Mostrando postagens com marcador FILOSOFIA 3º ANO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador FILOSOFIA 3º ANO. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

BILL OF RIGHTS (1689)



Os Lords, espirituais e temporais e os membros da Câmara dos Comuns declaram, desde logo, o seguinte:

1. Que é ilegal a faculdade que se atribui à autoridade real para suspender as leis ou seu cumprimento.

2. Que, do mesmo modo, é ilegal a faculdade que se atribui à autoridade real para dispensar as leis ou o seu cumprimento, como anteriormente se tem verificado, por meio de uma usurpação notória.

3. Que tanto a Comissão para formar o último Tribunal, para as coisas eclesiásticas, como qualquer outra Comissão do Tribunal da mesma classe são ilegais ou perniciosas.

4. Que é ilegal toda cobrança de impostos para a Coroa sem o concurso do Parlamento, sob pretexto de prerrogativa, ou em época e modo diferentes dos designados por ele próprio.

5. Que os súditos têm direitos de apresentar petições ao Rei, sendo ilegais as prisões vexações de qualquer espécie que sofram por esta causa.

6. Que o ato de levantar e manter dentro do país um exército em tempo de paz é contrário a lei, se não proceder autorização do Parlamento.

7. Que os súditos protestantes podem ter, para a sua defesa, as armas necessárias à sua condição e permitidas por lei.

8. Que devem ser livres as eleições dos membros do Parlamento.

9. Que os discursos pronunciados nos debates do Parlamento não devem ser examinados senão por ele mesmo, e não em outro Tribunal ou sítio algum.

10. Que não se exigirão fianças exorbitantes, impostos excessivos, nem se imporão penas demasiado deveras.

11. Que a lista dos jurados eleitos deverá fazer-se em devida forma e ser notificada; que os jurados que decidem sobre a sorte das pessoas nas questões de alta traição deverão ser livres proprietários de terras.

12. Que são contrárias às leis, e, portanto, nulas, todas as doações ou promessas de doação do produto de multa ou de confisco infligidos a pessoas que não tenham sido antes julgadas e condenadas.


13. Que é indispensável convocar com frequência os Parlamentos para satisfazer os agravos, assim como para corrigir, afirmar e conservar as leis.

domingo, 16 de outubro de 2011

LEITURA DOS TEXTOS FILOSÓFICOS


Jorge Alberto Molina'
"Queremos aqui caracterizar aquelas produções textuais que classificamos como textos de Filosofia. Num romance, como Madame Bovary, os personagens são seres humanos, reais ou fictícios, como Ema Bovary, Monsieur Homais, o Doctor Bovary etc. No texto filosófico, os personagens são as teses defendidas. Essas teses estão apoiadas sobre argumentos. O texto filosófico é um texto de tipo argumentativo. Mas essa é ainda uma caracterização muito geral, pois um ensaio sociológico, um editorial de jornal, um sermão, são também textos argumentativos. De maneira que essa descrição é insuficiente, a menos que precisemos, com mais exatidão, quais são os traços específicos da argumentação filosófica. O que dificulta ir além daquela caracterização muito geral é o fato de o discurso filosófico manifestar-se através de uma grande variedade de gêneros textuais diferentes".
Antes de Sócrates, a Filosofia usou como forma de expressão a poesia, e ainda no período roma­no-helenístico encontramos De rerum natura, de Lucrécio, como exemplo de poema filosófico. Platão e também Aristóteles usaram o diálogo como veículo para expressar suas ideias. O diálogo filosófico está presente até na Idade Moderna, lembremos por exemplo o Diálogo sobre a conexão entre as ideias e as palavras, de Leibniz, e os Três diálogos entre Hilas e Filonius, de Berkeley. As cartas têm servido como instrumento de expressão de ideias filosóficas. Podemos citar exemplos célebres como a correspondência entre Leibniz e Clark sobre a natureza do espaço e do tempo, a correspondência entre Leibniz e Arnauld sobre a noção de substância, as cartas a Lucílio de Sêneca etc. A autobiografia tem sido usada para expressar concepções filosóficas, assim As Confissões de Santo Agostinho e as de Rousseau. Os filósofos também se apropriaram do gênero apologético e, como mostra disso, encontramos a Apologia de Sócrates, de Platão, A Cidade de Deus, de Santo Agostinho, e Os pensamentos, de Pascal. O tratado científico foi introduzido por Aristóteles como gênero textual para a expressão de filosofemas. Existem também textos filosóficos formados a partir de aforismos, como o Tractatus, de Wittgenstein. Face a essa grande variedade de gêneros textuais usados pelos filósofos, nos perguntamos sobre a justificativa para colocar produções pertencentes a gêneros tão diferentes sob o rótulo comum de texto filosófico.[ ... ]
Podemos, então, afirmar o seguinte: parece difícil apontar a priori um conjunto de marcas neces­sárias e suficientes que outorguem uma especificidade ao texto filosófico. Não podemos definir o texto filosófico por meio de uma cláusula do tipo 'texto filosófico é ABC, e somente aquilo que seja ABC. .. poderá ser chamado de texto filosófico'. No entanto, pensamos que, malgrado a impossibilidade de definir diretamente o que é um texto filosófico, podemos obter luz sobre o nosso tema, comparando o discurso filosófico com outros tipos de discursos: o científico, o jurídico, o teológico e o literário.
[ ... ]
Diferenciar a Filosofia da Literatura é mais difícil, e tememos que qualquer critério de demarcação que seja dado entre as duas disciplinas possa ser sempre impugnado. Platão considerava que a Poesia busca comover e que a Filosofia procura a verdade3. O bom poeta, segundo ele, é aquele que sabe provocar em nós as emoções apropriadas. Aristóteles considerava o discurso poético como aquele que representa coisas fictícias como possíveis, enquanto a Filosofia é um discurso que expressa o que é, da forma que ele é. Ou, dito de outra forma, o discurso filosófico descreve como é o que existe4. Hegel considerava que a arte representa o universal sob a forma da sensibilidade, ao passo que a Filosofia representa o universal sob a forma de conceitos. Agamêmnon representa a hybris ou desmesura comum a vários governantes; Antígona e Creonte, o conflito entre a razão de estado e a piedade familiar; Dom Quixote, o espírito sonhador e aventureiro.
Personagens da literatura representam conceitos ou situações universais. Então, baseados naqueles três filósofos, podemos dizer que o discurso literário se diferencia do filosófico pelo fato que: I) ele busca suscitar em nós emoções; II) ele tem um caráter fictício; lII) ele representa situações universais (o universal) sob a forma de um conjunto de representações individuais."
I Doutor em Lógica e Filosofia da Ciência pela UNICA MP, professor do Departamento de Ciências Huma­nas c docente do Mestrado em Letras da Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC.
2 Estou usando a distinção entre gêneros e tipos textuais apresentada em Marcuschi (2002).
3 RepÚblica X, 605d-607d.
4 "Pelo exposto se torna óbvio que a função do poeta não é contar o que aconteceu mas aquilo que poderia acon­tecer, o que é possível, de acordo com o princípio de verossimilhança e da necessidade" (Poética, 51 a 36-51 b 11). "Deve preferir-se o impossível verossímil ao possível inverossímil" (Poética, 60a 27).
5 "[ ... ] a função da arte consiste em tornar a ideia acessível à nossa contemplação, mediante uma forma sensível e não na figura do pensamento e da espiritualidade em geral [ .. .]" Hegel (1993). p. 47.
A leitura dos textos filosóficos. Revista Signo, v. 31. 2006. p. 37-47. Disponível em: article/viewFile/438/291>. Acesso em: 13 ago. 2009.
_____________
Fontes: (SÃO PAULO-SEE, Caderno do professor: Filosofia, EM, 3ª S., V.4, pp.10-11)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

ESCRAVIDAO CONTEMPORANEA


"A assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, representou o fim do direito de propriedade de uma pessoa sobre a outra, acabando com a possibilidade de possuir legalmente um escravo no Brasil. No entanto, persistiram situações que mantêm o trabalhador sem possibilidade de se desligar de seus patrões. Há fazendeiros que, para realizar derrubadas de matas nativas para formação de pastos, produzir carvão para a indústria siderúrgica, preparar o solo para plantio de sementes, algodão e soja, entre outras atividades agropecuárias, contratam mão de obra utilizando os contratadores de empreitada, os chamados 'gatos'. Eles aliciam os trabalhadores, servindo de fachada para que os fazendeiros não sejam responsabilizados pelo crime.
Esses gatos recrutam pessoas em regiões distantes do local da prestação de serviços ou em pensões localizadas nas cidades próximas. Na primeira abordagem, mostram-se agradáveis, portadores de boas oportunidades de trabalho. Oferecem serviço em fazendas, com garantia de salário, de alojamento e comida. Para seduzir o trabalhador, oferecem 'adiantamentos' para a família e garantia de transporte gratuito até o local do trabalho.
O transporte é realizado por ônibus em péssimas condições de conservação ou por caminhões improvisados sem qualquer segurança. Ao chegarem ao local do serviço, são surpreendidos com situações completamente diferentes das prometidas. Para começar, o gato lhes informa que já estão devendo. O adiantamento, o transporte e as despesas com alimentação na viagem já foram anotados em um 'caderno' de dívidas que ficará de posse do gato. Além disso, o trabalhador percebe que o custo de todos os instrumentos que precisar para o trabalho - foices, facões, motosserras, entre outros - também será anotado no caderno de dívidas, bem como botas, luvas, chapéus e roupas. Finalmente, despesas com os improvisados alojamentos e com a precária alimentação serão anotados, tudo a preço muito acima dos praticados no comércio.
Convém lembrar que as fazendas estão distantes dos locais de comércio mais próximos, sendo impossível ao trabalhador não se submeter totalmente a esse sistema de 'barracão', imposto pelo gato a mando do fazendeiro ou diretamente pelo fazendeiro.
Se o trabalhador pensar em ir embora, será impedido sob a alegação de que está endividado e de que não poderá sair enquanto não pagar o que deve. Muitas vezes, aqueles que reclamam das condições ou tentam fugir são vítimas de surras. No limite, podem perder a vida.”
SAKAMOTO, Leonardo (Coord.). Trabalho escravo no Brasil do século XXI. Organização Internacional do Trabalho: Brasil, 2007. p. 21-22. Disponível em: . Acesso em: 8 ago. 2009. 

Fontes: (SÃO PAULO-SEE, Caderno do professor: sociologia, EM, 3ª S., V.4, p.12)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

RESENHA: O que e sociologia (MARTINS, C.B.)

Obra: MARTINS, Carlos B. O que é sociologia. S.Paulo: Edit. Brasiliense, 1988, 98p. (Coleção Primeiros Passos)

"O que é sociologia", de Carlos B. Martins (1948) tem como propósito apresentar a historicidade do termo "sociologia", desde as primeira tentativas de se articular uma reflexão dos pensadores do século XVIII, cenário da Revolução Industrial, até os seus dias (década de 1980); o título da obra deixa entrever o caminho de seu conteúdo, porque em momento algum fora transformado em questão e a supressão da interrogativa, já na capa do livro, resguarda o autor de não querer esgotar, de fato, o que é a sociologia.
Uma obra curta, a estilo da "Coleção Primeiros Passos", não ultrapassando a contagem de 98 páginas, em tamanho 'pocket" (livro de bolso), o autor distribui o conteúdo em quatro secções, mais uma servindo de apêndice; uma breve introdução, seguida de três capítulos nos quais dispõe o surgimento, a formação e o desenvolvimento dos esforços e dos pontos sociais assumidos por autores que ajudaram a construir o emaranhado e multifacetado termo 'sociologia', fazendo com que o leitor se aperceba de que a sociologia, enquanto disciplina regulamentar do ensino básico, difere e se distancia de seu nascedouro tanto quando das abordagens pretendida por eles. A última parte do livro, o autor, demonstrando conhecimento de seu objeto de exposição, traça indicações pertinentes a outras fontes de leitura sobre o tema e seus afins.
.
A introdução cumpre com a sua função: apresentar a construção da sociologia e por quais [des] caminhos seguiu. O primeiro capítulo, 'o surgimento', trata de uma volta à História; há uma contextualização, mostrando que a sociologia não teve um aparecimento, isto é, ela não surgiu do nada, senão das próprias mudanças sofridas pelas cidades, que, no início se configuravam como povoados agrícolas, e num curto espaço de tempo (1780-1860), tornaram-se cidades industriais, inchadas e sem preparo para acolher a massa populacional que a essas cidades se dirigiam. Aqui começa uma revisão do pensamento quanto aos fatos: agora era a observação que ditava os pressupostos do conhecimento e não mais as forças naturais. São citados Bentham (1748-1832), pela ação na sociedade; Bacon (1561-1626), pela filosofia científica e Vico (1668-174), que introduz a sociedade como objeto de estudo. O capítulo se estende até a primeira metade do século XIX.
No segundo capítulo, "a formação", a obra se preocupa em descrever as antinomias dentro daquilo que seria a nova ciência: a sociologia. Em primeiro, trata de situar o caráter revolucionário frente o sistema feudal europeu. Assim é que a Revolução Francesa (1789), inspiradora da nova sociedade, precisava de uma nova maneira de enxergar o mundo: um mundo melhor, dividido entre os iguais. Conseguida a vitória, cumpria neutralizar o espírito revolucionário dos rebelados. Surgem os conservadores, que buscavam reestabelecer a ordem, a estilo da medievalidade, Burke (1729-1797) e Maistre (1754-1821). Entre as tensões iluministas e conservadores, o positivismo ganha força. Maior destaque, a obra dedica a Saint-Simon (1760-1825), incluso entre os grandes e primeiros socialistas, pois bebeu tanto da fonte iluminista quando da conservadora. Depois dele, Comte e Durkheim, ora reforçando ora avançando a sua teoria, tanto que Durkheim o coloca como sendo o verdadeiro pai da sociologia, os três estavam convencidos de que a desestruturação da sociedade somente levava a mais desordem e que a reestruturação social devia inevitavelmente passa pro um equilíbrio, isto é, manter o que já se tinha. Como crítica mais expressiva, surgem Marx (1818-1883) e Engels (1820-1903), que colocavam os seus antecessores como 'utópicos'. Para esses dois, o problema social gira entorno da economia, conforme se aproximaram de Smith e Ricardo, economistas clássicos, e não dos problemas morais, como queriam os outros. Somente com Weber (1864-1920) é que a sociologia adquiri seus primeiros conceitos e métodos de investigação.
No capítulo terceiro, "o desenvolvimento", traça o discurso sociológico como um instrumento da burguesia. O primeiro ponto levantado é a coincidência do surgimento da sociologia com a expansão do capitalismo: há aqui a equilavência de o grande gerador de riquezas ser o grande fomentador do descontrole social. A burguesia usou das ciências sociais ora para justificar uma revolução ora para se assegurar no poder. Tanto lá (séc. XVIII) quanto cá (séc.XX), os trabalhos apresentados pelos sociólogos parece obedecer a regras do pensamento dominante: lá, para fornecer dados para o controle da população; cá, para manter a ordem na sociedade. Inovaram na abordagem social os pensadores da Escola de Frankfurt, como ficou conhecido o Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt, que se colocavam entre o positivismo de Comte e a ideia criada pelo marxismo positivo. Na linha da Escola, nomes como Luckas e Gramsci.
A última parte do contéudo é apresentado como indicações para leitura. Vários títulos e autores são elencados como sugestões e comentários do autor.
A obra toda é um apanhado de informações sobre a sociologia. Não que seja a resposta do que de fato é a sociologia; ao contrário, as várias abordagens sobre o alcance e a influência da sociologia na sociedade moderna, que começou como meio de contestatação e, com o passar do tempo, foi se tornando um meio de controle da população, até terminar como um instrumento de apaziguação. Confrontandocom o ideário comum, a sociologia não é a ciência da sociedade, senão a ciência da observação das relações sociais, isto é, não é o estudo de como a sociedade surgiu; é, antes, a observação de como os homens se relacionam e firmam contratos para viver em sociedade.
Diante do objetivo da obra, ela se apresenta como válida, porque, de fato, em nenhum momento se afasta do tema central. Contudo, as idas e vinda a ideias e autores em partes distintas da obra causam estranheza e confusão quanto à estrutura e o desenrolar do tema, sem, no entanto, deixar de persegui-lo. O que aparece no capítulo 'formação' é repetido no capítulo 'desenvolvimento' e, o que pareceria desenvolvimento, está muito mais próximo à releitura histórica da formação.
A obra "O que é sociologia" seria indicada, sobretudo, aos estudantes do 3º ano do Ensino Médio, pois condensa os esforços de vários teóricos sobre o assunto 'sociologia' e os apresenta como força de validade da disciplina. Aos interessados em História e Filosofia, pois retomam feitos e datas e, de maneira especial, os pensadores que puderam, em seu tempo, ter uma visão privilegiada da situação em que viviam e propuseram caminhos alternativos aos que se lhes eram apresentados. E, enfim, aos que se vão pelas Ciências Sociais, porque sempre é tempo, oportuno e bom, recordar as fundamentações das relações estabelecidas pelos homens.
O autor da obra "O que é sociologia" é Carlos Benedito Martins, nascido em Goiás, em 04/1948. Sua vida acadêmica está intimamente ligada à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a PUC-SP. Lecionou na instituição desde 1972; em 1979, alcançou o título de Mestre em Sociologia. Na década de 1980 iniciou os estudos de Doutorado em Sociologia na Universidade Paris-V. É também autor do trabalho "Ensino pago: um retrato sem retoques" (Global Edit.); "Para onde vai a pós-graduação em Ciências Sociais no Brasil" (Ed. Edusc); "Ensino Superior Brasileiro" (Ed. Brasiliense).
Frederico Bandeira, licenciado em Filosofia (USF); professor de Filosofia e de Sociologia; formando do Curso de Administração (Anhanguera-Piracicaba).

quinta-feira, 25 de março de 2010

MORTE DE SÓCRATES, A

De acordo com Platão, as acusações contra Sócrates foram:

"Sócrates é réu por empenhar-se com excesso de zelo, de maneira supérflua e indiscreta, na investigação de coisas sob a terra e nos céus, fortalecendo o argumento mais fraco e ensinando essas mesmas coisas a outros" (PLATÃO. Apologia de Sócrates, 2008. p. 139 [19 b-c]. , Ibidem. p. 146 [24 c]).

"Sócrates e réu porque corrompe a juventude e descrê dos deuses do Estado, crendo em outras divindades novas" (Ibidem. p. 142-143 [21 d]).

Levado a julgamento, foi condenado à morte. Como e por que isso ocorreu?

Tudo começou quando Sócrates tomou conhecimento de que o oráculo do templo de Delfos, de­dicado ao deus Apolo, havia proclamado que ele era o homem mais sábio de Atenas. Não se conside­rando como tal, mas, ao mesmo tempo, não podendo duvidar da palavra do deus, decidiu investigar o significado de tal revelação.

Procurou, então, aqueles cidadãos mais ilustres de Atenas e que eram tidos como os mais sábios da cidade. Eles pertenciam a três categorias sociais: os políticos, os poetas (autores de tragédias, como Aristófanes, e de ditirambos - cantos religiosos em homenagem ao deus Dioniso) e os artesãos.

Interrogando esses cidadãos (por meio de seu método dialético), constatou que, na realidade, nada sabiam dos assuntos em que eram tidos como sábios. Ao termino da conversa com cada uma dessas pessoas Sócrates concluía:

"Sou mais sábio do que esse homem; nenhum de nos dois realmente conhece algo de admirável e bom, entretanto ele julga que conhece algo quando não conhece, enquanto eu, como nada conheço, não julgo tampouco que conheço. Portanto, é provável, de algum modo, que nessa modesta medida seja eu mais sábio do que esse individuo - no fato de não julgar que conheço o que não conheço" (Ibidem. p. 142-143 [21 d]).

Dai a famosa expressão atribuída a Sócrates: "sei que nada sei".

Acontece que Sócrates praticava esses diálogos em praça pública, a vista de todos. Dentre os presentes havia sempre muitos jovens, filhos de famílias ricas, que dispunham de tempo livre (já que não precisavam trabalhar) e, por isso, podiam acompanhá-lo nessas ocasiões. Eles se divertiam venda Sócrates "desbancar" os que se julgavam sábios e, mais tarde, punham-se a imitá-lo, interrogando outras pessoas e descobrindo muitas que supunham saber o que de fato não sabiam. Essas pessoas, que em geral eram gente importante e de prestigio na cidade, sentindo-se constrangidas, tornavam-se furiosas não contra esses jovens, mas contra aquele que consideravam responsável por tê-los ensinado tal comportamento, e passavam a propagar que: "Sócrates e 0 mais pestilento dos indivíduos e esta corrompendo a juventude". Na verdade, quando indagadas, tais pessoas não conseguiam provar tal acusação. Mas para esconder seu constrangimento, lançavam mão daquelas acusações que sempre sac usadas contra todo "filosofo, ou seja, que [ensina] 'as coisas no ar e as coisas sob a terra' e 'não crê nos deuses', e 'torna mais forte o argumento mais fraco''' (Ibidem. p. 145 [23 d]). Esta é a origem das "inimizades, a um tempo implacáveis e aflitivas", do ódio, das "calunias" e das acusações contra Sócrates (Ibidem. p. 144 [23 a]). e que acabaram por levá-lo à morte.

No fundo, Sócrates foi condenado porque, na democracia ateniense, os assuntos mais importantes da vida da cidade eram decididos em assembléias (Ekklesia) nas quais cada cidadão podia expressar livremente sua opinião em favor ou contra uma determinada posição. Era, pois, um regime político sustentado pela crença no valor das opiniões. Ora, o que Sócrates fazia com sua dialética era justamente por em cheque as opiniões, mostrando que, muitas vezes, elas refletiam um conhecimento falso sobre o assunto em questão. Assim, para as pessoas importantes da cidade que costumavam discursar nessas assembléias, a "ma" influencia de Sócrates, sobretudo sabre os jovens, representava uma ameaça ao sistema democrático do qual se beneficiavam. Eis ai a natureza política da condenação de Sócrates.



______________________
FONTE (SÃO PAULO, Caderno do professor: filosofia. EM, 3ªs., v.1, 2009, pp.18-19).

sábado, 27 de fevereiro de 2010

PRE SOCRATICOS

1 - Introdução

Costuma-se dividir a filosofia grega em três grandes períodos, que veremos a seguir.
* período pré-socrático (sécs. VII e VI a.C); os filósofos das colônias gregas (Jônia e Magna Grécia iniciam o processo de desligamento entre a filosofia e o pensamento mítico.
* período socrático ou clássico (sécs. V e IV a.C.) o centro cultural passa a ser Atenas; desse período fazem parte Sócrates e seu discípulo Platão, que posteriormente foi mestre de Aristóteles; o pensamento organizado e sistemático de Platão e Aristóteles influenciará durante séculos a cultura ocidental; também os sofistas são deste período e foram duramente criticados por seus contemporâneos.
* período pós-socrático (sécs. III e II a.C.): caracteriza-se pela expansão macedônica sobre os territórios gregos e formação do império de Alexandre Magno, que se estende por regiões da Ásia e parte do norte da África; após a morte de Alexandre, inicia-se a época helenística, marcada pela influência oriental; as principais expressões filosóficas do período pós-socrático são o estoicismo e o epicurismo.


2 - O que foi o período dos pré-socráticos

Os pré-socráticos foram os primeiros pensadores que, nas cidades gregas da Ásia Menor por volta do séc. VI a.C.,procuraram desenvolver formas de explicação da realidade natural, do mundo que os cercava, independentemente do apelo a divindades e a forças sobrenaturais. É nesse sentido que dizemos que os filósofos pré-socráticos romperam com a tradição mítica, e é por isso também que deno­minamos seu pensamento de naturalista, por visar explicar a natureza (physis)a partir dela própria, entender os fenômenos com base em causas puramente naturais.
Dos pré-socráticos conhecemos apenas fragmentos e isso demonstra a dificuldade para estudos sistemáticos ao longo da História da Filosofia sobre esses autores. Há uma linguagem diferente e, em alguns casos, nada destes filósofos foi preservado, restando referências apenas a partir de citações realizadas por outros nomes da Antiguidade, como Platão e Aristóteles. Esta "escassez" de fontes, no entanto, não deve limitar o alcance e a contribuição dos pré-socráticos para a tradição filosófica posterior. Os pequenos fragmentos que nos restam servem para apontar a busca de uma totalidade que marcou e ainda marca diversas obras filosóficas.
Os pré-socráticos são agrupados em "escolas" pautadas por critérios geográficos e "temáticos". Nem todos os pré-socráticos viveram antes de Sócrates, mas são assim denominados por suas investigações sobre a physis.

3. Principais representantes das escolas pré-socráticas

Escola Jônica (Ásia Menor): Tales de Mileto, Anaximandro, Anaxímenes, Heráclito de Éfeso, Diógenes de Apolônia.

Escola Pitagórica (Magna Grécia): Pitágoras de Samos, Filolau de Crotona.

Escola Eleata (Magna Grécia): Parmênides de Eléia, Zenão de Eléia, Xenófanes de Colofão.

Escola Atomista (Trácia): Leucipo e Demócrito de Abdera.

Outros filósofos: Empédocles de Agrigento, Anaxágoras de Clazomena.
___________________
FONTES (ARANHA, M.L.; MARTINS, M.H.P. Filosofando. S.Paulo: 2004, págs.118-119
FRANÇA, L. Noções de história da filosofia. R.Janeiro: Agir, 1949, págs.34 e 39.
MARCONDES, D. Textos básicos de filosofia. R.Janeiro: Jorge Zahar, 2005, págs.11-12.
JAPIASSÚ, H., MARCONDES. Dicionário básico de filosofia. R.Janeiro: Jorge Zahar, 1996).

domingo, 21 de fevereiro de 2010

PRECONCEITO NA GRECIA DOS FILOSOFOS, O

O preconceito e a hostilidade em relação à Filosofia não é algo novo, recente, mas, ao contrário, remontam às origens da Filosofia na Grécia Antiga. Talvez o registro mais antigo desse preconceito seja aquele de que foi vítima Tales de Mileto, que viveu no século VII a.C. e que é considerado o primeiro filósofo da história. A respeito dele contava-se a seguinte anedota, bastante difundida na Grécia Antiga e recuperada por Platão em sua obra Teeteto. Tales era tão interessado no estudo dos astros que costumava caminhar olhando para o céu. Certo dia, absorto em seus pensamentos e raciocínios, acabou tropeçando e caindo em um poço, sendo motivo de riso e caçoada para uma escrava que ali se encontrava. Espalhou-se, então, o boato de que Tales se preocupava mais com as coisas do céu, esquecendo-se das que estavam debaixo de seus pés. "Essa pilhéria", adverte Platão, "se aplica a todos os que vivem para a Filosofia" (PLATÃO. Diálogos). Essa imagem de um homem distraído e trapalhão, porém, não parece condizer com a verdade sobre Tales que, ao que tudo indica, era uma pessoa bem esperta, viva e inteligente. É o que se conclui, por exemplo, de uma outra anedota contada sobre ele e registrada por Aristóteles em sua obra A política e atribuída a Tales por causa de sua sabedoria:"Como o censuravam pela pobreza e zombavam de sua inútil filosofia, o conhecimento dos astros permitiu-lhe prever que haveria abundância de olivas. Tendo juntado todo o dinheiro que podia, ele alugou, antes do fim do inverno, todas as prensas de óleo de Mileto e de Quios. Conseguiu-as a bom preço, porque ninguém oferecera melhor e ele dera algum adiantamento. Feita a colheita, muitas pessoas apareceram ao mesmo tempo para conseguir as prensas e ele as alugou pelo preço que quis. Tendo ganhado muito dinheiro, mostrou a seus amigos que para os filósofos era muito fácil enriquecer, mas que eles não se importavam com isso. Foi assim que mostrou sua sabedoria. (ARISTÓTELES. A política).
 
___________________
Fonte: (Escrito especialmente para o São Paulo faz escola. )

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

BALANÇO FINAL (Simone de Beauvoir)

Cada manhã, antes mesmo de abrir os olhos, reconheço minha cama, meu quarto. Mas se durmo à tarde, em meu estúdio, experimento às vezes, ao acordar, um espanto pueril: por que sou eu? O que me surpreende - como à criança quando toma consciência de sua própria identidade - é o fato de encontrar-me aqui, agora, dentro dessa vida e não de uma outra: por que acaso? Se a considero do exterior, em primeiro lugar parece inacreditável que eu tenha nascido. A penetração de um determinado óvulo por um determinado espermatozóide, os seus ancestrais, não tinha uma chance entre milhares de ocorrer. Foi um acaso, conforme o estado atual da ciência, totalmente imprevisível que me fez nascer mulher. Depois para cada instante de meu passado mil futuros diferents me parecem concebíveis: adoecer e interromper meus estudos; não conhecer Sartre; qualquer outra coisa (Beauvoir, Balanço final).
nota: aqui, Simone de Beauvoir fala sobre o nascimento ea história, as circunstâncias ou a especificidade das ações humanas, o destino ou a liberdade, temas privilegiados pelos existencialistas.

______________

Fontes: CHALITA, Vivendo a Filosofia, p.361)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

MOIRAS

AS DEUSAS DO DESTINO (MOIRAS)
"Já tive ocasião de dizer que o próprio Zeus sentia um sagrado e respeitoso temor da deusa Noite. Segundo as narrativas dos discípulos de Orfeu, que deixarei para mais tarde, própria Nyx era uma deusa tríplice. Entre os filhos da Noite figuravam as deusas do Destino, as Moiras. Essa tradição a respeito delas está no nosso Hesíodo, conquanto ele também afirme que as três deusas eram filhas de Zeus e da deusa Têmis. No dizer dos menos antigos devotos de Orfeu, elas viviam no Céu, numa caverna ao pé do lago cuja água branca jorra da mesma caverna: clara imagem do luar. O nome delas, a palavra moira, significa "parte"; e o seu número, explicam os orfistas, corresponde ao das três "partes"da lua; e é por isso que Orfeu canta "as Moiras de vestes alvas" (KERÉNYI, 1997).

Na Mitologia grega as moiras (em Língua grega antiga Μοῖραι) eram as três irmãs que determinavam o destino, tanto da Divindade (deuses), quanto dos seres humanos, eram três mulheres lúgubres, responsáveis por fabricar, tecer e cortar aquilo que seria o fio da vida de todos os indivíduos. Durante o trabalho, as moiras fazem uso da Roda da Fortuna, que é o tear utilizado para se tecer os fios, as voltas da roda posicionam o fio do indivíduo em sua parte mais privilegiada (o topo) ou em sua parte menos desejável (o fundo), explicando-se assim os períodos de boa ou má sorte de todos. As três deusas decidiam o destino individual dos antigos gregos e pertenciam à primeira geração divina (os deuses primordiais), e assim como Nix, eram domadoras de deusas e homens.

As moiras eram filhas de Nix (a noite). Moira, no singular, era inicialmente o destino. Na Iliada, representava uma lei que pairava sobre deuses e homens, pois nem Zeus estava autorizado a transgredi-la sem interferir na harmonia cósmica. Na Odisséia aparecem as fiandeiras.

As Moiras eram:

  • Átropos (Ἄτροπος; átropos) que para o grego significa aquela que segurava o fuso e tecia o fio da vida. Átropos era a responsável pelo "fiar", atuava como deusa dos nascimentos e partos.
  • Cloto (Κλωθώ; klothó) em grego significa aquela que sortear puxava e enrolava o fio tecido. Cloto, sorteando o quinhão de atribuições que se ganhava em vida.
  • Láquesis (Λάχεσις; láchesis) grego significa aquela que afastarva, ela cortava o fio da vida, determinava o fim da vida.
O fio da vida ficava a mercê das Moiras: Átropos fiava, Cloto enrolava e Láquesis cortava.

Por se tratar de um mito muito difundido, há confusões quanto aos nomes e funções das moiras. O que importa, no entanto, é a ideia de destino: algo fora do ser humano decide sobre a sua sorte, que já está determinada.

______________
Fontes: (JAPIASSU, Dicionário Básico de Filosofia, p.6; SÃO PAULO-SEE, Caderno do professor: filosofia, EM, 3ª S., V.3, p.16; CHALITA, Vivendo a Filosofia, p.25; http://pt.wikipedia.org/wiki/Moiras; Karl KERÉNYI, Os deuses gregos, 1997. In:http://www.lunaeamigos.com.br/mitologia/moiras.htm .

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

DUAS VONTADES, As (Santo Agostinho)

[...] Por isso eu suspirava, atado, não pelas férreas cadeias duma vontade alheia, mas pelas minhas, também de ferro.
O inimigo dominava o meu querer, e dele me forjava uma cadeia com que me apertava. Ora, a luxúria provém da vontade pervesa. enquanto se serve à luxúria, contrai-se o hábito; e, se não se resiste a um hábito, origina-se uma necessidade. Era assim que, por uma espécie de anéis entrelaçados - por isso lhes chamei cadeia - , me segurava apertado em dura escravidão. A vontade nova, que começava a existir em mim, a vontade Vos honrar gratuitamente e de querer gozar de Vós, ó meu Deus, único contentamento seguro, ainda não se achava apta parasuperar a outra votnade, fortificada pela concupiscência. Assim, duas vontades, uma concupiscente, outra dominada, uma carnal e outra espiritual, batalhavam mutuamente em mim. Discordando, dilaceram-me a alma (Confissões, VIII, pp.134-135) .

______________
SANTO AGOSTINHO, Confissões, De magistro (Col. Os pensadores). São Paulo:Abril, 1987, 324p.

VONTADE

Do latim voluntas. 1. Disposição para agir. Exercício da atividade pessoal e consciente que resulta de um desejo e se concretiza na intenção de se obter um fim ou propósito determinado. Ex.: vontade gritar. Ver ação; volutarismo (Dicionário de Filosofia)

No campo da teologia: Para os filósofos Santo Agostinho e Descartes, vontade e liberdadesão a mesma coisa: a faculdade através da qual somos dignos de louvor, quando escolhemos o bom e dignos de reprovação, quando escolhemos o mau. Agostinho e Descartes concordam em que o fato de nós humanos termos vontade nos torna responsáveis pelas nossas decisões e acões. A dimensão moral do homem decorre do fato dele ter vontade. Em Agostinho, a escolha digna de reprovação é pecado. Em Descartes é erro. O pecado é uma falta religiosa oriunda da vontade. O erro é uma falta moral ou epistêmica. Moral quando a falta oriunda da vontade é prática. Epistêmica quando a falta oriunda da vontade é teórica. Agostinho e Descartes também concordam em afirmar que o fato de termos vontade não só nos torna responsáveis por nossos atos e decisões como também livra Deus de qualquer responsabilidade sobre a mesma, tal como explica a teodicéia (Wikipedia).

______________
Fontes: (JAPIASSU, Dicionário Básico de Filosofia, p.272;http://pt.wikipedia.org/wiki/Vontade )

MAL, O problema do (Santo Agostinho)

Do latim, malum. 1. Em um sentido geral, tudo que é negativo, nocivo ou prejudicial a alguém. "Podemos considerar o mal em um sentido metafísico, físico ou moral. O mal metafísico consiste na simples imperfeição; o mal físico no sofrimento; o mal moral no pecado, segundo Leibniz (Dicionário de Filosofia).

O mal, segundo Santo Agostinho, é o estado em que o homem se afasta de Deus, de seus preceitos, de seu amor. Contudo, é uma condição presente na vida de todos os homens, devido ao pecado original de Adão e Eva, conforme o livro bíblico, Gênesis. O afastamento da convivência espiritual com Deus e a desobediência à sua vontade provoca todo o mal presente na vida dos homens. Somente por intermédio de Jesus Cristo, o filho de Deus encarnado, os homens podem ser redimidos e reviver o estado pleno de bondade junto a Deus (Chalita).

Santo Agostinho tenta provar de forma filosófica de que Deus não é o criador do mal, em seu livro 'O Livre-arbítrio'. Pois, para ele, tornava-se inconcebível o fato de que um ser tão bom, pudesse ter criado o mal. A concepção que Agostinho tem do mal, esta baseada na teoria platônica, assim o mal não é um ser, mas sim a ausência de um outro ser, o bem. O mal é aquilo que "sobraria" quando não existe mais a presença do bem. Deus seria a completa personificação deste bem, portanto não poderia ter criado o mal. Deus em sua perfeição, quis criar um ser que pudesse ser autônomo e assim escolher o bem de forma voluntária. O homem, então, é o único ser que possuiria as faculdades da vontade, da liberdade e do conhecimento. Por esta forma ele é capaz de entender os sentidos existentes em si mesmo e na natureza. Ele é um ser capacitado a escolher entre algo bom (proveniente da vontade de Deus) e algo mal (a prevalência da vontade das paixões humanas) (Wikipedia).




______________
Fontes: (JAPIASSU, Dicionário Básico de Filosofia, pp.171-172; CHALITA, Vivendo a Filosofia, p.122; http://pt.wikipedia.org/wiki/Santo_agostinho)

LIVRE ARBÍTRIO

Faculdade que tem o indivíduo de determinar, com base em sua consciência apenas, a sua própria conduta; liberdade de escolha alternativa do indivíduo; liberdade de autodeterminação que consiste numa decisão independentemente de qualquer constrangimento externo mas de acordo com os motivos e intenções do próprio indivpiduo. Desde Santo Agostinho, passando pelos jansenistas e luteranos, o livre arbítrio tem sido tema de grandes polêmicas em teologia e em ética (Dicionário de Filosofia).

A expressão costuma ter conotações objetivistas e subjetivistas. No primeiro caso indicam que a realização de uma ação por um agente não é completamente condicionada por fatores antecedentes. No segundo caso indicam a percepção que o agente tem que sua ação originou-se na sua vontade. Tal percepção é chamada algumas vezes de "experiência da liberdade". A existência do livre-arbítrio tem sido uma questão central na história da filosofia e na história da ciência. O conceito de livre-arbítrio tem implicações religiosas, morais, psicológicas e científicas. Por exemplo, no domínio religioso o livre-arbítrio pode implicar que uma divindade onipotente não imponha seu poder sobre a vontade e as escolhas idndividuais. Em ética, o livre-arbítrio pode implicar que os indivíduos possam ser considerados moralmente responsáveis pelas suas ações. Em psicologia, ele implica que a mente controla certas ações do corpo (Wikipedia).




______________
Fontes: (JAPIASSU, Dicionário Básico de Filosofia, p.164; http://pt.wikipedia.org/wiki/Livre_arbitrio)

domingo, 1 de novembro de 2009

IDEALISMO (CIRANDA DA BAILARINA)

Ciranda da bailarina
Chico Buarque / Edu Lobo
Procurando bem /Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina / E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira / Verruga nem frieira
Nem falta de maneira ela não tem /

Futucando bem / Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina / Todo mundo temum irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida / Nem dente com comida
Nem casca de ferida ela não tem

Não livra ninguém / Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina / ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem

Medo de subir, gente / Medo de cair, gente
Medo de vertigem / Quem não tem
Confessando bem / Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem/ um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem

Sujo atrás da orelha /Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem
O padre também / Pode até ficar vermelho
Se o vento levanta a batina
Reparando bem, todo mundo tem pentelho
Só a bailarina que não tem

Sala sem mobília / Goteira na vasilha
Problema na família / Quem não tem
Procurando bem
Todo mundo tem...

http://www.youtube.com/watch?v=Z-l1C9qOwKc