segunda-feira, 31 de maio de 2010

AULA (INTRODUCAO) - BARTHES, R.

AULA
Roland Barthes
ED. CULTRIX

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Eu deveria começar por interrogar-me acerca das razões que inclinaram o Colégio de França a receber um sujeito incerto, no qual cada atributo é, de certo modo, imediatamente combatido por seu contrário. Pois, se minha carreira foi universitária, não tenho entretanto os títulos que dão geralmente acesso a I:d carreira. E se é verdade que, por longo tempo, quis inscrever meu trabalho no campo da ciência, literária, lexicológica ou sociológica, devo reconhecer que produzi tão-somente ensaios, gênero incerto onde a escritura rivaliza com a análise. E se é ainda verdade que, desde muito cedo, liguei minha pesquisa ao nascimento ao desenvolvimento da semiótica, é também verdade que tenho pouco direito de a representar, tendo sido tão propenso a deslocar sua definição, mal esta me parecia constituída, e a apoiar-me nas forças excêntricas da modernidade, mais próximo da revista Tel Quel do que das numerosas revistas que, através do mundo, atestam o vigor da pesquisa semiológica.

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FONTE: (BARTHES, Roland.Aula: aula inaugural da cadeira de semiologia literária do Colégio de França, pronunciada dia 07 de janeiro de 1977. São Paulo: Cultrix, 2007.


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sexta-feira, 28 de maio de 2010

RESENHA: O que e sociologia (MARTINS, C.B.)

Obra: MARTINS, Carlos B. O que é sociologia. S.Paulo: Edit. Brasiliense, 1988, 98p. (Coleção Primeiros Passos)

"O que é sociologia", de Carlos B. Martins (1948) tem como propósito apresentar a historicidade do termo "sociologia", desde as primeira tentativas de se articular uma reflexão dos pensadores do século XVIII, cenário da Revolução Industrial, até os seus dias (década de 1980); o título da obra deixa entrever o caminho de seu conteúdo, porque em momento algum fora transformado em questão e a supressão da interrogativa, já na capa do livro, resguarda o autor de não querer esgotar, de fato, o que é a sociologia.
Uma obra curta, a estilo da "Coleção Primeiros Passos", não ultrapassando a contagem de 98 páginas, em tamanho 'pocket" (livro de bolso), o autor distribui o conteúdo em quatro secções, mais uma servindo de apêndice; uma breve introdução, seguida de três capítulos nos quais dispõe o surgimento, a formação e o desenvolvimento dos esforços e dos pontos sociais assumidos por autores que ajudaram a construir o emaranhado e multifacetado termo 'sociologia', fazendo com que o leitor se aperceba de que a sociologia, enquanto disciplina regulamentar do ensino básico, difere e se distancia de seu nascedouro tanto quando das abordagens pretendida por eles. A última parte do livro, o autor, demonstrando conhecimento de seu objeto de exposição, traça indicações pertinentes a outras fontes de leitura sobre o tema e seus afins.
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A introdução cumpre com a sua função: apresentar a construção da sociologia e por quais [des] caminhos seguiu. O primeiro capítulo, 'o surgimento', trata de uma volta à História; há uma contextualização, mostrando que a sociologia não teve um aparecimento, isto é, ela não surgiu do nada, senão das próprias mudanças sofridas pelas cidades, que, no início se configuravam como povoados agrícolas, e num curto espaço de tempo (1780-1860), tornaram-se cidades industriais, inchadas e sem preparo para acolher a massa populacional que a essas cidades se dirigiam. Aqui começa uma revisão do pensamento quanto aos fatos: agora era a observação que ditava os pressupostos do conhecimento e não mais as forças naturais. São citados Bentham (1748-1832), pela ação na sociedade; Bacon (1561-1626), pela filosofia científica e Vico (1668-174), que introduz a sociedade como objeto de estudo. O capítulo se estende até a primeira metade do século XIX.
No segundo capítulo, "a formação", a obra se preocupa em descrever as antinomias dentro daquilo que seria a nova ciência: a sociologia. Em primeiro, trata de situar o caráter revolucionário frente o sistema feudal europeu. Assim é que a Revolução Francesa (1789), inspiradora da nova sociedade, precisava de uma nova maneira de enxergar o mundo: um mundo melhor, dividido entre os iguais. Conseguida a vitória, cumpria neutralizar o espírito revolucionário dos rebelados. Surgem os conservadores, que buscavam reestabelecer a ordem, a estilo da medievalidade, Burke (1729-1797) e Maistre (1754-1821). Entre as tensões iluministas e conservadores, o positivismo ganha força. Maior destaque, a obra dedica a Saint-Simon (1760-1825), incluso entre os grandes e primeiros socialistas, pois bebeu tanto da fonte iluminista quando da conservadora. Depois dele, Comte e Durkheim, ora reforçando ora avançando a sua teoria, tanto que Durkheim o coloca como sendo o verdadeiro pai da sociologia, os três estavam convencidos de que a desestruturação da sociedade somente levava a mais desordem e que a reestruturação social devia inevitavelmente passa pro um equilíbrio, isto é, manter o que já se tinha. Como crítica mais expressiva, surgem Marx (1818-1883) e Engels (1820-1903), que colocavam os seus antecessores como 'utópicos'. Para esses dois, o problema social gira entorno da economia, conforme se aproximaram de Smith e Ricardo, economistas clássicos, e não dos problemas morais, como queriam os outros. Somente com Weber (1864-1920) é que a sociologia adquiri seus primeiros conceitos e métodos de investigação.
No capítulo terceiro, "o desenvolvimento", traça o discurso sociológico como um instrumento da burguesia. O primeiro ponto levantado é a coincidência do surgimento da sociologia com a expansão do capitalismo: há aqui a equilavência de o grande gerador de riquezas ser o grande fomentador do descontrole social. A burguesia usou das ciências sociais ora para justificar uma revolução ora para se assegurar no poder. Tanto lá (séc. XVIII) quanto cá (séc.XX), os trabalhos apresentados pelos sociólogos parece obedecer a regras do pensamento dominante: lá, para fornecer dados para o controle da população; cá, para manter a ordem na sociedade. Inovaram na abordagem social os pensadores da Escola de Frankfurt, como ficou conhecido o Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt, que se colocavam entre o positivismo de Comte e a ideia criada pelo marxismo positivo. Na linha da Escola, nomes como Luckas e Gramsci.
A última parte do contéudo é apresentado como indicações para leitura. Vários títulos e autores são elencados como sugestões e comentários do autor.
A obra toda é um apanhado de informações sobre a sociologia. Não que seja a resposta do que de fato é a sociologia; ao contrário, as várias abordagens sobre o alcance e a influência da sociologia na sociedade moderna, que começou como meio de contestatação e, com o passar do tempo, foi se tornando um meio de controle da população, até terminar como um instrumento de apaziguação. Confrontandocom o ideário comum, a sociologia não é a ciência da sociedade, senão a ciência da observação das relações sociais, isto é, não é o estudo de como a sociedade surgiu; é, antes, a observação de como os homens se relacionam e firmam contratos para viver em sociedade.
Diante do objetivo da obra, ela se apresenta como válida, porque, de fato, em nenhum momento se afasta do tema central. Contudo, as idas e vinda a ideias e autores em partes distintas da obra causam estranheza e confusão quanto à estrutura e o desenrolar do tema, sem, no entanto, deixar de persegui-lo. O que aparece no capítulo 'formação' é repetido no capítulo 'desenvolvimento' e, o que pareceria desenvolvimento, está muito mais próximo à releitura histórica da formação.
A obra "O que é sociologia" seria indicada, sobretudo, aos estudantes do 3º ano do Ensino Médio, pois condensa os esforços de vários teóricos sobre o assunto 'sociologia' e os apresenta como força de validade da disciplina. Aos interessados em História e Filosofia, pois retomam feitos e datas e, de maneira especial, os pensadores que puderam, em seu tempo, ter uma visão privilegiada da situação em que viviam e propuseram caminhos alternativos aos que se lhes eram apresentados. E, enfim, aos que se vão pelas Ciências Sociais, porque sempre é tempo, oportuno e bom, recordar as fundamentações das relações estabelecidas pelos homens.
O autor da obra "O que é sociologia" é Carlos Benedito Martins, nascido em Goiás, em 04/1948. Sua vida acadêmica está intimamente ligada à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a PUC-SP. Lecionou na instituição desde 1972; em 1979, alcançou o título de Mestre em Sociologia. Na década de 1980 iniciou os estudos de Doutorado em Sociologia na Universidade Paris-V. É também autor do trabalho "Ensino pago: um retrato sem retoques" (Global Edit.); "Para onde vai a pós-graduação em Ciências Sociais no Brasil" (Ed. Edusc); "Ensino Superior Brasileiro" (Ed. Brasiliense).
Frederico Bandeira, licenciado em Filosofia (USF); professor de Filosofia e de Sociologia; formando do Curso de Administração (Anhanguera-Piracicaba).

quinta-feira, 20 de maio de 2010

SER DE NATURA X SER DE CULTURA

Para falar de cultura, será necessária uma volta ao conceito de Natureza. Por natureza se entende o conjunto de seres sensíveis existente em nossa volta. Todos “as coisas”, das quais podemos tatear, cheirar, ver, ouvir ou degustar, fazem parte da natureza, ou seja, são seres naturais.

SER DE NATURA: Utilizando de uma definição de Aristóteles, a divisão dos seres na Natureza se faz de acordo com as almas existentes nos seres. Desse modo, pôde-se fazer a divisão da Natureza em três grandes reinos: Reino Mineral, Reino Vegetal e Reino Animal.
- Reino Mineral: o que detém a alma da satisfação. Segundo Aristóteles, os seres pertencentes a esse reino se satisfazem a si em si mesmo. Somente existe um mineral se esse se satisfaz a si mesmo e em si mesmo se completa. De outro modo, a pedra se contenta em ser pedra e se satisfaz com isso;
- Reino Vegetal: o que detém, além da alma da satisfação, a alma da sensibilidade. Aos vegetais lhes cabem o sentimento e a necessidade de se sentir bem. Uma planta necessita que algo, que lhe é externo, pelo menos não a maltrate. Em outras palavras, a alma sensível necessita de incentivo;
- Reino Animal: o que possui a alma da locomoção. Além de pressupor a existências das duas anteriores, a alma de locomoção requer a expressão da liberdade, de ir e vir e de ficar, simplesmente por quer ficar. Assim é que todo animal tem necessidade de satisfazer a si próprio, de não ser maltratado e, sobretudo, sentir-se livre para as mudanças.
Diante do exposto, cumpre localizar o ser humano no último reino: o Reino Animal. O homem é um ser de natura pertencente ao Reino Animal. O diferencial é que, além da locomoção, o homem faz uso da razão e isso o afasta do demais animais, que são chamados de irracionais.

SER DE CULTURA: Ao fazer uso da racionalidade, o homem passa por um processo de hominização (o tornar-se homem). Ao adicionar regras e poder burlar essas mesmas regras, o homem percebe que pode influenciar e modificar a sua natureza. Assim, a todas investida que o homem faz em sua natureza, a Sociologia classifica como cultura.
Enquanto ser de natura, o homem sofre com as barreiras que a natureza lhe impõe. Ao perceber que poder ultrapassar essas barreiras e imperfeições, o homem agrega a si valores culturais e transforma e melhora a sua condição natural.
É através da cultura que o homem estabelece as suas relações interpessoais para que possa conviver melhor com os seus convivas. Nada há no homem que não tem, ao mínimo, uma pitada de cultura e, por isso, mesmo, e sem exageros, dizemos que o homem é um animal naturalmente cultural, e somente o homem é capaz de produzir cultura.
E um dos instrumentos de disseminação cultural por excelência é a linguagem.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

EDUCACAO DO JOVEM ATENIENSE

O jovem ateniense, com cerca de seis ou sete anos de idade, abandona a companhia exclusiva das mulheres no gineceu (parte da casa que, na Grécia Antiga, era reservada às mulheres) e passa a ir à escola, acompanhado por um escravo a que se chama pedadogo. [...] Os professores trabalham por conta própria e recebem dos pais da criança o pagamento pelos seus serviços. O gramatista ensina a ler, a escrever e a contar, e depois faz os alunos aprenderem de cor os poemas de Homero, de Hesíodo, de Sólon ou de Simônides. Os diálogos de Platão mostram a grande importância que se atribuía ao conhecimento dos poetas para a formação intelectual e moral. O professor de música ensinava a tocar lira (instrumento de cordas dedilháveis ou tocadas com palheta, de larga difusão na Antiguidade) e cítara (instrumento de cordas dedilhadas ou tocadas com palheta, derivado da lira, que atravessou os séculos com muitas variantes, mantendo, no entanto, a característica de que as cordas atravessam toa a caixa de ressonância); esta última era um instrumento mais complexo, que exigia uma competência técnica pouco compatível com as tradições de uma educação liberal. [...] Em todo caso, a música desempenha papel fundamental na educação do jovem grego. Por fim, o professor de ginástica, ou pedótriva, ensinava à criança os principais exercícios atléticos em edifícios essencialmente construídos para este efeito, chamados palestras (a palestra em uma dependência do ginásio. Uma palestra em formada pro um pátio rodeado por construções que serviam de vestiário, salas de ginástica, espaço para descanso e, às vezes, salas para banhos). A partir dos quinze anos, o jovem freqüentava ginásios públicos (situados fora da cidade, em jardins cheios de árvores, refrescados por águas correntes, em cujas imediações havia monumentos religiosos – altares, estátuas, recinto sagrados – e instalações desportivas: pistas cobertas, fontes em que os atletas se lavavam, pequenas construções onde repousavam e deixavam as suas roupas ou acessórios), na Academia, no Liceu ou no Cinosarges, onde encontrava à sua disposição instalações análogas às de palestras privadas, tendo além disso uma pista de corrida, jardins e salas de reunião em que os filósofos e os sofistas gostavam de se encontrar com os seus discípulos após os exercícios físicos”.
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FONTE: (CHAMOUX, F. A civilização grega. Lisboa: Edições 70, 2003, p.219)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

USO DO CINTO DE SEGURANCA

Este é somente um vídeo. Na vida, não há como contar com essas outras mãozinhas. Só as suas!

http://www.youtube.com/watch?v=PuHM71Et9OI&feature=player_embedded

sábado, 15 de maio de 2010

TV E RELACIONAMENTO

Até onde o interesse nos programas televisivos enriquece o pessoal e enfraquece o interpessoal?


video

domingo, 9 de maio de 2010

CONHECIMENTO E INFORMAÇÃO

Antes [...], descreveremos primeiramente como o conhecimento é similar e diferente da informação. Três observações tornam-se aparentes nesta seção. Primeiramente, o conhecimento, ao contrário da informação, é sobre crença e compromissos. O conhecimento é uma função de uma determinada instância, perspectiva ou intenção. Em segundo lugar, o conhecimento, ao contrário da informação, é sobre ação. É sempre conhecimento "para algum fim". E, em terceiro lugar, o conhecimento, como a informação, é sobre significado. É específico ao contexto e relacional.
[...] Deve se observado, no entanto, que embora a epistemologia ocidental tradicional tenha enfocado a "veracidade" como atributo essencial do conhecimento, nós salientamos a natureza do conhecimento como "crença justificada". Esta diferença de foco introduz outra dimensão crítica entre a visão de conhecimento da epistemologia ocidental tradicional e a da nossa teoria de criação do conhecimento. Enquanto a epistemologia tradicional enfatiza a natureza absoluta, estática e não-humana do conhecimento, tipicamente expressa nas proposições e na lógica formal, consideramos o conhecimento como um processo humano dinâmico de justificação da crença pessoal dirigida à "verdade".
Apesar de os termos "informação" e "conhecimento" serem, com frequência, usados intercambiavelmente, existe uma nítida distinção entre a informação e o conhecimento. Como Bateson (1979) afirma, " a informação consiste em ponto de vista para a interpretação de eventos ou objetos, que torna visíveis os significados previamente invisíveis ou ilumina conexões inesperadas. Assim, a informação é um meio necessário ou material para extrair e construir o conhecimento. Ela afeta o conhecimento, acrescentando algo a ele ou reestruturando-o (Machlup, 1983). Similarmente, Dretske (1981) argumentava como a seguir: "A informação é uma mercadoria capaz de produzir conhecimento, e a informação incluída em um sinal é o que podemos aprender dela... O conhecimento é identificado como a crença produzida (ou sustentada) pela informação" (p.44,86).
A informação pode ser encarada a partir de duas perspectivas: informação "sintática" (ou de volume de) e informação "Semântica" (ou significado de). Uma ilustração da informação sintática é encontrada no fluxo de análise da informação de Shannon e Weaver (1949), medido sem qualquer consideração com o significado inerente, embora o próprio Shannon tenha admitido que essa forma de ver a informação seja problemática[1]. O aspecto semântico da informação é mais importante para a criação do conhecimento, pois enfoca o significa transmitido. Se alguém limitar o âmbito da consideração apenas ao aspecto sintático, não consegue captar a importância real da informação no processo de criação do conhecimento. Qualquer preocupação com a definição formal de informação levará a uma ênfase desproporcional do papel do processamento da informação, que é insensível à criação do novo significado a partir do caótico, obscuro, mar de informações.
Assim, a informação é um fluxo de mensagens, enquanto o conhecimento é criado pelo mesmo fluxo de informações, ancorado nas crenças e no compromisso de seu portador. Este entendimento enfatiza que o conhecimento é essencialmente relacionado com a ação humana [2]. A discussão de Searle (1969) do "ato de falar" também aponta para a relação próxima entre a linguagem e a ação humana em termos de intenção e do "compromisso" dos que falam. Como base fundamental para a teoria da criação do conhecimento organizacional, prestamos atenção à natureza ativa, subjetiva, do conhecimento representada por termos como "compromisso" e "crença", que estão profundamente enraizados nos sistemas de valores dos indivíduos.
Por fim, tanto a informação quanto o conhecimento são específicos ao contexto e relacionais por dependerem da situação, sendo criados dinamicamente na interação social entre as pessoas. Berger e Luckamnn (1966) argumentam que as pessoas que interagem, em um determinado contexto histórico e social, compartilham informações a partir das quais constroem o conhecimento social como uma realidade que, por sua vez, influencia seu discernimento, comportamento e atitude. [...]
[1] Shannon mais tarde comentou: "Acho que talvez a palavra 'informação' esteja causando mais confusão... do que devia, exceto por ser difícil encontrar outra palavra que seja um pouco mais adequada. Deve-se ter solidamente em mente que [a informação] é apenas um medida da dificuldade na transmissão da sequência produzida por alguma fonte de informação" (citado por Roszack, 1986, p.12). Boulding (1983) observa que a investigação de Shannon foi análoga a uma conta telefônica, que é calculada com base no tempo e na distância, mas não proporciona insight quanto ao conteúdo da informação, e a chamou de informação Bell Telephone (BT). Dretske (l98l) afirma que uma teoria da informação genuína seria a teoria sobre o conteúdo de nossas mensagens, não uma teoria sobre a forma em que o conteúdo está incorporado.
[2] A importância da relação conhecimento-ação tem sido reconhecida na área da inteligência articificial. Por exemplo, Gruber (1989) examinou o "conhecimento estratégico" de especialistas que orienta sua ações e tentou desenvolver instrumentos para a aquisição desse conhecimento.
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FONTE (NONAKA, I; TAKEUCHI, H. Teoria do conhecimento organizacional, pp.55-57.83 apud NONAKA, I; TAKEUCHI, H. Gestão do conhecimento. Porto Alegre: Bookman, 2008)

domingo, 2 de maio de 2010

MAIEUTICA




Sócrates: ... reconheço a suma importância das parteiras. Contudo, o trabalho delas é menos importante do que o meu...


Tudo que é verdadeiro acerca da arte do parto delas também o é em relação a mim. A diferença entre uma e outra está em que a minha é praticada em homem, não em mulheres, e no cuidado de suas almas em dores do parto, e não de seus corpos. Mas o que há de mais expressivo na minha arte é a sua capacidade de testar, de todas as maneiras possíveis, se o intelecto do jovem está gerando uma mera imagem, uma falsidade, ou uma genuína verdade.


Com efeito, partilho do seguinte com as parteiras: sou estéril em matéria de sabedoria. A censura que sido dirigida amiúde a mim, isto é, de que interrogo as outras pessoas, mas que eu mesmo dão dou resposta alguma a nada porque não possuo nenhuma sabedoria em mim, é uma censura procedente. E a razão para isso é a seguinte: o deus compele-me a atuar como parteiro, mas sempre proibiu-me que desse à luz. Por conseguinte, não sou em absoluto um sábio e não disponho, tampouco, de nenhuma sábia descoberta que fosse rebento nascido de minha própria alma. Todavia, com aqueles que a mim se associam é diferente.


Inicialmente, alguns deles parecem muito ignorantes, mas à medida que o tempo passa e nosso relacionamento progride, todos aqueles que recebem a graça de deus realizam um magnífico progresso, não só em sua própria avaliação, como também na alheia. E patenteia-se que o realizam não porque tenham algum dia aprendido de mim, mas porque descobriram em si mesmo muitas belas coisas às quais deram à luz. Entretanto, o parto desses rebentos deve-se ao deus e a mim.




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FONTE: (PLATÃO, Diálogo I - Teeteto apud CARAVANTES, Comportamento organizacional e comunicação, 2009, p.19)

DESCARTES, René

RENÉ DESCARTES (1596-1650) nasceu na França, de família nobre. Aos oito anos, órfão de mãe, é enviado para o colégio dos jesuítas de La Flèche, onde se revela um aluno brilhante. Termina o secundário em 1612, contente com seus mestres, mas descontente consigo mesmo, pois não havia descoberto a Verdade que tanto procurava nos livros.

Decide procurá-la no mundo.

Viaja muito. Alista-se nas tropas holandesas de Maurício de Nassau (1618). Sob a influência de Beeckmann, entra em contato com a física copernicana. Em seguida, alista-se nas tropas do imperador da Baviera. Para receber a herança da mãe, retorna a Paris, onde frequenta os meios intelectuais. Aconselhado pelo cardeal Bérulle, dedica-se ao estudo da filosofia, com o objetivo de conciliar a nova ciência com as verdades do critianismo. A fim de evitar problemas com a Inquisição, vai para a Holanda (1629), onde estuda matemática e física.

Escreve muitos livros e cartas. Os mais famosos:

1. O discurso do método

2. As meditações metafísicas

3. Os princípios da filosofia

4. O tratado do homem

5. O tratado do mundo

Convidado pela rainha Cristina, vai passar uns tempos em Estocolmo, onde morre de pneumonia.

Suas frases mais conhecidas:

"Toda filosofia é como uma árvore cujas raízes são a metafísica e as ciências os ramos"

"O bom senso - ou razão- é o que existe de mais bem repartido no mundo"

"Jamais devemos admitir alguma coisa como verdadeira a não ser que a conheçamos evidentemente como tal"

"A proposição penso, logo existo é a primeira e mais certa que se apresenta àquele que conduz seus pensamento com ordem"

Toda obra de Descartes visa a mostrar que o conhecimento requer, para ser válido, um fundamento metafísico. Ele parte da dúvida metódica; se eu duvido de tudo o que me vem pelos sentidos, e se duvido até mesmo das verdades matemáticas, não posso duvidar de que tenho consciência de duvidar, portanto, de que existo enquanto tenho essa consciência.

O cogito é, pois, a descoberta do espírito por si mesmo, que se percebe que existe como sujeito: eis a primeira verdade descoberta para o fundamento da metafísica e cuja evidência fornece o critério da ideia verdadeira. Assim, a metafísica é fundadora de todo saber verdadeiro.



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FONTE: (JAPIASSU, Dicionário filosófico, pp.66-67)

GRAMSCI, Antonio

ANTONIO GRAMSCI (22/01/1891 Ales -27/04/1937 Roma) Nascido numa família de poucos recursos, Antonio era o quarto filho, dos sete, de Francesco Gramsci, um profundo contestador da política da Sardenha. Antonio Gramsci, político e pensador marxista italiano, foi um dos fundadores do Partido Comunista Italiano em 1921, sendo nomeado seu secretário geral em 1924. /eleito deputado logo em seguida, foi preso pelo regime facista, vindo a morrer na prisão, onde compôs grande parte de sua obra teórica. Para Gramsci, o marxismo deve ser interpretdo como uma filosofia da praxis", como uma prática política revolucionária com uma firme base teórica.
Dizia que a classe dominante, para governar com eficácia, necessita criar o consentimento popular, também chamado de hegemonia, através da ideologia. Isso se daria por meio da educação, da religião e da mídia. E por esse mesmo motivo, acreditava que a classe trabalhadora só teria um papel revolucionário se desenvolvesse uma consciência revolucionária. Isso seria possível através do desenvolvimento de uma contra-ideologia, uma ideologia proletária construída por intelectuais ligados à classe operária que, nessa missão, deveriam assumir lugares estratégicos nas escolas, sindicatos, associações, jornais etc.
Divergiu da interpretação oficial do marxismo na Uniao Soviética sob Stálin, e procurou recuperar os elementos dialéticos hegeleianos da teoria marxista. É considerado um dos inspiradores do eurocomunismo contemporâneo. A maior parte de usa obra foi publicada postumamente, destacando-se as Cartas das prisão (1947) e os Cadernos da prisão, 6 volumes (1964). Toda a sua formação e seus escritos devem ser colocador sob o signo da história e do historicismo. Porque seu pensamentocrítico se elabora a partir de três questões básicas:
1. por que história?
2. como a história?
3. que história
E é em sua representação do marxismo que vai encontrar suas razões da história: "os cânones do materialismo histórico só são válidos post factum", não devendo tornar-se uma hipótese sobre o presente e o futuro.
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FONTE: (JAPIASSU, Dicionário Básico de Filosofia, p.119; CONTRIM, Fundamentos da Filosofia, p.205)