ainda se acredita nessa relação. Por quê? Em consequência, principalmente, da ideologia. Superar ou eliminar a pobreza não é algo passível de ocorrer, simplesmente, por meio da educação e do trabalho, mas pode ser resultado de políticas sociais decorrentes de maior participação de todos quanto a decisões sobre distribuição de renda. É bem verdade ser possível encontrar alguns indivíduos que conseguem maior renda e acesso a outros benefícios por meio desses quesitos. No entanto, rotineiramente, essa conquista não é uma regra; é exceção no universo social, justamente porque se trata de conquista de alguns ou de poucos, e não de todos, nem sequer da maioria. Por outro lado, a política da igualdade não está apenas interessada em uns e outros, mas em todos. "Todos" é uma das palavras mais importantes para a política que se pretende democrática, solidária e promotora de sociedade sem exclusão.

2.1. A IDEOLOGIA PARA MARX
Para Marx, a atividade de sobrevivência do nosso corpo exige que produzamos, por meio do trabalho, as condições de nossa existência, ou seja, para comer, dormir, curar nossas doenças, morar, todas as pessoas precisam produzir os meios para sua sobrevivência. No entanto, há pessoas que vivem à custa do trabalho alheio, ao explorar o trabalho alheio e provocar a separação entre o homem que trabalha e o fruto de seu trabalho, que passa a ter como finalidade beneficiar outros.
Os indivíduos que vivem da alienação do trabalho de outros, para Marx, também criaram um sistema de crenças que mantém e perpetua seu poder sobre a maioria. Em vez do uso puro e simples da força, criam um discurso capaz de justificar a exploração do trabalho alheio. Tal discurso justificador da exploração alheia é a ideologia, segundo Marx. Assim, as ­pessoas acabam por considerar que é natural e justo o sofrimento decorrente de seu lugar na sociedade. Ainda segundo Marx, a sociedade é dividida entre aqueles que vendem sua força de trabalho e os que compram esta força de outrem.
Os proprietários dos meios de produção - como a terra, o comércio, as indústrias, as empresas em geral -, e, ainda, no caso da sociedade contemporânea, os proprietários de bancos e dos grandes veículos de comunicação, não precisam vender a força de trabalho para ninguém, ou seja, não se tornam mercadorias. Os que não são proprietários destes mesmos meios de produção precisam vender a sua força de trabalho, tornando-se mercadoria.
A ideologia que justifica a manutenção dessa diferença entre os proprietários e os não proprietários colabora e mantém uma sociedade na qual, em outras palavras, os ricos continuam ricos e os pobres permanecem pobres.
A ideologia é um sistema que produz valores, representações e desejos, muitos dos quais apenas reproduzem relações sociais sem questioná-las, justificando, assim, as condições de desigualdade social.

3. COM OS ALUNOS
Inicialmente, peça que recortem em revistas e jornais imagens que caracterizem a desigualdade social. Depois, com base nas imagens. é importante discutir como é possível que as pessoas vivam naquelas péssimas condições de moradia, saúde etc. Como é possível enxergarmos as desigualdades e, mesmo assim, elas continuarem a existir? O que podemos fazer? Considere a importância de discutir a questão dos discursos ideológicos, aqueles que acabam por ajudar a manter tais condições perversas de vida. Muitos desses discursos estão presentes na lei, na religião e na moral. Em seguida, encaminhe a discussão para os possíveis argumentos:

Argumentos da lei – As pessoas têm o direito à propriedade e o direito de consegui-la como resultado de seu esforço. A lei garante a defesa da propriedade e não permite que ninguém a tome. Dessa forma, o sistema legal defende a existência de propriedade por parte de alguns, e não de todos. O rigor e o cumprimento da lei podem sugerir que não se deva questionar ou criticar o fato de alguns serem proprietários e outros não.
           
           

Argumentos religiosos - Para algumas religiões, o importante é o espírito, e pouco se dá valor ao corpo. Para outras, o corpo é sagrado por ser a morada do espírito. Independentemente da exaltação do corpo assumida por uma ou outra religião, aqui interessa a reflexão sobre alguns argumentos religiosos que justificam a pobreza. Quando se valoriza a fé como a única ferramenta para conseguir melhores condições de vida, temos uma compreensão de natureza religiosa que precisa ser analisada com cuidado, para não se correr o risco de anular a importância da organização e da participação de movimentos de luta por direitos como moradia, saúde, alimentação, educação.

A pobreza pode ser vista, religiosamente, até como virtude, ou o seu contrário, como castigo. Virtude, porque é bom ser pobre, desapegado dos bens terrenos, porque o mais importante é a oportunidade de crescimento e construção de riqueza espiritual. Castigo, sob outros aspectos, também religiosos, porque a grandes fortunas são vistas como uma dádiva divina, sem o questionamento de que resultam, na maioria das vezes, da exploração de trabalhadores e geram desigualdade social.

Argumentos morais - A resposta moral diz que as pessoas são pobres por causa da maldade dos ricos e pelo fato de elas não lutarem para conseguir melhores condições de vida, ou seja, ganância de uns, e indolência de outros. Por outro lado, afirma-se, os pobres não trabalham o suficiente para enriquecer. Afinal, se trabalhassem e estudassem, para além do que muitos já fazem, seriam bem-sucedidos. Em relação ao pobre, a moral ainda ensina que é melhor ser pobre do que ganancioso: “Sou pobre, mas sou honesto". Aqui, além de confundir pobreza com honestidade, o sofrimento de pobreza acaba compensado por uma autoimagem positiva, mas que não garante qualquer acesso aos bens sociais.

Em síntese, o discurso ideológico justifica a preservação de uma sociedade de pobres e ricos, ainda que atualmente possamos identificar muitas camadas ou muitos matizes no interior da classe dos trabalhadores e no interior da classe daqueles que são donos dos meios de produção e vivem do trabalho alheio. Afirmações como estas - "o trabalho torna-se a saída para a pobreza"; "a lei tem de defender o que as pessoas conseguiram com muito esforço"; "precisamos fazer doações" - não são falsas, mas não dizem tudo sobre as desigualdades, sobre o que as provoca, sobre quais seriam as possíveis soluções. São meias verdades que constituem a ideologia. Se as elites falassem apenas absurdos, seria fácil perceber suas estratégias. No entanto, a justaposição de meias verdades cria uma possibilidade de crença, de confiança, de justificativa. Por exemplo, quando se afirma que "o trabalho dignifica o homem", isso não é mentira, mas o trabalho que dignifica o homem também pode degradá-lo e fazê-lo sofrer, por alcançar pequenos resultados ao longo de sua vida e por beneficiar mais outro homem do que a si mesmo.

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Fontes: (SÃO PAULO-SEE, Caderno do professor: filosofia, EM, 1ª S., V.4, pp.12-14)

quarta-feira, 16 de março de 2011

KARL POPPER


FALSEABILIDADE E LIMITES DA CIÊNCIA

Carlos Roberto de Lana*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Karl Popper nasceu em 1902, praticamente junto com o século 20. Nessa época, a ciência parecia ter atingido o auge do prestígio. A revolução industrial iniciada na Inglaterra do século 18 se fundamentou na divisão e organização do trabalho e nas novas tecnologias que aproveitaram as possibilidades abertas pela ciência determinista de sir Isaac Newton.
A utilização maciça das aplicações técnicas do conhecimento científico produziu um período de progresso material acelerado, no qual a humanidade avançou mais em dois séculos neste campo do que nos quatro mil anos anteriores. Esse progresso acelerado colocou o conhecimento científico numa posição de destaque, que, no século 19, culminou no cientificismo, a crença de que tudo poderia ser explicado pela ciência, que deveria ser colocada acima de todos os outros modos do saber.

Supervalorização da ciência
Essa combinação de fatores sócio-históricos gerou grandes distorções, como o fato de a ciência, tornada laica pelo iluminismo europeu, ganhar status religioso em doutrinas como o positivismo e outras, durante o século 19 e início do 20.
É neste ambiente de supervalorização do progresso científico e de deturpação da natureza original da ciência que surge Karl Popper, que se tornaria o mais influente e respeitado filósofo da ciência entre os homens que a fazem nos dias de hoje. Austríaco de nascimento e britânico por opção, Popper é o autor da definição atualmente mais aceita de teoria científica:
"Uma teoria científica é um modelo matemático que descreve e codifica as observações que fazemos. Assim, uma boa teoria deverá descrever uma vasta série de fenômenos com base em alguns postulados simples como também deverá ser capaz de fazer previsões claras as quais poderão ser testadas."
Com esta definição, a simplicidade e a clareza voltavam a ser virtudes identificadoras da boa ciência, que assim se separa das mistificações que nos dois séculos anteriores tentaram pegar carona em seu prestígio.

Observação e teorização
Popper defendeu que, se a ciência se baseia na observação e teorização, só se podem tirar conclusões sobre o que foi observado, nunca sobre o que não foi. Assim, se um cientista observa milhares de cisnes, em muitos lugares diferentes e verifica que todos os cisnes observados são brancos, isto não lhe permite afirmar cientificamente que todos os cisnes são brancos, pois, não importa quantos cisnes brancos tenham sido observados, basta o surgimento de um único cisne negro para derrubar a afirmação de que eles não existiriam.
Assim, qualquer afirmação científica baseada em observação jamais poderá ser considerada uma verdade absoluta ou definitiva.Uma teoria científica, no máximo, pode ser considerada válida até quando provada falsa por outras observações, testes e teorias, mais abrangentes ou exatos que a original.

Falseabilidade
A possibilidade de uma teoria ser refutada constituía para o filósofo a própria essência da natureza científica. Assim, uma teoria só pode ser considerada científica quando é falseável, ou seja, quando é possível prová-la falsa. Esse conceito ficou conhecido como falseabilidade ou refutabilidade.
Segundo Popper, o que não é falseável ou refutável não pode ser considerado científico. As teorias da gravitação universal de sir Isaac Newton são científicas, por que além de se enquadrarem na definição ao propor equações simples que descrevem os modelos cósmicos gravitacionais, também é possível se fazer previsões acertadas com base nelas. E as teorias de Newton também são falseáveis. Tanto que o foram, quando Albert Einstein com sua Teoria da Relatividade demonstrou que a mecânica newtoniana não era válida em velocidades próximas à da luz.

Teoria da relatividade
O clássico experimento do eclipse, no qual Einstein provou que a luz era afetada pelos campos gravitacionais e o experimento posterior, que provou que cronômetros de altíssima precisão postos em alta velocidade em relação à Terra apresentavam pequenos atrasos quando comparados a cronômetro idêntico mantido imóvel na superfície, trouxe a ciência aos novos tempos em que o tempo não mais era absoluto.
Mesmo assim, as teorias de Newton continuam válidas para a maioria das aplicações cotidianas, quando a influência da velocidade pode ser considerada desprezível para as aplicações práticas. A ciência mais uma vez mostrava seu poder de se renovar e melhorar a partir de suas próprias definições. Por outro lado, seguindo as definições e o conceito da falseabilidade de Popper, a astrologia de horóscopo moderna não pode ser considerada científica.
Todo o gigantesco arcabouço da mecânica newtoniana, o mais prestigiado modelo científico de todos os tempos, foi falseado por dois experimentos simples e uma equação magistral (E = mC2). Mas não existem experimentos possíveis que possam falsear a teoria de que a posição de determinados corpos celestes afetam a vida de pessoas nascidas em determinado período de determinada forma. A abrangência das previsões e a falta de um modelo simples e claro que as expliquem tornam a astrologia de horóscopo não falseável e, portanto, não científica.

Limites da ciência
Com Popper, os limites da ciência se definem claramente. A ciência produz teorias falseáveis, que serão válidas enquanto não refutadas. Por este modelo, não há como a ciência tratar de assuntos do domínio da religião, que tem suas doutrinas como verdades eternas ou da filosofia, que busca verdades absolutas.
O melhor no velho filósofo, que se opôs ao nazismo e dedicou sua vida à defesa de boas causas, é que suas teorias se aplicam a elas próprias. Assim, se amanhã alguém redigir uma melhor definição de teoria científica, as idéias de Popper humildemente sairão de cena para tomar seu lugar na história da ciência. Entre as muitas virtudes que nossa ciência adquiriu dos grandes sábios que lhe deram grandeza, Popper nos mostrou uma ciência que se faz grande na virtude da humildade.

Bibliografia
http://educacao.uol.com.br/filosofia/ult3323u34.jhtm

domingo, 21 de fevereiro de 2010

PLATAO e ARISTOTELES, sobre a alma

Platão e Aristóteles

Texto 1: "Por toda parte eu vou persuadindo a todos, jovens e velhos, a não se preocuparem exclusivamente, e nem tão ardentemente, com o corpo e com as riquezas, como devem preocupar-se com a alma, para que ela seja quanta possível melhor, e vou dizendo que a virtude não nasce da riqueza, mas da virtude vem, aos homens, as riquezas e todos os outros bens, tanto públicos como privados”. PLATÃO.. Apologia de Sócrates.

Texto 2: "Ao considerar o conhecimento como se encontrando entre as coisas mais belas e dignas do maior valor, sendo umas mais penosas do que outras, quer em virtude do seu rigor, quer em virtude de dizer respeito a coisas mais bel as e elevadas, decidimos, devido a essas duas mesmas causas, considerar toda a investigação respeitante a alma como sendo de importância fundamental. Alem disso, parece esta investigação também constituir uma contribuição especial para todo o conhecimento da verdade, particularmente para 0 estudo da natureza - a alma e, com efeito, o principio de todos os seres vivos. Por isso procuramos, ao investigar, examinar a natureza e a essência da alma em primeiro lugar e, depois, os seus atributos fundamentais”. ARISTOTELES. Da alma.

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Fontes: (SÃO PAULO-SEE, Caderno do professor: filosofia, EM, 1ª S., V.1, p.26)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

FEDERALISMO (Proudhon)

Pierre-Joseph Proudhon apresenta uma análise do princípio de federação a partir das relações de liberdade e autoridade que se dão dentro da sociedade. A partir disso, discute as formas de autoridade e aponta o federalismo como forma de solução política para a sociedade. Proudhon assim define sua idéia de federação: “FEDERAÇÃO, do latim foedus, genitivo foederis, quer dizer pacto, contrato, tratado, convenção, aliança [...] o sistema federativo é oposto da hierarquia ou centralização administrativa e governamental”.

A partir de 1858, mais consciente da importância das relações políticas internacionais, Proudhon prossegue a crítica do Estado centralizado (o que vem fazendo desde 1839) mas opõe-lhe, não mais a destruição dos governos, mas a sua limitação num sistema federal. Parece-lhe que a garantia das liberdades deve ser procurada, não somente na negação das autoridades, mas numa organização complexa onde se encontrarão limitadas e reciprocamente contrabalançadas as autoridades e as liberdades. O Federalismo responderia a esta complexidade das dialéticas desde que ele fosse concebido, não como um simples sistema político, mas como um sistema total sócio-econômico, onde os múltiplos grupos seriam os livres criadores das suas relações econômicas e políticas. O problema que se coloca a Proudhon, no momento em que se interroga sobre a constituição social dos grupos nacionais e sobre as relações internacionais, diz respeito simultaneamente à organização política. Na sociedade não-igualitária do regime de propriedade, o político constituía-se por oposição à sociedade econômica e para dominar os conflitos de classe que a desiguldade suscitava. Pelo contrário, numa sociedade socialista, onde a livre solidariedade uniria os indivíduos e os grupos, o direito público, longe de se opor à sociedade econômica, deveria admitir os princípios e não fazer mais que prolongar a organização econômica. Os princípios econômicos, contratualismo, mutualismo, devem estar no fundamento do direito público e reproduzirem-se identicamente: o equilíbrio dinâmico instituído na organização econômica deve reencontrar-se na organização política: a mutualidade econômica transpõe-se na política sob o nome de Federalismo. A concepção federal dos grupos nacionais opõe ao unitarismo centralizador uma visão pluralista de sociedade: enquanto que a tradição monárquica ou jacobina não concebe o bem social que sob a forma de absorção das partes numa centralização única, o federalismo opõe-se a toda centralização e respeita a autonomia dos agrupamentos particulares. Não se trata já de assegurar a unidade ao preço das liberdades mas assegurar ao mesmo tempo a unidade e as liberdades na unidade” (Francisco Trindade).

Todas estas divisões de partidos entre as quais a nossa imaginação cava abismos, todas estas divergências de opinião que nos parecem insolúveis, todos estes antagonismos de sorte que nos parecem sem remédio, encontrariam de repente sua equação definitiva na teoria do governo federativo, segundo
Proudhon.

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Fonte (http://www.editoraimaginario.com.br/untitled.asp?offset=8&registro=32)

ANARQUIA (Bakunin)

Em primeiro lugar, deve-se desprezar concepções errôneas segundo as quais "anarquia" seria sinônimo de "bagunça". Anarquia é ausência de governo e mesmo de atividade parlamentar; que os agentes políticos devem atuar diretamente em busca de manter e ampliar todas as formas de participação nos aspectos decisórios da sociedade em que vivem. Ação Direta, aliás, é o nome que adotam várias organizações anarquistas pelo mundo afora.

"Se quiséssemos substituir um governo por outro, isto é, impor nossa vontade aos outros, bastaria, para isso, adquirir a força material indispensável para abater os opressores e colocarmo-nos em seu lugar. Mas, ao contrário, queremos a Anarquia, isto é, uma sociedade fundada sobre o livre e voluntário acordo, na qual ninguém possa impor sua vontade a outrem, onde todos possamfazer como bem entenderem e concorrer voluntariamente para o bem-estar geral. Seu triunfo só poderá ser definitivo quando universalmente os homens não mais quiserem ser comandados ou comandar outras pessoas e tiverem compreendido as vantagens da solidariedade para saber organizar um sistema social no qual não mais haverá qualquer marca de violência ou coação" (Malatesta, Escritos revolucionários).

A atividade do anarquista, do socialista utópico (em sua sublime acepção de conquista da Esperança possível) não é violenta nem repentina, mas gradual, pedagógica, passo a passo.

"Não se trata de chegar à anarquia hoje, amanhã ou em dez séculos, mas caminhar seguramente rumo à anarquia hoje, amanhã e sempre. A anarquia é a abolição do roubo e da opressão do homem pelo homem, quer dizer, abolição da propriedade privada dos meios materiais e espirituais de produção e do governo formal; a anarquia é a destruição da miséria, da superstição e do ódio entre as pessoas. Portanto, cada golpe desferido nas instituições da propriedade privada dos meios de produção e do governo é um passo rumo à anarquia. Cada mentira desvelada, cada parcela de atividade humana subtraída ao controle da autoridade, cada esforço tendendo a elevar a consciência popular e a aumentar o espírito de solidariedade e de iniciativa, assim com a igualar as condições é um passo a mais rumo à anarquia."




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Fontes: (http://www.culturabrasil.pro.br/anarquia.htm)

SERVIDAO VOLUNTARIA - La Boetie

Existem profundas diferenças entre os homens. Mas, em vez de causas naturais, essas diferenças têm causas sociais. Alguns se alimentam bem todos os dias, têm muito dinheiro, trabalham poucas horas e dispõem de tempo e condições para desfrutar das mais variadas formas de lazer. Enquanto isso, outros, vivem situações absolutamente inversas.

La Boétie procurou explicar o motivo pelo qual as pessoas obedecem o tirano [o poder].
Suas observações e reflexões o levaram a afirmar que a sujeição de muitos por um tirano está relacionada muito mais com desejo do que com medo. Essa é a fonte do poder tirano: o desejo de poder de quem ele subjulga. Isso porque os menos favorecidos que se sujeitam ao tirano desejam também o poder porque este é o meio de ter posses.

Para garantir a posse dos bens, deseja-se a tirania e, para tê-la, acaba-se por obedecer ao tirano. Dessa maneira, as pessoas perdem sua liberdade no momento em que obedecem às outras, em busca da tirania para alcançar seus bens. Para La Boétie, essas pessoas se tornam escravas por livre vontade, vivendo uma verdadeira servidão voluntária.

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La Boétie, no início de seu Discurso da Servidão Voluntária, reporta-se a Homero, através da fala de Ulisses, quando este afirma que é melhor ter um senhor a ter vários. Argumenta dizendo que quando um senhor é mau, estamos sujeitos à infelicidade, quanto mais se nos sujeitarmos a vários. Em seguida, estupefato, o autor constata o absurdo de haver tantos homens, cidades e nações que facilmente se submetem a um só Tirano, cujo poderio é, ironicamente, outorgado por eles próprios. Conclui, então, ser resultado da fraqueza humana o submeter-se à servidão voluntária.

“Não é vergonhoso ver um número infinito de homens não só obedecer, mas rastejar (...)?” (Pág. 75; 9-10). Sob o domínio de um governo tirano, muitas adversidades são impostas, injustificadamente, a despeito de todas as implicações, atingindo desde os bens materiais até os laços afetivos mais caros, tudo ao bel-prazer de um homenzinho, o mais das vezes, covarde, vil e até afeminado.

“Será covardia?” (Pág. 79; 30) Uma humanidade inteira covarde? Como?! “Não é só covardia” (Pág. 75; 33). É o hiato entre a liberdade e a escravidão. Pois são os homens que se deixam escravizar, cair no vazio, no sem sentido de uma existência limitada, fruto de uma doação completa ao domínio tirânico, voluntariamente.

Mas, para alcançar a liberdade, basta aspirá-la? Não é assim tão simples. Como o fogo que consome continuamente para se perpetuar, “os tiranos, quanto mais pilham mais exigem; quanto mais arruínam e destroem, mais se lhes oferece (...); mas se nada se lhes dá (...), semelhante à árvore que, recebendo mais sumo e alimento para sua raiz, em breve é apenas um galho seco e morto” (Pág. 78; 2-9).

Vislumbra-se, assim, uma saída: a firme intenção de desejar as coisas, de cuja posse, torna-nos felizes. Menos a liberdade! Mas por que, já que, sem ela, resta-nos apenas a servidão? Será que a dificuldade reside na amedrontadora facilidade de ser livre?

Todos se enfraquecem para que um se fortaleça!


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Fontes: (SÃO PAULO-SEE, Caderno do professor: filosofia, EM, 1ª S., V.3, p.26)

ESTADO, O (John Locke)

Muitos filósofos trataram do tema Estado, como fruto de um pacto ou contrato a partir da união dos indivíduos. Em geral, esses filósofos se basearam no direito natural, ou seja, no jusnaturalismo. Hobbes, Rousseau e LOCKE discordaram do significado exato desses direitos, mas, de qualquer forma, muitas de suas teorias filosóficas foram bem-aceitas por uma classe tipicamente moderna, que é a burguesia. Em síntese, esse ideário ajudou a burguesia a se libertar da mediação política da tradição medieval e da Igreja Católica.

De modo especial, John Locke, ao se referir aos direitos naturais, pensava que todos nascem com direito:
  • à vida
  • à liberdade;
  • à propriedade.
Por isso, é função do Estado fazer com que a ida, a liberdade e a propriedade de cada um sejam respeitadas. Dessa maneira, a burguesia, que estava em plena ascensão entre os séculos XVII e XVIII, encontrou nessa teoria uma das bases para a legitimação de seu poder.

Com a teoria do indivíduo proprietário e livre para lucrar com o comércio e a indústria, constituiu-se o fundamento do liberalismo. No liberalismo, o Estado é responsável pela guarda das propriedades particulares contra os pobres, já que esses teriam perdido sua propriedade por usarem mal a própria liberdade. Assim, a pobreza é tida como responsabilidade do pobre, que deve usar a sua liberdade para o trabalho como fonte de novas propriedades.

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Fontes: (SÃO PAULO-SEE, Caderno do professor: filosofia, EM, 1ª S., V.3, p.26)