domingo, 27 de dezembro de 2009

ANIMADOR, O


SOMBRAS DANCANTES - II

CRUZ VERMELHA

CONSCIENCIA

PONTO DE DECISAO

UMA NOVA POSTURA

ANOREXIA

VA PARA O TOPO DA VIDA

TORCIDA PELA VIDA

SOMBRAS DANCANTES - I

WHO (Allanis Morissette)

ENVELHECER EM 1 MINUTO

APAIXONE-SE!

ATITUDE

"Para ter algo que nunca teve, é preciso fazer algo que nunca fez"
Chega uma hora na vida em que você descobre:


Quem interessa,
Quem nunca interessou,
Que não interessa mais...
E quem ainda vai interessar.
Portanto, não se preocupe com quem já fez parte do seu passado;
há um motivo para não estarem no seu futuro.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

NOVAS FRONTEIRAS DO PENSAR



A filosofia é exercício de virtude, mas por meio da própria virtude, já que não pode haver virtude sem exercício, nem exercício de virtude sem virtude.

Sêneca





AS NOVAS FRONTEIRAS DO PENSAR

Depois dos pré-socráticos e seus estudos sobre a natureza, e os pensamentos de Sócrates, Platão e Aristóteles, que esco­lheram o homem e a vida em sociedade como o foco de suas investigações, chega-se a um outro tempo para a Filosofia.

Em meados do século IV a.C., Alexandre Magno (356-323 a.C.) assumiu o trono da Macedônia e iniciou uma série de conquistas que vieram a constituir um vasto império, que incluía a Índia, o Egito, a Pérsia e, inclusive, a Grécia. Essa dominação se manteve por muito tempo depois da morte de Alexandre, só encontrando seu fim com o desenvolvimento do poderio de Roma, que conquistou a Grécia no séc. I a.C. Esse período ficou conhecido como período helenístico e representou uma transformação radical na cultura grega.

As póleis haviam perdido muito de sua autonomia; antes, as cidades eram praticamente autônomas, e naquele período tiveram de se subordinar à dominação macedônica, que compreendia um imenso e poderoso império. Assim, o espaço público, que no passado era tão valorizado, per­deu muito de sua importância. Ao mesmo tempo, as conquistas de Alexandre Magno colocaram os gregos em con­tato com elementos culturais de diversos povos, introduzindo na Grécia novos conceitos sobre o mundo e o modo e o modo de agir em sociedade.

As correntes filosóficas que floresceram no período tinham como principal preocupação a vida do homem e seu convívio social. Os três grandes filósofos anteriores também tinham se concentrado nessa questão, chegando mesmo a delinear projetos completos de organização social, como no caso de Platão e Aristóteles; essas doutrinas tinham um aspecto em comum: a pólis era o seu alvo, isto é, através de seu correto planejamento a felicidade individual seria atingida. Diante do novo contexto, em que a cidade não era mais uma instituição tão sólida como no passado, as novas corren­tes de pensamento colocaram a vida do indivíduo no centro de suas reflexões.

Diante de tantas doutrinas religiosas e de pensamento, como encontrar a felicidade? Como o indivíduo, que não podia mais se orientar somente pela sociedade, agora tão múltipla, deveria se comportar? São perguntas que os filóso­fos do período helenístico procuraram responder.


FONTE: (CHALITA, Vivendo a filosofia, 2004, pp.72-73.)



CARTA A MENECEU, Epicuro

1. Sempre é tempo de filosofar, sejamos velhos ou jovens
Epicuro saúda Meneceu.
Quem é jovem não espere para fazer filosofia; quem é velho não se canse disso. Com efeito, ninguém é imaturo ou superado em relação à saúde da alma. Quem diz que ainda não é hora de fazer filosofia, ou que a hora já passou, parece-se com quem diz, em relação à felicidade, que ainda não é o momento dela, ou que ele já passou. Por isso, tanto o jovem como o velho devem fazer filosofia; um para que, embora envelhecendo, permaneça sempre jovem de bens por causa do passado, o outro para que se sinta jovem e velho ao mesmo tempo, para que não tema o futuro. É preciso, portanto, ocupar-se de tudo o que leva à felicidade, se é fato que quando ela está conosco, possuímos tudo, e que, quando não está conosco, fazemos de tudo para obtê-la.

2. Os deuses existem e são imortais e felizes
Pratica e medita aquilo que te ensinei continuamente, convicto de que se trata do abecê para uma vida feliz. Em primeiro lugar, considera que a divindade é um vivente incorruptível e feliz, como a noção comum do divino costuma aceitar, e não lhe atribuas qualquer coisa estranha à imortalidade ou de pouca consonância com a felicidade. Em relação à divindade, pensa tudo o que serve para preservar sua felicidade unida com a imortalidade. Os deuses existem de fato e o conhecimento que deles se tem é evidente. Eles, porém, não são como a maioria os crê, pois não continuam coerentemente a considerá-los como os concebem. Ímpio não é quem nega os deuses como a maioria os quer, e sim aquele que atribui aos deuses as opiniões que deles tem a maioria. Com efeito, as opiniões da maioria sobre os deuses não são prolepses, mas enganosas hipolepses (Conceito inadequado, fundado sobre a opinião corrente). Daqui se segue que dos deuses se fazem derivar para os homens as razões de todo maior dano e de todo bem; os deuses, com efeito, entregues continuamente às suas virtudes, são queridos por todos os seus semelhantes, mas rejeitam como estranho tudo o que não é semelhante a eles.

3. O que é a morte para o homem
Habituados a considerar que a morte é nada para nós, do momento que todo bem e todo mal reside na sensação, e a morte é privação de sensação. Por isso, a noção correta de que a morte é nada para nós, torna alegre o fato de que a vida seja concluída com a morte, não lhe concedendo um tempo infinito, e sim lhe subtraindo o desejo da imortalidade. Não há nada de terrível na vida para quem tenha compreendido bem que não há nada de terrível no fato de não viver mais. Por isso, é tolo quem diz temer a morte, não porque trará dor ao momento em que ela se apresentar a nós, mas porque nos faz sofrer na sua espera; com efeito, tolamente pode causar sofrimento na espera, ao mesmo tempo em que não faz sofrer com sua presença.
Portanto, o mal que nos faz ter arrepios, ou seja, a morte, é nada para nós, a partir do momento que, quando vivemos, a morte não existe, e quando, ao contrário, existe a morte, nós não existimos mais. A morte, portanto, não se refere a nós, nem quando estamos vivos, nem quando estamos mortos, porque para os vivos ela não existe, e os mortos, ao contrário, não existem mais. Os outros, por sua vez, fogem por vezes da morte como do pior dos males, outras vezes a [procuram] como alívio [das desgraças] da vida. [O sábio, ao invés, nem rejeita a vida], nem teme o não viver mais; com efeito, a vida não lhe é molesta, e ele também não crê que a morte seja um mal. Assim como para o alimento, ele não se serve dele em abundância, mas escolhe o melhor; também não procura gozar o tempo mais longo, mas o melhor.

4. Indicações sobre o modo de entender a vida e o futuro
E quem exorta o jovem a viver bem, e o velho a concluir bem a sua vicissitude mortal é um tolo, não só por tudo o que é digno de aceitar da vida, mas também porque uma só é a reta preparação para bem viver e para bem morrer. Ainda pior é o que diz: “[...] não nascer é ótimo, mas, se nascidos, passar o mais depressa possível pelas portas do Hades”. (Teognides (séc. VI a.C.))
Se tal pessoa está mesmo convencida do que diz, por que não morre imediatamente? É seu legítimo direito fazê-lo, se de fato está convicto disto; ao contrário, se quer brincar, age como tolo em coisas que não comportam brincadeira. É preciso lembrar que o futuro não é inteiramente [nosso], nem inteiramente não nosso, para não esperar que absolutamente tenha de se realizar, nem desesperar, como se absolutamente não tenha de se realizar.

5. Como é preciso julgar os prazeres e as dores
É necessário depois pensar por analogia que alguns desejos são naturais, outros vãos; entre os naturais, alguns são necessários, outros são simplesmente naturais. Depois, dos necessários alguns são tais em relação à felicidade, outros são assim em relação ao bem-estar físico, outros ainda em relação à própria vida. Com efeito, uma sólida noção de desejo sabe guiar cada escolha e cada rejeição para a saúde do corpo e para a ataraxia da alma, uma vez que justamente este é o fim da vida feliz. Com efeito, justamente com este escopo fazemos de tudo, a fim de não experimentar nem sofrimento nem perturbação. Uma vez que isto se verifique em nós, toda tempestade da alma se aplaca, porque o ser humano não sabe que outra coisa desejar que lhe falte, nem que outra coisa pedir para tornar pleno o bem da alma e do corpo. Sentimos necessidade do prazer, quando sofremos pela sua falta, [quando, ao contrário, não sofremos], então não temos nenhuma necessidade do prazer.
Por estes motivos, dizemos que o prazer é princípio e termo último de uma vida feliz. Com efeito, sabemos que o prazer é o bem primeiro e conatural a nós, a partir do prazer permitimos toda escolha e toda rejeição, e al prazer nos reportamos para avaliar todo bem com a sensação assumida como norma. E, a partir do momento que este é o bem primeiro e conatural a nós, justamente por isto não aceitamos todo prazer, mas acontece o caso de que descuramos muitos deles,quando disso provier um incômodo maior; e assim consideramos que muitas dores são preferíveis aos prazeres, no caso que um prazer maior nos toque depois deter resistido longamente ao sofrimento. Todos os prazeres, portanto, porque têm uma natureza congênita a nós, são um bem, todavia, porém, nem todos devem ser aceitos. Da mesma forma, toda dor é um mal, todavia, porém, nem todas são de tal gênero que delas devêssemos fugir sempre. É preciso julgar tudo isso em base ao cálculo e a uma visão geral da utilidade e do dano.Com efeito, podemos experimentar que o bem, por certo tempo, é mal, e, vice-versa, que o mal pode ser um bem.

6. A independência em relação aos desejos
Também consideramos um grande bem a independência em relação aos desejos, não com o escopo de gozar apenas um pouco, mas porque se não temos o muito, nos possa bastar o pouco, corretamente convictos de que melhor goza da abundância quem menos sente a sua necessidade, que tudo o que é requerido por natureza é facilmente obtenível, e tudo o que, ao contrário, é vão, dificilmente se adquires, que os alimentos frugais produzem um prazer idêntico ao de uma farta mesa, quando eliminarmos a dor da necessidade, e que pão e água oferecem o máximo dos prazeres, quando deles se serve quem deles tem necessidade.

7. Como devemos entender o prazer e a sua ligação com a virtude
Portanto, o hábito de um alimento simples e de modo nenhum refinado,de um lado confere saúde, do outro torna o homem alegre nas ocupações necessárias da vida, e se nós nos aproximamos, de vem em quando, a um teor de vida suntuoso, nos dispomos melhor em relação a ele, e ficamos sem medo do destino. Por conseguinte, quando dizemos que o prazer é o fim último, não pretendemos falar dos prazeres dos dissolutos e nem dos que consistem na crápula, como afirmam aqueles que não conhecem, não partilham ou mal entendem nossos princípios, e sim, ao contrário, pretendemos falar da falta de dor no corpo e da falta de perturbação na alma. Com efeito, não são os simpósios ou os banquetes contínuos, o aproveitar de jovenzinhos e mulheres, ou o peixe e tudo o que pode oferecer uma rica mesa que levam a uma existência feliz, e sim uma límpida capacidade de raciocínio que esteja consciente de cada aceitação e de cada rejeição, e elimine a vacuidade das opiniões, pelas quais a pior das perturbações surpreende a alma.
De tudo isso, o princípio e o bem supremo é a prudência que, justamente por isso, constitui algo de ainda maior valor da filosofia. Dela se originam todas as outras virtudes, e ela ensina como não é possível uma vida feliz sem que seja sábia, bela e justa, [e também que seja sábia, bela e justa] sem que seja feliz. As virtudes, com efeito, são conaturais à vida feliz, que, por sua vez, não é separável das virtudes.

8. A causa do bem e do mal está no próprio homem
Por outro lado, a quem consideras melhor do que aquele que tem idéias santas sobre os deuses, que não tem medo algum da morte, que conhece a fundo o fim natural, que tenha firme consciência que é fácil realizar e prático alcançar o limite extremo do bem, enquanto o limite extremo do mal tem tempo e penas breves? Ou de quem proclama que [o destino], por alguns considerado senhor absoluto de tudo [...]? [...] em parte acontecem por necessidade [...[, em parte, ao contrário, pelo capricho da sorte, outros ainda estão em nosso poder, porque se constata que a necessidade é irresponsável, a sorte é instável, ao passo que aquilo que está em nós é livre e, por isso, ligado a zombaria e a elogio. Na realidade, era melhor ater-se ao mito que circunda os deuses, em vez de servir o destino dos físicos. Com efeito, o primeiro subentende a esperança de aplacar os deuses, honrando-os; o segundo, ao contrário, conserva toda a implacabilidade do necessário. [O sábio] não crê que a sorte seja um deus, como pensam os demais (com efeito, nada é realizado desordenadamente pela divindade), e nem que ela seja uma causa vaga; com efeito, o sábio [não] pensa que bem e mal, no que se refere à vida, sejam concedidos aos homens pela fortuna, e que todavia o início dos grandes bens e dos grandes males se encontre sob a influência dela. Ele pensa finalmente que é melhor ser desafortunados com um pouco de sabedoria, ao invés de afortunados sem qualquer sabedoria, porque nas coisas humanas é melhor que uma reta decisão [não] seja coroada pela fortuna, em vez de [uma decisão errada] o ser.
Rumina contigo mesmo, dia e noite, estas argumentações e outras ainda semelhantes a elas, discute também com quem está próximo de tuas posições.
Epicuro, Cartas e máximas.

VALSINHA

Chico Buarque & Vinicius de Morais

Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar

Olhou-a dum jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar

E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar

E nem deixou-a a só num canto, para seu grande espanto convidou-a pra rodar

Então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar

Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar

Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar

E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar

E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou

E foi tanta felicidade que toda a cidade se iluminou

E foram tantos beijos loucos

Tantos gritos roucos como não se ouviam mais

Que o mundo compreendeu

E o dia amanheceu

E foram tantos beijos loucos

Tantos gritos roucos como não se ouviam mais

Que o mundo compreendeu

E o dia amanheceu

LOGICA - O Silogismo

SILOGISMO é para Aristóteles a forma mais adequada de estrutura lógica de pensamento. Esse conceito tem um significado bastante específico na doutrina aristotélica: é o encadeamento de duas premissas (uma geral e outra particular) que levam a uma conclusão particular.

As qualificações geral e particular referem-se à "amplitude" da proposição. Ela é geral quando diz algo sobre todos os representantes individuais de um determinado conjunto. Por exemplo, a frase "todos os mamíferos respiram" é uma proposição geral, porque comunica uma característica que pertence a cada um dos elementos do conjun­to denominado mamíferos. A proposição particular é aquela que afirma alguma coisa sobre apenas um ou alguns seres ou objetos. "Este elefante é um mamífero" é uma proposição particular: ela informa um aspecto correspondente a determinado sujeito ("este elefante", e nenhum outro).

Silogismo vem do grego, syllogismós, que quer dizer "argu­mento". Premissa, do latim praemissa ("a que é enviada pri­meiro"), é uma proposição da qual se extrairá uma nova afir­mação; para isso, ela deve se relacionar com outra premissa, num raciocínio lógico.

(quer saber mais? Siga o link abaixo...)
O Silogismo

domingo, 13 de dezembro de 2009

HEIDEGGER, Martin

Martin Heidegger (1889-1976), nasceu em Messkirch (Alemanha), num povoado isolado tanto do conhecimento quanto do progresso vivido pelo restante de seu país [1]. De formação católica, chegou a cursar quatro semestres de teologia católica na Universidade de Friburgo.

Fazendo uma correlação entre a criação do termo e aplicação do termo da estética, também em Heidegger se encontra um distanciamento entre os primeiros ensinamentos e depois a prática. Heidegger não demonstrou nenhuma restrição ao nazismo de Hitler, mesmo quando este assumiu todo um governo totalitário, não levando em conta os valores e princípios cristãos.

Em 1933, ano em que Adolf Hitler se tornou chanceler da Alemanha, Martin Heidegger foi nomeado reitor da Universidade de Freiburg, aderindo formalmente ao Partido Nazista. No discurso que proferiu como reitor, Heidegger anunciou, efusivamente, suas esperanças no nazismo, julgando-o capaz de promover a redenção do povo germânico (COTRIN, 2002, p.216).


Heidegger, para se acomodar à situação, afastou-se de seus valores e de seus amigos de outrora [2], tornando-se coerente ao nazismo. Heidegger, recobrando a consciência, e em face das atrocidades cometidas pelo nazismo, demitiu-se da reitoria e isolou-se em sua casa nas montanhas. Manteve raros contatos sociais e apenas mantinha contato com um reduzido grupo de amigos.




NOTAS:
[1]Cf. apontado em Denis HUISMAN, Dicionário dos filósofos, 2001, p.472

[2] Heidegger se afastou de Hursserl, seu amigo, pois este era judeu. In: Gilberto COTRIM, Fundamentos da filosofia, 2005, p.216.

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FONTES: (HUISMAN, Dicionário dos filósofos, 2001, p.472; COTRIM, Fundamentos da filosofia, 2005, p.216; CHALITA, Vivendo a filosofia, 2004, 400 p.)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

MITO E RELIGIÃO

Por mais que se queira estabelecer uma divisão entre mito e religião, Cassirer, em sua obra Antropologia filosófica (1972), adverte que
no desenvolvimento da cultura humana, não podemos fixar um ponto onde termina o mito e a religião começa. Em todo curso de sua história, a religião permanece
indissoluvelmente ligada a elementos míticos e repassada deles (p.143)


Pode-se distinguir, ao menos, três fases na formação dos conceitos dos deuses.

1ª fase: é caracterizada pela multiplicidade de deuses momentâneos, simples excitações instantâneas, fugidias, às quais é atribuído o valor de divindade, e cuja fonte é a emoção subjetiva, marcada ainda pelo medo. Esses deuses não representam nem forças da natureza nem aspectos especiais da vida humana.
Servem como exemplo: o deus que personifica a Alegria; o outro, a Decisão; a Inteligência; ou algo repentinamentte enviado pelo Céu.


2ª fase: há a descoberta do sentimento da individualidade do divino, dos elementos pessoais do sagrado. Essa etapa coincide com a maior complexidade da ação humana, caracterizada pela divisão do trabalho. Assim a atividade particular ganha o seu deus funcional, que vigia cada momento do trabalho. Nesta fase, o ser humano não se sente mais à mercê das forças naturais e sobrenaturais e desempenha papel, convicto de que no mundo natural tudo depende, em parte, dos seus atos.
Cada deus representa uma atividade: Deméter preside o ritmo das estações e das colheitas; Afrodite regula o amor; e assim por diante.


3ª fase: é caracterizada pelo aparecimento do deus pessoal, fruto do processo histórico que inclui o desenvolvimento linguístico. Surge quando o nome do deus funcional, derivado do círculo de atividade especial que lhe deu origem, perde a ligação com essa atividade e torna-se um nome próprio, constituindo um nvo ser que continua a se desenvolver segundo suas próprias leis.
Como é o caso de Atena: como Palas Atena, filha de Zeus, é a protetora dos exércitos; aumenta a sua proteção para o trabalho em geral e, finalmente, fixa como deusa proteotra da sabedoria e das atividades intelectuais.

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FONTE:(ARANHA; MARTINS. Filosofando, 2003, pp.74-75).

NARCISIO

1ª. Versão de Ovídio (em Metamorfoses): Narciso era um jovem muito belo, que desprezava o amor.Nela, Narciso é filho do deus do Cefísio e da ninfa Liríope. Quando nasceu, os seus pais consultaram o adivinho Tirésias, que lhes disse que a criança "viveria até ser velho, se não olhasse para si mesmo". Chegado à idade adulta, Narciso foi objeto da paixão de grande número de raparigas e ninfas. Mas ele ficava insensível. Finalmente, a ninfa Eco apaixonou-se por ele; mas não conseguiu mais do que as outras. Desesperada, Eco retirou-se na sua solidão, emagreceu e de si mesma em breve não restou mais que uma voz gemente. As jovens desprezadas por Narciso pediram vingança aos céus. Nêmesis ouviu-as e fez com que, num dia de grande calor, depois de uma caçada, Narciso se debruçasse sobre uma fonte, para se dessedentar. Nela viu o seu rosto, tão belo, e imediatamente ficou apaixonado. A partir de então, torna-se insensível a tudo o que o rodeia, debruça-se sobre a sua imagem e deixa-se morrer. No Estige, procura ainda distinguir os traços amados. No lugar onde morreu, brotou uma flor à qual foi dado o seu nome, o narciso.


2ª. Versão beótica: A versão da lenda era sensivelmente diferente. Nela, dizia-se que Narciso era um habitante da cidade de Téspias, não muito longe do Hélicon. Era jovem, muito belo, mas desprezava as alegrias do amor. Amava-o um jovem, de nome Amínias, mas ele não o amava. Repelia-o sem cessar, e acabou mesmo por lhe enviar de presente uma espada. Obedientemente, Amínias suicidou-se com essa espada, diante da porta de Narciso. Ao morrer, Amínias invocou contra o cruel Narciso a maldição dos deuses. Um dia em que o jovem se viu numa fonte, apaixonou-se por si mesmo. Desesperado com a sua paixão, suicidou-se. Os téspios prestavam culto ao Amor de que esta história manifestava o poder. No local onde Narciso se suicidou, e onde a erva ficara impregnada do seu sangue, nasceu uma flor, o narciso.


3ª. Versão de Pausânias: Narciso tinha uma irmã gêmea, com quem era imensamente parecido. Os dois jovens eram muitos belos. A jovem morreu; Narciso, que a amava muito, sentiu uma dor enorme e, num dia em que se viu numa fonte, julgou a princípio ver a irmã, e isso consolou-u do seu desgosto. Embora soubesse perfeitamente que não era a irmã quem via, ganhou o hábito de se olhar nas fontes, para se consolar da sua perda.


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FONTE: (CHALITA, Vivendo a filosofia, 2004, pp.21-22).

OS DEUSES PRIMORDIAIS

Teogonia, Hesíodo
Sim bem primeiro nasceu Caos, depois também
Terra de amplo seio, de todos sede irresvalável
[sempre,
dos imortais que têm a cabeça do Olimpo nevado,
e Tártaro nevoento no fundo do chão de amplas
[vias,
e Eros: o mais belo entre deuses imortais,
solta-membros, dos deuses todos e dos homens
[todos
ela doma no peito o espírito e a prudente vontade.

Do Caos Érebo e Noite negra nasceram.
Da Noite aliás Éter e Dia nasceram,
gerou-os fecundada unida a Érebo em amor.

Terra primeiro pariu igual a si mesma
Céu constelado, para cercá-la toda ao redor
e ser aos deuses venturosos sede irresvalável
[sempre.
Pariu altas Montanhas, belos abrigos das deusas
ninfas que moram nas montanhas frondosas.

E pariu a infecunda planície impetuosa de ondas
o Mar, sem o desejoso amor. Depois pariu
do coito com Céu: Oceano de fundos remoinhos
e Coios e Crios e Hiperíon e Jápeto
e Téia e Réia e Têmis e Memória
e Febe da áurea coroa e Tétis amorosa.
E após com ótimas armas Cronos de curvo pensar,
filho o mais terrível: detestou o florescente pai.


Pariu ainda os Ciclopes de soberbo coração:
Trovão, Relâmpago e Arges de violento ânimo
que a Zeus deram o trovão e forjaram o raio.
Eles no mais eram comparáveis aos deuses,
único olho bem no meio repousava na fronte.
Ciclopes denominava-os o nome, porque neles
circular olho sozinho repousava na fronte.
Vigor, violência e engenho possuíam na ação.
Outros ainda da Terra e do Céu nasceram,
três filhos enormes, violentos, não nomeáveis.
Coto, Briareu e Giges, assombrosos filhos.
Deles, eram cem braços que saltavam dos ombros,
improximáveis; cabeças de cada um cinqüenta
brotavam dos ombros, sobre os grossos membros.
Vigor sem limite, poderoso na enorme forma.






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FONTE: (CHALITA, Vivendo a filosofia, 2004, p.27).

O MITO DE PANDORA

Prometeu, deus cujo nome em grego significa "aquele que vê o futuro", doou aos homens o fogo e as técnicas para acendê-lo e mantê-lo. Zeus, o soberano dos deuses, se enfureceu com esse ato, porque o segredo do fogo deveria ser mantido entre os deuses. Por isso, ordenou a Hefesto [1], que criasse uma mulher que fosse perfeita, e que a apresentasse à assembléia dos deuses. Atena, a deusa da sabedoria e da guerra, vestiu essa mulher com uma roupa branquíssima e adornou-­lhe a cabeça com uma guirlanda de flores, montada sobre uma coroa de ouro. Hefesto a conduziu pessoalmente aos deuses, e todos ficaram admirados; cada um lhe deu um dom particular:

Atena lhe ensinou as artes que convêm ao seu sexo, como a arte de tecer;

Afrodite lhe deu o encanto, que despertaria o desejo dos homens;

As Cárites, deusas da beleza, e a deusa da persuasão ornaram seu pescoço com colares de ouro;

Hermes, o mensageiro dos deuses, lhe concedeu a capacidade de falar, juntamente com a arte de seduzir os corações por meio de discursos insinuantes.

Depois que todos os deuses lhe deram seus presentes, ela recebeu o nome de Pandora, que em grego quer dizer "todos os dons".

Finalmente, Zeus lhe entregou uma caixa bem fechada, e ordenou que ela a levasse como presente a Prometeu. Entretanto, ele não quis receber nem Pandora, nem a caixa, e recomendou a seu irmão, Epimeteu, que também não aceitasse nada vindo de Zeus. Epimeteu, cujo nome significa "aquele que reflete tarde demais", ficou encantado com a beleza de Pandora e a tomou como esposa.

A caixa de Pandora foi então aberta e de lá escaparam a Senilidade, a Insanidade, a Doença, a Inveja, a Paixão, o Vício, a Praga, a Fome e todos os outros males, que se espalharam pelo mundo e tomaram miserável a existência dos homens a partir de então. Epimeteu tentou fechá-la, mas só restou dentro a Esperança, uma criatura alada que estava preste a voar, mas que ficou aprisionada na caixa [...] e é graças a ela que os homens conseguem enfrentar todos os males e não desistem de viver.

NOTAS:

[1] deus do fogo e das habilidades técnicas

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FONTE: (CHALITA, Vivendo a filosofia, 2004, p.26).

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

DEUSES GREGOS





ÉDIPO

ÉDIPO, A SAGA

Laio, rei da cidade de Tebas e casado com a bela Jocasta, foi advertido pelo oráculo[1] de que não poderia gerar filhos. Se esse aviso fosse desobedecido, seria morto pelo próprio filho e muitas outras desgraças surgiriam.
A princípio, Laio não acreditou no oráculo e teve um filho com Jocasta. Quando a criança nasceu, porém, cheio de remorso e com medo da profecia, ordenou que o recém-nascido fosse abandonado numa montanha, com os tornozelos furados, amarrados por uma corda. O edema provocado pela ferida é a origem do nome Édipo, que significa "pés inchados".
Mas o menino Édipo não morreu.
Alguns pastores o encontraram e o levaram ao rei de Corinto, Polibo, que o criou como se fosse seu filho legítimo. Já adulto, Édipo ficou sabendo que era filho adotivo. Surpreso, viajou em busca do oráculo de Delfos para conhecer o mistério de seu destino. O oráculo revelou que seu destino era matar o próprio pai e se casar com a própria mãe. Espantado com essa profecia, Édipo decidiu deixar Corinto e rumar em direção a Tebas. No decorrer da viagem encontrou-se com Laio. De forma arrogante o rei lhe ordenou que deixasse o caminho livre para sua passagem. Édipo desobedeceu às ordens do desconhecido. Explodiu, então, uma luta entre ambos, na qual Édipo matou Laio.
Sem saber que tinha matado o próprio pai, Édipo prosseguiu sua viagem para Tebas. No caminho deparou-se com a Esfinge, um monstro metade leão, metade mulher, que lançava enigmas aos viajantes e devorava quem não os decifrasse. A Esfinge atormentava os moradores de Tebas.
O enigma proposto pela Esfinge era o seguinte: "Qual o animal que de manhã tem quatro pés, dois ao meio-dia e três a tarde?" Édipo respondeu: "É o homem, pois na manhã da vida (infância) engatinha com pés e mãos; ao meio-dia (na fase adulta) anda sobre dois pés; e à tarde (velhice) necessita das duas pernas e do apoio de uma bengala".
Furiosa por ver o enigma resolvido, a Esfinge se matou. O povo tebano saudou Édipo como seu novo rei. Deram-lhe como esposa Jocasta, a viúva de Laio. Ignorando tudo, Édipo casou-se com a própria mãe. Uma violenta peste abateu-se então sobre a cidade. Consultado, o oráculo respondeu que a peste não findaria ate que o assassino de Laio fosse castigado. Ao longo das investigações para descobrir o criminoso, a verdade foi esclarecida. Inconformado com o destino, Édipo cegou-se e Jocasta enforcou-­se. Édipo deixou Tebas, partindo para um exílio na cidade de Colona.
NOTA:
[1]Resposta que os deuses davam a quem os consultava

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FONTES: (COTRIM, Fundamentos da filosofia, 2005, pp.74-75)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

OS FILHOS DA TERRA

A Terra, Gaîa, gerou Ouranós, o Céu. De igual tamanho, o Céu, deitado sobre a Terra, cobre-a, como um macho e uma fêmea. O Céu está a todo momento deitado sobre a Terra, e a deixa prenhe. Grávida, a Terra, não pode mais dar os seus filhos à luz, porque não há espaço entre ela e o Céu. Assim, seus primeiros filhos, os Titãs e suas primeira filhas, as Titânidas, não podem tomar a forma que é a deles, não podem se transformar em seres individualizados, pois não conseguem sair do ventre de Gaîa, ali mesmo onde o próprio Céu esteve antes de nascer.

Os primeiros filhos de Gaîa e Ouranós são: os Titãs e as Titânidas, em pares de seis. O primeiro Titã se chama Okeanós, um cinturão líquido que rodeia o universo e corre em círculo; o último, é o Titã Krónos, o de pensamentos marotos. Uma das Titânidas é Rea.

Além dos Titãs e Titânidas, nascem dois trios de seres monstruosos: os Ciclopes e Heratonkhîres (Cem-Braços). Os Ciclopes, Brontes, Estéropes e Argeus, possuem um só olho e seus nomes revelam a metalurgia a que se dedicam: ao raio, ao trovão e ao relâmpago. Os Cem-Braços, Coto, Briareu e Gies, são de tamanhos gigantescos, possuem ciquenta cabeças e cem braços.

Ao contrário de Gaîa, Ouranós e Póntos, esses deuses são individualizados, e cada um representa um poder. Assim, os Ciclopes representa a força da visão, ou o raio fulminante da visão; os Cem-Braços, a força brutal. Uns têm a força mágica do olho; outros, para juntar, apertar, quebrar e vencer qualquer criatura. Contudo, Titãs, Ciclopes e Cem-Braços estão ainda no ventre da Terra, porque Urano (Céu), está deitado sobre ela. Também não há luz porque não há espaço.

Terra pede ajuda a seus filhos. Ao passo que todos se amedrontam ao ter que enfrentar tal poderoso pai, somente Crono aceita a ajudar Terra. De dentro de si mesma, Terra fabrica a hárpe (espécie de foice) e a coloca nas mãos de Crono. Quando o Céu, sobre a Terra, intentava outra investida para copular, Crono agarrou-lhe o membro viril, e num só golpe, cortou fora e jogou-o por sobre o ombro. Do membro cortado, caem sobre a Terra gotas de sangue; o sexo do pai é atirado nas onda dos mar.

Em função da dor provocada pela castração, Urano se afasta depressa de Gaia e vai se instalar no mais alto do mundo, de onde não mais ousou sair. Desse afastamento, Crono provoca o nascimento do cosmo: separação do céu e da terra. Cria entre o céu e a terra um espaço livre: tudo o que a terra produzir, tudo o que os seres vivos engendrarem, terá espaço para respirar, para viver.

Quando Urano se retira, os Titãs, os Ciclopes e Cem-Braços podem sair do ventre de Gaia e também se reproduzir. A partir de então, Terra, Céu, Titãs, Ciclopes e Cem-Braços terão gerações sucessivas. Também o céu se alternará em dia e noite. Tudo filhos da Terra.

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Fontes: (VERNANT, O universo, os deuses e os homens,2000, pp.19-23

A CRIAÇÃO para o grego

No início era o Kháos (Caos). Um vazio, escuro onde não se distingue nada. Espaço de queda, vertigem e confusão, sem fim, sem fundo: um abismo.Depois apareceu Gaîa (Terra). Foi no próprio seio do Caos que surgiu a Terra. Portanto, nasceu depois de Caos e representa, seu contrário: de forma distinta, separada, precisa. À confusão de Caos se opõe a a nitidez de Gaîa; o sem fundo de Caos, a estabilidade de Gaîa.

Na Terra tudo é desenhado, tudo é visível e sólido. É possível definir Gaîa como o lugar onde os deuses, os homens e os bichos podem andar com segurança.

Depois de Caos e Terra, aparece o Éros (amor), representado nas imagens com cabelos brancos. É o Amor primordial. Nesses tempos longínquos, ainda não há masculino e feminino. Kháos é uma palavra neutra, e não masculina. Gaîa é evidentemente feminina. E como a Terra não pode amar fora de si mesma (porque não a quem a amar), o Éros primordial expressa um impulso no universo. Da mesma forma que Terra surgiu de Caos, de Terra vai brotar o que ela contém em suas profundezas. Terra vai parir sem precisar se unir a ninguém. Ela dá à luz o que nela existia de forma obscura, latente.


Primeiro, Terra trás à vida Ouranós, o Céu; depois Póntos, a Água (a Onda do Mar), que são masculinos. Ao produzir o Céu, igual a si e do mesmo tamanho, a Terra tem sobre ela um outro plano, o seu oposto superposto a ela, um chão e uma abóbada, um embaixo e o outro em cima, que se cobrem completamente. Em relação à Onda do Mar, que também lhe é contrário, suas águas invadem a Terra e a torna confusa. Na superfície, Ponto é luminoso; em sua profudenza, escuridão; nisto se vincula à Terra, em sua parte caótica.


Assim, o universo se constrói a partir de três entidades primordiais: Kháos, Gaîa e Éros, e, em seguida, de duas entidades paridas por Terra: Ouranós e Pontós. Elas são ao mesmo tempo forças naturais e divindades.

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Fontes: (Cf.VERNANT, O universo, os deuses, os homens, 2000, pp.17-20)

A CRIAÇÃO

COSMOGONIA (do grego κοσμογονία; κόσμος "universo" e -γονία "nascimento"). Termo que abrange as diversas lendas e teorias sobre as origens do universo de acordo com as religiões, mitologias e ciências através da história.

Teoria judaica[1] e cristã[2]

A Torá e a Bíblia apresentam, nos versículos 1 a 19 do primeiro capítulo do livro de Gênesis, o relato da criação dos céus e da Terra atribuído a Javé(outro nome de Deus), o Deus único e onipotente, que teria executado a obra em seis dias e descansado no sétimo, tornando-o sagrado. Hoje já existe entre algumas correntes teológica da fé cristã a ceitação de quê o mundo passou a existir por meio de um "Big Bang". Este conceito foi adquirido a partir do texto "torádico e bíblico": Haja luz! Gênesis Cap.1:3.


Teoria suméria[3]
Os sumérios e babilônios desenvolveram uma cosmogonia própria, preservada em poema, como Gilgamesh e Enuma Elis. A criação era representada como um processo de procriação. Os deuses seriam elementos naturais que formaram o universo. Segundo os babilônios, Marduk foi o único deus que conseguiu derrotar Tiamat, o dragão, que representava o caos e as águas do mar. Resumo do mito: Na mitologia mesopotâmica, no princípio do mundo existia Abzu e Tiamat, os elementos masculino e feminino das águas. Tiamat criou o céu, de quem nasceu Ea (a magia), que produziu Marduk. Este venceu os demais deuses e dividiu o corpo de Tiamat, separando o céu da Terra e produziu o primeiro homem, usando o sangue do monstro derrotado.


Teoria nipônica[4]
A mitologia japonesa explica o surgimento dos deuses, como o mundo foi criado e a origem dos imperadores japoneses. Estas histórias estão em dois livros: o kojiki e o nihonshoki.


Teoria brâmane[5]
A visão bramânica do mundo e sua aplicação à vida estão descritas no livro do Manusmristi (Código de Manu), elaborado entre os anos 200 a.C. e 200 da era cristã, embora também contenha material muito mais antigo. Manu é o pai original da espécie humana. O livro trata inicialmente da criação do mundo e da ordem dos brâmanes; depois, do governo e de seus deveres, das leis, das castas, dos atos de expiação e, finalmente, da reencarnação e da redenção. Segundo as leis de Manu, os brâmanes são senhores de tudo que existe no mundo.


Teoria islâmica[6]
Os Islâmicos acreditam na origem do Universo segundo o que descreveu o profeta Moisés na Torá. Outros Livros passíveis de crédito islâmico são: os Salmos, o Evangelho, e O Corão que é o derradeiro e completo livro sagrado, constituindo a coletânea dos ensinamentos revelados por Deus ao profeta Maomé.


Teoria budista[7]
Não há um deus criador no budismo, a religião não se inicia no começo dos tempos, mas com o despertar de Buda. O universo tal como é simplesmente sempre foi assim "desde o tempo sem início".


Teoria inuit[8]
Os inuits explicam a Origem do Universo tal como a conhecem as culturas ocidentais e a ciência, apontando para o modelo de ordem cósmica. Estes mitos tem lugar em Tshishtashkamuku, a terra dos Mishtapeuat.


Teoria espírita[9]
O Espiritismo segue as descobertas e revelações da Ciência, embora admita a inteferência de Deus na engenharia da criação do Universo. "Deus é a inteligência suprema causa de todas as coisas".


Teoria cosmogônica[10]
É uma de varias teorias tentando responder à pergunta se um ser é gerado de um ser precedente, como surgiu o primeiro ser?, depois de a teoria de geração espontânea ter sido derrubada por Louis Pasteur em 1864. Uma teoria tentando resolver esta questão supõe que organismos cosmozoários teriam vindo para a Terra por meio de meteoros. Esta teoria rapidamente caiu em descrédito, mas investigações recentes têm vindo a devolver-lhe alguma plausibilidade.

Teoria científica[11]
A proposta do Big Bang (ou Grande explosão) foi sugerida primeiramente pelo padre e cosmólogo belga Georges Lemaître (1894-1966), quando expôs uma teoria propondo que o universo teria tido um início repentino. No entanto, com o passar do tempo a hipótese do cosmólogo belga começou a tomar forma quando em 1929 as linhas espectrais da luz das galáxias observadas no observatório de Monte Palomar por Milton La Salle Humason começaram a revelar um afastamento progressivo para as galáxias mais distantes, com características de uma dilatação universal. Traduzida em números esta descoberta permitiu ao astrônomo Edwin Hubble encaixar uma progressão aritmética que mais tarde foi chamada de Constante de Hubble. Até hoje essa proporção aritmética é a régua cósmica: instrumento indispensável para confirmação das teorias de astrônomos e cosmólogos do mundo inteiro.


Teoria asteca[12]
Segundo um mito, no princípio, tudo era negro e morto. Os deuses se reuniram em Teotihuacán para discutir a quem caberia a missão de criar o mundo, tarefa que exigia que um deles teria que se jogar dentro de uma fogueira. O selecionado para esse sacrifício foi Tecuciztecatl. No momento fatídico, Tecuciztecatl retrocede ante o fogo; mas o segundo, um pequeno deus, humilde e pobre (usado como metáfora do povo asteca sobre suas origens), Nanahuatzin, se lança sem vacilar à fogueira, convertendo-se no Sol. Ao ver isto, o primeiro deus, sentindo coragem, decide jogar-se transformando-se na Lua. Ainda assim, os dois astros continuam inertes e é indispensável alimentá-los para que se movam. Então outros deuses decidiram sacrificar-se e dar a "água preciosa", necessária para criar o sangue. Por isso se os homens são obrigados a recriar eternamente o sacrificio divino original.



NOTAS:
[1]Judaísmo (em hebraico יהדות, transl. Yahadút) é o nome dado à religião do povo judeu, a mais antiga das três principais religiões monoteístas;
[2] Cristianismo (do grego Xριστός, "Cristo") é uma religião monoteísta, centrada na vida e nos ensinamentos de Jesus de Nazaré, tais como são apresentados no Novo Testamento;
[3] A Suméria (ou Shumeria, ou Shinar; na bíblia, Sinar; egípcio Sangar; ki-en-gir na língua nativa), geralmente considerada a civilização mais antiga da humanidade, localizava-se na parte sul da Mesopotâmia;
[4] Relativo ao Japão;
[5] O termo brâmane deriva do latim brachmani (ou bragmani), que, por sua vez, provém do grego brakhmânes, adaptação do termo sânscrito védico brāhmaṇa, que significa "aquele que é versado no conhecimento de Brahman - a alma cósmica;
[6] O Islão (port. europeu) ou Islã (port. brasileiro) (do árabe الإسلام, transl. al-Islām) é uma religião monoteísta que surgiu na Península Arábica no século VII, baseada nos ensinamentos religiosos do profeta Maomé (Muhammad) e numa escritura sagrada, o Alcorão. A religião é conhecida ainda por islamismo;
[7] Relativo ao Budismo, que é uma variedade de crenças e práticas considerada por muitos uma religião, baseada nos ensinamentos atribuídos a Siddhartha Gautama, comumente conhecido como "O Buda" (o Iluminado);
[8]Relativo aos inuítes (também chamados de inuit, que são os membros da nação indígena esquimó que habitam as regiões árticas do Canadá, do Alasca e da Groenlândia;
[9] Relativo à Doutrina Espírita, que é uma corrente de pensamento — nascida em meados do século XIX — que se estruturou a partir de diálogos estabelecidos entre o pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail (que adotou o pseudônimo Allan Kardec) e o que ele e muitos pesquisadores da época defendiam tratar-se de espíritos de pessoas falecidas, a manifestar-se através de diversos médiuns;
[10]Relativo ao primeiro ser;
[11]Relativo à busca de comprovação;
[12] Os astecas (1325 até 1521; a forma azteca também é usada) foram uma civilização mesoamericana, pré-colombiana, que floresceu principalmente entre os séculos XIV e XVI, no território correspondente ao atual México.


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Fontes: (http://pt.wikipedia.org/wiki/Mito_da_cria%C3%A7%C3%A3o)

PRECISAMOS APRENDER A...

Precisamos aprender a perder, a cair, a errar e a morrer.

Impossível ganhar sem saber perder;

impossível andar sem saber cair;

impossível acertar sem saber errar;

impossível viver sem saber viver;


por isso, viva!

BENTHAM, Jeremy

JEREMY BENTHAM (15/02/1748 Londres - 06/06/1832 Londres) foi um filósofo e jurista inglês, fundador do Utilitarismo, teoria ética que responde todas as questões acerca do que fazer, do que admirar e de como viver, em termos da maximização da utilidade e da felicidade.

Bentham professa abertamente um utilitarismo que pouco difere do hedonismo de Epicuro. A utilidade do indivíduo e a da sociedade são as únicar normas morais. O dever do moralista é classificar os prazeres em série hierárquica a fim de melhor aquilatar o valor moral das ações.

Um prazer pode produzir dor, prazer, ou uma e outra coisa. Uma dor pode produzir prazerm dor, ou uma e outra coisa. O fim da deontologia [1] consiste em pesá-los e, consoante o resultado, traçar a norma de proceder (Princípios de moral e de legislação ).

Bentham também ficou conhecido pela idealização do Pan-optismo[2], que corresponde à observação total, a tomada integral por parte do poder disciplinador da vida de um indivíduo.


NOTAS:
[1] ciência da moral
[2] palavra grega, panopticon, que significa ver tudo
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Fontes: (JAPIASSU, Dicionário Básico de Filosofia, p.28; http://pt.wikipedia.org/wiki/Jeremy_Bentham; ARANHA, Filosofando, p.253; FRANÇA, Noções de história da filosofia, p.169; http://www.infopedia.pt/$jeremy-bentham)

PRAGMATISMO

PRAGMATISMO. Concepção filosófica, mantida em diferentes versões, dentre outros, Charles Sanders Peirce (1839-1914) [1]. O método pragmático que ele desenvolveu aplica-se somente a um universo de discurso muito estreito e limitado. Depois de William James (1842-1910) ter estendido o escopo do método, Pierce escreveu uma exposição da origem do pragmatismo tal como ele primeiro o concebera. Conforme ele mesmo diz, o termo ‘pragmático’ foi-lhe sugerido pelo estudo de Kant, e não é uma concepção exclusivamente estadunidense.

O pragmatismo valoriza a prática mais do que a teoria e sonsidera que devemos dar mais importância às consequências e efeitos da ação do que a seus princípios e pressupostos. A teoria pragmática da verdade mantém que o critério da verdade deve ser encontrado nos efeitos e consequências de uma ideia, em sua eficácio, em seu sucesso. A validade de uma ideia está na contretização dos resultados que se propõe obter.

NOTAS: [1] Pierce se inspirou em Ralph Waldo Emerson (http://pt.wikipedia.org/wiki/Pragmatismo)

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Fontes: (JAPIASSU, Dicionário Básico de Filosofia, p.218; CHALITA, Vivendo a Filosofia, pp.339-340; http://http://pt.wikipedia.org/wiki/Pragmatismo; ARANHA, Filosofando, p.151; FRANÇA, Noções de história da filosofia, pp.226-228)

UTILITARISMO

UTILITARISMO. Sob a influência empirista, a teoria utilitarista pretende ser instrumento de renovação social, a partir de um método rigorosamente científico, e fundada por Jeremy Bentham (1748-1832) .

No proceder do filósofo, a teoria do direito natural foi substituída pela teoria da utilidade: o cidadão só deve obediência ao Estado quando esta contribuir para a felicidade geral.

O objetivo da moral, segundo esta corrente, é o controle do egoísmo, e a virtude é o que amplia os prazeres e diminui as dores, donde resulta uma 'aritmética moral': é preciso fazer um cálculo entre as duas ações para saber qual delas reúne maior número de prazer e menor quantidade de dores.

Trata-se então de uma moral eudemonista, mas que, ao contrário do egoísmo, insiste no fato de que devemos considerar o bem-estar de todos e não o de uma única pessoa.

No utilitarismo, as ações, boas ou más, são consideradas assim do ponto de vida de suas consequências, sendo o objetivo de uma boa ação promover em maior grau o bem geral.


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Fontes: (JAPIASSU, Dicionário Básico de Filosofia, p.267; CHALITA, Vivendo a Filosofia, pp.339-340; http://http://pt.wikipedia.org/wiki/Utilitarismo; ARANHA, Filosofando, p.253)

STUART MILL, John

JOHN STUART MILL (20/05/1806 Londres - 08/05/1873 Avinhão) foi um filósofo economista inglês, e um dos pensadores liberais mais influentes do séc. XIX. Foi um defenson do utilitarismo, a teoria etica proposta inicialmente por seu padrinho Jeremy Bentham.

Sendo o primeiro filho do filósofo escocês, radicado na Inglaterra, James Mill, Stuart Mil foi educado pelo pai, com a sistência de Bentham e Francis Place. Foi-he dada uma educação muito rigorosa e ele foi deliberadamente escudado de rapazes da mesma idade. O seu pai, um seguidor de Betham e um aderente ao associativismo, tinha como objetivo explícito criar um gênio intelectualque iria assegurar a causa do utilitarismo e asua implementação após a morte dele e de Bentham. James Mill concordava com a visão de John Loche a respeito da mente huma como uma folha em branco para o registro das experiências e por isso prometeu estabelecer quais experiências preencheriam a mente de seu filho, empreendendo um rigoros programa de aulas particulares.

Stuart Mill manteve excepcionais feitos já desde criança; com a idade de três anos, foi-lhe ensinado o alfabeto grego e longas listas de palvras gregas com os seus equivalente em inglês. Com a idade de oito anos tinha lido as fábulas de Esopo, a Anabasis, de Xenofonte, toda a obra de Heródoto, e tinha conhecimento de Lúcio, Diógenes Laertiu, Isócrates e seis diálogos de Platão. Também tinha lido muito sobre a história da Inglaterra. Stuart Mill faleceu em Avinhão, a 8 de maio de 1873.

NOTA: Na obra "Noções de história da filosofia" (1949), a filosofia de Stuart Mill aparece atrelada ao positivismo de Augusto Comte: [...] admirador de Augusto Comte, introduziu-lhe as doutrinas na Inglaterra, dedicando-se de modo particular ao estudo da lógica e da psicologia [...] e a característica do utilitarismo somente lhe aparece em moral e sociologia, professa o utilitarismo e o socialismo moderado.

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Fontes: (JAPIASSU, Dicionário Básico de Filosofia, p.183; CHALITA, Vivendo a Filosofia, pp.339-340; http://pt.wikipedia.org/wiki/Stuart_mill; FRANÇA, Noções da história da filosofia, pp.193-194)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

RAWLS, John

John Bordley Rawls ( 21/02/1921 Baltimore - 24/11/2002 Lexington) foi professor de Filosofia Política na Universidade de Harvard, autor de Uma Teoria da Justiça (1971) Liberalismo Político (1993), e O Direito dos Povos (1999).

Nasceu em Baltimore (EUA) em uma família de tradição nos estudos dos direitos: seu pai era advogado (direito constitucional) e sua mãe, ativista (feminista). Em 1946, de retorno à Universidade de Princeton, alcançou doutoramento em Filosofia. No seu último ano acadêmico (1949), quando se casou com Margaret Warfield Fox, deu início a estudos de filosofia política. Em 1950, recebeu seu Ph.D. em Filosofia, em Princeton. Com um estilo de vida recluso e sua saúde debilitada a partir de 1995, seguiu por uma fase turbulenta em sua vida. Morreu em 24 de novembro de 2002, aos 81 anos de idade, em sua casa, em Lexington (EUA).

Conceito de justiça

A teoria da justiça de Rawls é extremamente influente no meio acadêmico e práticas consoantes com a mesma já fazem parte das políticas públicas de vários países, entre os quais se encontra o Brasil.

Rawls distinguia o surgimento das gerações do direito em três grandes grupos:

1° civil - Primeira Geração
2° político - Segunda Geração
3° social - Terceira Geração

A sua teoria da justiça tem forte conotação social, com ênfase na noção de justiça distributiva, bastante influente no contexto anglo-saxônico contemporâneo, opondo-se ao utilitarismo e ao individualismo, e reelaborando a teoria do contrato social.

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Fontes: (JAPIASSU, Dicionário Básico de Filosofia, p.229; CHALITA, Vivendo a Filosofia, pp.359-363; http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Rawls; http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/revista/Rev_85/Artigos/JoseTeixeira_Rev85.htm)

domingo, 22 de novembro de 2009

AS APARÊNCIAS ENGANAM

Sem maiores preocupações com o vestir, o médico conversava descontraído com o enfermeiro e o motorista da ambulância, quando uma senhora elegante chega e de forma ríspida, pergunta: - Vocês sabem onde está o médico do hospital?

Com tranqüilidade o médico respondeu - Boa tarde, senhora! Em que posso ser útil?
Ríspida, retorquiu: - Será que o senhor é surdo? Não ouviu que estou procurando pelo médico?

Mantendo-se calmo, contestou: - Boa tarde, senhora! O médico sou eu, em que posso ajudá-la ?!?!

- Como?!?! O senhor?!?! Com essa roupa?!?!...

- Ah, Senhora! Desculpe-me! Pensei que a senhora estivesse procurando um médico e não uma vestimenta...

- Oh! Desculpe doutor! Boa tarde! É que... Vestido assim, o senhor nem parece um médico...

- Veja bem as coisas como são... - disse o médico - ... as vestes parecem não dizer muitas coisas, pois quando a vi chegando, tão bem vestida, tão elegante, pensei que a senhora fosse sorrir educadamente para todos e depois daria um simpaticíssimo "boa tarde!"; como se vê, as roupas nem sempre dizem muito...

Um dos mais belos trajes da alma é a educação; sabemos que a roupa faz a diferença mas o que não podemos negar é que: Falta de Educação, Arrogância, Falta de Humildade, Pessoas que se julgam donas do mundo e da verdade, Grosseria e outras "qualidades" derrubam qualquer vestimenta. Bastam às vezes, apenas 5 minutos de conversa para que o ouro da vestimenta se transforme em barro.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

BALANÇO FINAL (Simone de Beauvoir)

Cada manhã, antes mesmo de abrir os olhos, reconheço minha cama, meu quarto. Mas se durmo à tarde, em meu estúdio, experimento às vezes, ao acordar, um espanto pueril: por que sou eu? O que me surpreende - como à criança quando toma consciência de sua própria identidade - é o fato de encontrar-me aqui, agora, dentro dessa vida e não de uma outra: por que acaso? Se a considero do exterior, em primeiro lugar parece inacreditável que eu tenha nascido. A penetração de um determinado óvulo por um determinado espermatozóide, os seus ancestrais, não tinha uma chance entre milhares de ocorrer. Foi um acaso, conforme o estado atual da ciência, totalmente imprevisível que me fez nascer mulher. Depois para cada instante de meu passado mil futuros diferents me parecem concebíveis: adoecer e interromper meus estudos; não conhecer Sartre; qualquer outra coisa (Beauvoir, Balanço final).
nota: aqui, Simone de Beauvoir fala sobre o nascimento ea história, as circunstâncias ou a especificidade das ações humanas, o destino ou a liberdade, temas privilegiados pelos existencialistas.

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Fontes: CHALITA, Vivendo a Filosofia, p.361)

NEGRITUDE (Jean-Paul Satre)

A condição do negro está ligada ao racismo e à miséria [1]. A miséria causado pelo racismo e pelas políticas de Estado pós-libertação dos escravos e a despreocupação das autoridades geram um contingente de excluídos ou marginalizados, que são reconhecidos pela mesma cor de pele, cabelo, lábios e cultura de raízes africanas - os negros.
A falta do mínimo necessário para a vida gerou e fera duas orientações: a revolta e a acomodação.
a) a revolta: pode ser política, isto é, negros e negras se encontram para discutir o que lhes faz sofrer e cobrar das autoridades a igualdade;
b) a acomodação: pode ser entendida como uma alienação. Muitos negros e negras simplesmente aceitam o papel que as elites lhes impuseram durante séculos - a de que eram trabalhadores braçais em situação precária. Por outro lado, a alienação pode gerar a vitimização: o indivíduo se vê sempre perseguido e incapaz de agir, o que resulta em baixa autoestima. Em consequência, os negros valorizam outras culturas, como a da hegemonia branca europeia.
O negro precisa encontrar a sua 'negritude', que é a maneira dialética, ou a negação da injustiça, causada pelo capitalismo. A condição negra de miséria, de humilhação e exclusão social, foi gerada pelo capitalismo, em processos de escravização de um povo sobre outro povo.
Do ponto de vista cultural, diferentemente do proletário europeu, formado pelas fábricas, o negro tece um espaço para desenvolver sua cultura, que só podia ser uma cultura de resistência. Cada vez que o negro coloca uma roupa que expressa sua identidade, compõe uma música que fala de sua vida, não tenta moldar o seu corpo para ser igual aos outros, ele produz a 'negritude', a resistência cultural dentro do capitalismo racial e cristão. A negação do ato colonizador.
O capitalismo colocou o burguês e o trabalhador em oposição por meio de uma situação de exploração. Mas o capitalismo também colocou o branco europeu em oposição ao negro escravo e ao negro pós-libertação, o que também resultou em formas de exploração. O capitalista oprime o trabalhador enquanto, em certa medida, o trabalhador branco oprime o negro. Por isso, o negro deve assumir a consciência de que a sua raça é explorada por uma questão social de dominação do homem branco e não por sua natureza biológica.
Em Sartre, há uma diferença entre o trabalhador branco e o trabalhador negro, pois apesar de ambos sofrerem as dificuldade da pobreza, o negro sofre como negro, isto é, além da pobreza, ele encontra a discriminação junto àqueles que também são pobres e oprimidos, e até os trabalhadores brancos discriminam o trabalhador negro.
É preciso que cada um tome consciência de sua condição; que o trabalhador tome consciência de sua exploração e perceba que os problemas advêm de sua posição no mundo capitalista; que o negro identifique sua condição de submetido pelo racismo. Sob esta inspiração, pode-se pensar que a consciência de que é submetido ao racismo deve favorecer o entendimento por parte dos negros de que é preciso assumir-se como negro, sem negar origens africanas e história cultural, mas negando a condição de exclusão e inferioridade de que foram vítimas. Assim, o negro deve orgulhar-se de sua negritude, atribuindo significados positivos ao fato de ser negro.
Sartre inspira um pensamento de valorização do negro. Um olhar sobre o mundo. Uma compreensão de que o negro não poder ser conjugado como o mal [2].
A ideia de negritude entendida como valorização do negro e crítica à visão negativa do mesmo impõe outra opção à ordem da cultura excludente. Sendo chamados de negros ou afrodescendentes, essas pessoas se encontraram pela negritude, que significa valorização do negro, da história dos povos africanos, da cultura negra e de uma nova visão sobre os negros, bem como sobre a impressão de superação da exclusão social a que foram submetidos.
A negritude seria o desenvolvimento da cultura negra após a colonização. Nela, estaria uma inversão em oposição ao sistema eurocêntrico capitalista e branco. A negritude revela o racismo.

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1. Considerando a população brasileira em geral, pode-se afirmar que raros sãos os casos nos quais os negros supram condição de pobreza ou mesmo de miséria e recebem notoriedade social.
2. A cultura brasileira associa palavras negro, negra, preto ou preta e crítica a ideia pejorativas. Por exemplo, o que significam as expressões "mercado negro", "o lado negro", "magia negra", " a coisa está preta"?.

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Fontes: (SÃO PAULO-SEE, Caderno do professor: filosofia, EM, 2ª S., V.3, pp.18-19)

SARTRE, Jean-Paul

Jean-Paul Charles Aymard Sartre (21/06/1905 Paris - 15/04/1980 Paris) tornou-se o filósofo maus conhecido da corrente existencialista. Grande parte de sua fama deve-se não propriamente à usa obra filosófica, mas às usas peças de teatro e romances, dentre os quais se destacam A náusea, O muro (1938), A idade da razão (1939), O diabo e o bom Deus (1951).
Desde muito cedo começou a escrever e era incentivado pela mãe, pela avó, pelo tio (que o presenteou com uma máquina de escrever) e por uma professora, a sra. Picard, que via nele a vocação de escritor profissional. Aos poucos, o jovem Sartre passou a encontrar sua verdadeira vocação na escrita.
A principal obra filosófica de Sarte é O ser e o nada (1939). Nesta obra, ele ataca duramente a teoria aristotélica da potência. Para Satre, o ser é o que é. Trata-se, na linguagem satriana, do ente em-si. Esse ente "não é ativo, mas simplesmente repousa em si, maciço e rígido".
Mas, além do ente em-si, Sartre concebe a existência do ser especificamente humano, denominando-o ente para-si. O entre para-si específico do homem se opõe ao ente em-si, que reprsenta a plenitude do ser. Portanto, para Sarte, a caractrística tipicament humana é o nada: "um 'espaço aberto'; esse nada, próprio da existência, faz do home um ente não-estático, não-compacto acessível às possiblidades de mudança".
Acreditava que os intelectuais têm de desempenhar um papel ativo na sociedade. Era um artista militante, e apoiou causas políticas de esquerda com a sua vida e a sua obra. Por este mesmo motivo recusava e repelia as distinções e as funções oficiais, tanto que se recusou a receber o Nobel de literatura de 1964. Sua filosofia dizia que no caso humano (e só no caso humano) a existência precede a essência, pois o homem primeiro existe, depois se define, enquanto todas as outras coisas são o que são, sem se definir, e por isso sem ter uma "essência" posterior à existência.


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Fontes: (JAPIASSU, Dicionário Básico de Filosofia, p.241; SÃO PAULO-SEE, Caderno do professor: filosofia, EM, 3ª S., V.3, pp.18-19; COTRIM, Fundamentos da filosofia, pp.219-220; CHALITA, Vivendo a Filosofia, pp.359-363; http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean-Paul_Sartre)

domingo, 15 de novembro de 2009

VELHICE, Percepção da























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(Contrib.: Camila Fustaino, 2º A - OLB)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

RACISMO (Pergunta&Resposta)

PERGUNTAS
1 qual a origem do racismo?

2 o que é racismo?

3 o que é preconceito

4 qual a diferença entre racismo e preconceito?

5 porque o racismo é considerado um mal universal?

6 o Brasil é um país racista?

7 qual a diferença entre o racismo existente no EUA?

8 alguém interessa ao termo ''raça''? ( falar sobre o termo raça)

9 só existe racismo porque existe raça ou existe raça porque existe racismo?

10 explique a diferença entre preconceito e discriminação?

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RESPOSTAS

1- Desde que "o homem é gente" . As primeiras organiações sociais capitalistas usavam outras pessoas ( que consideravam inferiores) para ter vantagens, mas bem antes disso já existia.

2- Racismo= hostilidade face a um grupo social ou etnia, teoria de superioridade de raça.

3- Preconceito= conceito que se tem antes de conhecer algo ou alguem.

4- O preconceito é o conceito que se tem antes de conhcer algo ou alguem, já o racismo e limitar suas relações a um certo grupo ou a excluir outro por caracteristicas em comum, geralmente raça ou cor.

5- Porque ele é a causa de muitos problemas na sociedade em um todo, como na 2º guerra mundial, desigualdade social e outros que conhecemos.

6- isso é relativo: Na lei diz que devemos ser tratados iguais independente de tudo, mas algumas universidades federais usam a cotas de negros e indios ( dão as vagas pela cor)

7- no Brasil , o racismo é mascarado e lá nos EUA, declarado; embora em ambos não deixa de ser também um racismo [nossa resposta].

8- raça: conjunto de indivíduos que conservam, entre si, por hereditariedade, caracteres psicofísicos semelhantes; a raça dos homens é humana, o resto é bobagem!

9- a raça não deve ser usada para qualificar e separar seres humanos. Se ocorrer, automaticamente é racismo.

10- discrimnação: marginalização devido à diferença, de raça, por exemplo. Diferenças: O preconceito é apenas um conceito, a discriminção é atacar de forma direta ou indireta alguem devido a suas diferenças. ( sexo, cor , religião etc)

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fonte: http://br.answers.yahoo.com/question/index;_ylt=ApC7HMO7rdxt0buxgqbXsVjx6gt.;_ylv=3?qid=20080902074424AAitem3

FEDERALISMO (Proudhon)

Pierre-Joseph Proudhon apresenta uma análise do princípio de federação a partir das relações de liberdade e autoridade que se dão dentro da sociedade. A partir disso, discute as formas de autoridade e aponta o federalismo como forma de solução política para a sociedade. Proudhon assim define sua idéia de federação: “FEDERAÇÃO, do latim foedus, genitivo foederis, quer dizer pacto, contrato, tratado, convenção, aliança [...] o sistema federativo é oposto da hierarquia ou centralização administrativa e governamental”.

A partir de 1858, mais consciente da importância das relações políticas internacionais, Proudhon prossegue a crítica do Estado centralizado (o que vem fazendo desde 1839) mas opõe-lhe, não mais a destruição dos governos, mas a sua limitação num sistema federal. Parece-lhe que a garantia das liberdades deve ser procurada, não somente na negação das autoridades, mas numa organização complexa onde se encontrarão limitadas e reciprocamente contrabalançadas as autoridades e as liberdades. O Federalismo responderia a esta complexidade das dialéticas desde que ele fosse concebido, não como um simples sistema político, mas como um sistema total sócio-econômico, onde os múltiplos grupos seriam os livres criadores das suas relações econômicas e políticas. O problema que se coloca a Proudhon, no momento em que se interroga sobre a constituição social dos grupos nacionais e sobre as relações internacionais, diz respeito simultaneamente à organização política. Na sociedade não-igualitária do regime de propriedade, o político constituía-se por oposição à sociedade econômica e para dominar os conflitos de classe que a desiguldade suscitava. Pelo contrário, numa sociedade socialista, onde a livre solidariedade uniria os indivíduos e os grupos, o direito público, longe de se opor à sociedade econômica, deveria admitir os princípios e não fazer mais que prolongar a organização econômica. Os princípios econômicos, contratualismo, mutualismo, devem estar no fundamento do direito público e reproduzirem-se identicamente: o equilíbrio dinâmico instituído na organização econômica deve reencontrar-se na organização política: a mutualidade econômica transpõe-se na política sob o nome de Federalismo. A concepção federal dos grupos nacionais opõe ao unitarismo centralizador uma visão pluralista de sociedade: enquanto que a tradição monárquica ou jacobina não concebe o bem social que sob a forma de absorção das partes numa centralização única, o federalismo opõe-se a toda centralização e respeita a autonomia dos agrupamentos particulares. Não se trata já de assegurar a unidade ao preço das liberdades mas assegurar ao mesmo tempo a unidade e as liberdades na unidade” (Francisco Trindade).

Todas estas divisões de partidos entre as quais a nossa imaginação cava abismos, todas estas divergências de opinião que nos parecem insolúveis, todos estes antagonismos de sorte que nos parecem sem remédio, encontrariam de repente sua equação definitiva na teoria do governo federativo, segundo
Proudhon.

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Fonte (http://www.editoraimaginario.com.br/untitled.asp?offset=8&registro=32)

ANARQUIA (Bakunin)

Em primeiro lugar, deve-se desprezar concepções errôneas segundo as quais "anarquia" seria sinônimo de "bagunça". Anarquia é ausência de governo e mesmo de atividade parlamentar; que os agentes políticos devem atuar diretamente em busca de manter e ampliar todas as formas de participação nos aspectos decisórios da sociedade em que vivem. Ação Direta, aliás, é o nome que adotam várias organizações anarquistas pelo mundo afora.

"Se quiséssemos substituir um governo por outro, isto é, impor nossa vontade aos outros, bastaria, para isso, adquirir a força material indispensável para abater os opressores e colocarmo-nos em seu lugar. Mas, ao contrário, queremos a Anarquia, isto é, uma sociedade fundada sobre o livre e voluntário acordo, na qual ninguém possa impor sua vontade a outrem, onde todos possamfazer como bem entenderem e concorrer voluntariamente para o bem-estar geral. Seu triunfo só poderá ser definitivo quando universalmente os homens não mais quiserem ser comandados ou comandar outras pessoas e tiverem compreendido as vantagens da solidariedade para saber organizar um sistema social no qual não mais haverá qualquer marca de violência ou coação" (Malatesta, Escritos revolucionários).

A atividade do anarquista, do socialista utópico (em sua sublime acepção de conquista da Esperança possível) não é violenta nem repentina, mas gradual, pedagógica, passo a passo.

"Não se trata de chegar à anarquia hoje, amanhã ou em dez séculos, mas caminhar seguramente rumo à anarquia hoje, amanhã e sempre. A anarquia é a abolição do roubo e da opressão do homem pelo homem, quer dizer, abolição da propriedade privada dos meios materiais e espirituais de produção e do governo formal; a anarquia é a destruição da miséria, da superstição e do ódio entre as pessoas. Portanto, cada golpe desferido nas instituições da propriedade privada dos meios de produção e do governo é um passo rumo à anarquia. Cada mentira desvelada, cada parcela de atividade humana subtraída ao controle da autoridade, cada esforço tendendo a elevar a consciência popular e a aumentar o espírito de solidariedade e de iniciativa, assim com a igualar as condições é um passo a mais rumo à anarquia."




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Fontes: (http://www.culturabrasil.pro.br/anarquia.htm)

SERVIDAO VOLUNTARIA - La Boetie

Existem profundas diferenças entre os homens. Mas, em vez de causas naturais, essas diferenças têm causas sociais. Alguns se alimentam bem todos os dias, têm muito dinheiro, trabalham poucas horas e dispõem de tempo e condições para desfrutar das mais variadas formas de lazer. Enquanto isso, outros, vivem situações absolutamente inversas.

La Boétie procurou explicar o motivo pelo qual as pessoas obedecem o tirano [o poder].
Suas observações e reflexões o levaram a afirmar que a sujeição de muitos por um tirano está relacionada muito mais com desejo do que com medo. Essa é a fonte do poder tirano: o desejo de poder de quem ele subjulga. Isso porque os menos favorecidos que se sujeitam ao tirano desejam também o poder porque este é o meio de ter posses.

Para garantir a posse dos bens, deseja-se a tirania e, para tê-la, acaba-se por obedecer ao tirano. Dessa maneira, as pessoas perdem sua liberdade no momento em que obedecem às outras, em busca da tirania para alcançar seus bens. Para La Boétie, essas pessoas se tornam escravas por livre vontade, vivendo uma verdadeira servidão voluntária.

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La Boétie, no início de seu Discurso da Servidão Voluntária, reporta-se a Homero, através da fala de Ulisses, quando este afirma que é melhor ter um senhor a ter vários. Argumenta dizendo que quando um senhor é mau, estamos sujeitos à infelicidade, quanto mais se nos sujeitarmos a vários. Em seguida, estupefato, o autor constata o absurdo de haver tantos homens, cidades e nações que facilmente se submetem a um só Tirano, cujo poderio é, ironicamente, outorgado por eles próprios. Conclui, então, ser resultado da fraqueza humana o submeter-se à servidão voluntária.

“Não é vergonhoso ver um número infinito de homens não só obedecer, mas rastejar (...)?” (Pág. 75; 9-10). Sob o domínio de um governo tirano, muitas adversidades são impostas, injustificadamente, a despeito de todas as implicações, atingindo desde os bens materiais até os laços afetivos mais caros, tudo ao bel-prazer de um homenzinho, o mais das vezes, covarde, vil e até afeminado.

“Será covardia?” (Pág. 79; 30) Uma humanidade inteira covarde? Como?! “Não é só covardia” (Pág. 75; 33). É o hiato entre a liberdade e a escravidão. Pois são os homens que se deixam escravizar, cair no vazio, no sem sentido de uma existência limitada, fruto de uma doação completa ao domínio tirânico, voluntariamente.

Mas, para alcançar a liberdade, basta aspirá-la? Não é assim tão simples. Como o fogo que consome continuamente para se perpetuar, “os tiranos, quanto mais pilham mais exigem; quanto mais arruínam e destroem, mais se lhes oferece (...); mas se nada se lhes dá (...), semelhante à árvore que, recebendo mais sumo e alimento para sua raiz, em breve é apenas um galho seco e morto” (Pág. 78; 2-9).

Vislumbra-se, assim, uma saída: a firme intenção de desejar as coisas, de cuja posse, torna-nos felizes. Menos a liberdade! Mas por que, já que, sem ela, resta-nos apenas a servidão? Será que a dificuldade reside na amedrontadora facilidade de ser livre?

Todos se enfraquecem para que um se fortaleça!


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Fontes: (SÃO PAULO-SEE, Caderno do professor: filosofia, EM, 1ª S., V.3, p.26)