domingo, 22 de novembro de 2009

AS APARÊNCIAS ENGANAM

Sem maiores preocupações com o vestir, o médico conversava descontraído com o enfermeiro e o motorista da ambulância, quando uma senhora elegante chega e de forma ríspida, pergunta: - Vocês sabem onde está o médico do hospital?

Com tranqüilidade o médico respondeu - Boa tarde, senhora! Em que posso ser útil?
Ríspida, retorquiu: - Será que o senhor é surdo? Não ouviu que estou procurando pelo médico?

Mantendo-se calmo, contestou: - Boa tarde, senhora! O médico sou eu, em que posso ajudá-la ?!?!

- Como?!?! O senhor?!?! Com essa roupa?!?!...

- Ah, Senhora! Desculpe-me! Pensei que a senhora estivesse procurando um médico e não uma vestimenta...

- Oh! Desculpe doutor! Boa tarde! É que... Vestido assim, o senhor nem parece um médico...

- Veja bem as coisas como são... - disse o médico - ... as vestes parecem não dizer muitas coisas, pois quando a vi chegando, tão bem vestida, tão elegante, pensei que a senhora fosse sorrir educadamente para todos e depois daria um simpaticíssimo "boa tarde!"; como se vê, as roupas nem sempre dizem muito...

Um dos mais belos trajes da alma é a educação; sabemos que a roupa faz a diferença mas o que não podemos negar é que: Falta de Educação, Arrogância, Falta de Humildade, Pessoas que se julgam donas do mundo e da verdade, Grosseria e outras "qualidades" derrubam qualquer vestimenta. Bastam às vezes, apenas 5 minutos de conversa para que o ouro da vestimenta se transforme em barro.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

BALANÇO FINAL (Simone de Beauvoir)

Cada manhã, antes mesmo de abrir os olhos, reconheço minha cama, meu quarto. Mas se durmo à tarde, em meu estúdio, experimento às vezes, ao acordar, um espanto pueril: por que sou eu? O que me surpreende - como à criança quando toma consciência de sua própria identidade - é o fato de encontrar-me aqui, agora, dentro dessa vida e não de uma outra: por que acaso? Se a considero do exterior, em primeiro lugar parece inacreditável que eu tenha nascido. A penetração de um determinado óvulo por um determinado espermatozóide, os seus ancestrais, não tinha uma chance entre milhares de ocorrer. Foi um acaso, conforme o estado atual da ciência, totalmente imprevisível que me fez nascer mulher. Depois para cada instante de meu passado mil futuros diferents me parecem concebíveis: adoecer e interromper meus estudos; não conhecer Sartre; qualquer outra coisa (Beauvoir, Balanço final).
nota: aqui, Simone de Beauvoir fala sobre o nascimento ea história, as circunstâncias ou a especificidade das ações humanas, o destino ou a liberdade, temas privilegiados pelos existencialistas.

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Fontes: CHALITA, Vivendo a Filosofia, p.361)

NEGRITUDE (Jean-Paul Satre)

A condição do negro está ligada ao racismo e à miséria [1]. A miséria causado pelo racismo e pelas políticas de Estado pós-libertação dos escravos e a despreocupação das autoridades geram um contingente de excluídos ou marginalizados, que são reconhecidos pela mesma cor de pele, cabelo, lábios e cultura de raízes africanas - os negros.
A falta do mínimo necessário para a vida gerou e fera duas orientações: a revolta e a acomodação.
a) a revolta: pode ser política, isto é, negros e negras se encontram para discutir o que lhes faz sofrer e cobrar das autoridades a igualdade;
b) a acomodação: pode ser entendida como uma alienação. Muitos negros e negras simplesmente aceitam o papel que as elites lhes impuseram durante séculos - a de que eram trabalhadores braçais em situação precária. Por outro lado, a alienação pode gerar a vitimização: o indivíduo se vê sempre perseguido e incapaz de agir, o que resulta em baixa autoestima. Em consequência, os negros valorizam outras culturas, como a da hegemonia branca europeia.
O negro precisa encontrar a sua 'negritude', que é a maneira dialética, ou a negação da injustiça, causada pelo capitalismo. A condição negra de miséria, de humilhação e exclusão social, foi gerada pelo capitalismo, em processos de escravização de um povo sobre outro povo.
Do ponto de vista cultural, diferentemente do proletário europeu, formado pelas fábricas, o negro tece um espaço para desenvolver sua cultura, que só podia ser uma cultura de resistência. Cada vez que o negro coloca uma roupa que expressa sua identidade, compõe uma música que fala de sua vida, não tenta moldar o seu corpo para ser igual aos outros, ele produz a 'negritude', a resistência cultural dentro do capitalismo racial e cristão. A negação do ato colonizador.
O capitalismo colocou o burguês e o trabalhador em oposição por meio de uma situação de exploração. Mas o capitalismo também colocou o branco europeu em oposição ao negro escravo e ao negro pós-libertação, o que também resultou em formas de exploração. O capitalista oprime o trabalhador enquanto, em certa medida, o trabalhador branco oprime o negro. Por isso, o negro deve assumir a consciência de que a sua raça é explorada por uma questão social de dominação do homem branco e não por sua natureza biológica.
Em Sartre, há uma diferença entre o trabalhador branco e o trabalhador negro, pois apesar de ambos sofrerem as dificuldade da pobreza, o negro sofre como negro, isto é, além da pobreza, ele encontra a discriminação junto àqueles que também são pobres e oprimidos, e até os trabalhadores brancos discriminam o trabalhador negro.
É preciso que cada um tome consciência de sua condição; que o trabalhador tome consciência de sua exploração e perceba que os problemas advêm de sua posição no mundo capitalista; que o negro identifique sua condição de submetido pelo racismo. Sob esta inspiração, pode-se pensar que a consciência de que é submetido ao racismo deve favorecer o entendimento por parte dos negros de que é preciso assumir-se como negro, sem negar origens africanas e história cultural, mas negando a condição de exclusão e inferioridade de que foram vítimas. Assim, o negro deve orgulhar-se de sua negritude, atribuindo significados positivos ao fato de ser negro.
Sartre inspira um pensamento de valorização do negro. Um olhar sobre o mundo. Uma compreensão de que o negro não poder ser conjugado como o mal [2].
A ideia de negritude entendida como valorização do negro e crítica à visão negativa do mesmo impõe outra opção à ordem da cultura excludente. Sendo chamados de negros ou afrodescendentes, essas pessoas se encontraram pela negritude, que significa valorização do negro, da história dos povos africanos, da cultura negra e de uma nova visão sobre os negros, bem como sobre a impressão de superação da exclusão social a que foram submetidos.
A negritude seria o desenvolvimento da cultura negra após a colonização. Nela, estaria uma inversão em oposição ao sistema eurocêntrico capitalista e branco. A negritude revela o racismo.

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1. Considerando a população brasileira em geral, pode-se afirmar que raros sãos os casos nos quais os negros supram condição de pobreza ou mesmo de miséria e recebem notoriedade social.
2. A cultura brasileira associa palavras negro, negra, preto ou preta e crítica a ideia pejorativas. Por exemplo, o que significam as expressões "mercado negro", "o lado negro", "magia negra", " a coisa está preta"?.

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Fontes: (SÃO PAULO-SEE, Caderno do professor: filosofia, EM, 2ª S., V.3, pp.18-19)

SARTRE, Jean-Paul

Jean-Paul Charles Aymard Sartre (21/06/1905 Paris - 15/04/1980 Paris) tornou-se o filósofo maus conhecido da corrente existencialista. Grande parte de sua fama deve-se não propriamente à usa obra filosófica, mas às usas peças de teatro e romances, dentre os quais se destacam A náusea, O muro (1938), A idade da razão (1939), O diabo e o bom Deus (1951).
Desde muito cedo começou a escrever e era incentivado pela mãe, pela avó, pelo tio (que o presenteou com uma máquina de escrever) e por uma professora, a sra. Picard, que via nele a vocação de escritor profissional. Aos poucos, o jovem Sartre passou a encontrar sua verdadeira vocação na escrita.
A principal obra filosófica de Sarte é O ser e o nada (1939). Nesta obra, ele ataca duramente a teoria aristotélica da potência. Para Satre, o ser é o que é. Trata-se, na linguagem satriana, do ente em-si. Esse ente "não é ativo, mas simplesmente repousa em si, maciço e rígido".
Mas, além do ente em-si, Sartre concebe a existência do ser especificamente humano, denominando-o ente para-si. O entre para-si específico do homem se opõe ao ente em-si, que reprsenta a plenitude do ser. Portanto, para Sarte, a caractrística tipicament humana é o nada: "um 'espaço aberto'; esse nada, próprio da existência, faz do home um ente não-estático, não-compacto acessível às possiblidades de mudança".
Acreditava que os intelectuais têm de desempenhar um papel ativo na sociedade. Era um artista militante, e apoiou causas políticas de esquerda com a sua vida e a sua obra. Por este mesmo motivo recusava e repelia as distinções e as funções oficiais, tanto que se recusou a receber o Nobel de literatura de 1964. Sua filosofia dizia que no caso humano (e só no caso humano) a existência precede a essência, pois o homem primeiro existe, depois se define, enquanto todas as outras coisas são o que são, sem se definir, e por isso sem ter uma "essência" posterior à existência.


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Fontes: (JAPIASSU, Dicionário Básico de Filosofia, p.241; SÃO PAULO-SEE, Caderno do professor: filosofia, EM, 3ª S., V.3, pp.18-19; COTRIM, Fundamentos da filosofia, pp.219-220; CHALITA, Vivendo a Filosofia, pp.359-363; http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean-Paul_Sartre)

domingo, 15 de novembro de 2009

VELHICE, Percepção da























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(Contrib.: Camila Fustaino, 2º A - OLB)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

RACISMO (Pergunta&Resposta)

PERGUNTAS
1 qual a origem do racismo?

2 o que é racismo?

3 o que é preconceito

4 qual a diferença entre racismo e preconceito?

5 porque o racismo é considerado um mal universal?

6 o Brasil é um país racista?

7 qual a diferença entre o racismo existente no EUA?

8 alguém interessa ao termo ''raça''? ( falar sobre o termo raça)

9 só existe racismo porque existe raça ou existe raça porque existe racismo?

10 explique a diferença entre preconceito e discriminação?

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RESPOSTAS

1- Desde que "o homem é gente" . As primeiras organiações sociais capitalistas usavam outras pessoas ( que consideravam inferiores) para ter vantagens, mas bem antes disso já existia.

2- Racismo= hostilidade face a um grupo social ou etnia, teoria de superioridade de raça.

3- Preconceito= conceito que se tem antes de conhecer algo ou alguem.

4- O preconceito é o conceito que se tem antes de conhcer algo ou alguem, já o racismo e limitar suas relações a um certo grupo ou a excluir outro por caracteristicas em comum, geralmente raça ou cor.

5- Porque ele é a causa de muitos problemas na sociedade em um todo, como na 2º guerra mundial, desigualdade social e outros que conhecemos.

6- isso é relativo: Na lei diz que devemos ser tratados iguais independente de tudo, mas algumas universidades federais usam a cotas de negros e indios ( dão as vagas pela cor)

7- no Brasil , o racismo é mascarado e lá nos EUA, declarado; embora em ambos não deixa de ser também um racismo [nossa resposta].

8- raça: conjunto de indivíduos que conservam, entre si, por hereditariedade, caracteres psicofísicos semelhantes; a raça dos homens é humana, o resto é bobagem!

9- a raça não deve ser usada para qualificar e separar seres humanos. Se ocorrer, automaticamente é racismo.

10- discrimnação: marginalização devido à diferença, de raça, por exemplo. Diferenças: O preconceito é apenas um conceito, a discriminção é atacar de forma direta ou indireta alguem devido a suas diferenças. ( sexo, cor , religião etc)

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fonte: http://br.answers.yahoo.com/question/index;_ylt=ApC7HMO7rdxt0buxgqbXsVjx6gt.;_ylv=3?qid=20080902074424AAitem3

FEDERALISMO (Proudhon)

Pierre-Joseph Proudhon apresenta uma análise do princípio de federação a partir das relações de liberdade e autoridade que se dão dentro da sociedade. A partir disso, discute as formas de autoridade e aponta o federalismo como forma de solução política para a sociedade. Proudhon assim define sua idéia de federação: “FEDERAÇÃO, do latim foedus, genitivo foederis, quer dizer pacto, contrato, tratado, convenção, aliança [...] o sistema federativo é oposto da hierarquia ou centralização administrativa e governamental”.

A partir de 1858, mais consciente da importância das relações políticas internacionais, Proudhon prossegue a crítica do Estado centralizado (o que vem fazendo desde 1839) mas opõe-lhe, não mais a destruição dos governos, mas a sua limitação num sistema federal. Parece-lhe que a garantia das liberdades deve ser procurada, não somente na negação das autoridades, mas numa organização complexa onde se encontrarão limitadas e reciprocamente contrabalançadas as autoridades e as liberdades. O Federalismo responderia a esta complexidade das dialéticas desde que ele fosse concebido, não como um simples sistema político, mas como um sistema total sócio-econômico, onde os múltiplos grupos seriam os livres criadores das suas relações econômicas e políticas. O problema que se coloca a Proudhon, no momento em que se interroga sobre a constituição social dos grupos nacionais e sobre as relações internacionais, diz respeito simultaneamente à organização política. Na sociedade não-igualitária do regime de propriedade, o político constituía-se por oposição à sociedade econômica e para dominar os conflitos de classe que a desiguldade suscitava. Pelo contrário, numa sociedade socialista, onde a livre solidariedade uniria os indivíduos e os grupos, o direito público, longe de se opor à sociedade econômica, deveria admitir os princípios e não fazer mais que prolongar a organização econômica. Os princípios econômicos, contratualismo, mutualismo, devem estar no fundamento do direito público e reproduzirem-se identicamente: o equilíbrio dinâmico instituído na organização econômica deve reencontrar-se na organização política: a mutualidade econômica transpõe-se na política sob o nome de Federalismo. A concepção federal dos grupos nacionais opõe ao unitarismo centralizador uma visão pluralista de sociedade: enquanto que a tradição monárquica ou jacobina não concebe o bem social que sob a forma de absorção das partes numa centralização única, o federalismo opõe-se a toda centralização e respeita a autonomia dos agrupamentos particulares. Não se trata já de assegurar a unidade ao preço das liberdades mas assegurar ao mesmo tempo a unidade e as liberdades na unidade” (Francisco Trindade).

Todas estas divisões de partidos entre as quais a nossa imaginação cava abismos, todas estas divergências de opinião que nos parecem insolúveis, todos estes antagonismos de sorte que nos parecem sem remédio, encontrariam de repente sua equação definitiva na teoria do governo federativo, segundo
Proudhon.

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Fonte (http://www.editoraimaginario.com.br/untitled.asp?offset=8&registro=32)

ANARQUIA (Bakunin)

Em primeiro lugar, deve-se desprezar concepções errôneas segundo as quais "anarquia" seria sinônimo de "bagunça". Anarquia é ausência de governo e mesmo de atividade parlamentar; que os agentes políticos devem atuar diretamente em busca de manter e ampliar todas as formas de participação nos aspectos decisórios da sociedade em que vivem. Ação Direta, aliás, é o nome que adotam várias organizações anarquistas pelo mundo afora.

"Se quiséssemos substituir um governo por outro, isto é, impor nossa vontade aos outros, bastaria, para isso, adquirir a força material indispensável para abater os opressores e colocarmo-nos em seu lugar. Mas, ao contrário, queremos a Anarquia, isto é, uma sociedade fundada sobre o livre e voluntário acordo, na qual ninguém possa impor sua vontade a outrem, onde todos possamfazer como bem entenderem e concorrer voluntariamente para o bem-estar geral. Seu triunfo só poderá ser definitivo quando universalmente os homens não mais quiserem ser comandados ou comandar outras pessoas e tiverem compreendido as vantagens da solidariedade para saber organizar um sistema social no qual não mais haverá qualquer marca de violência ou coação" (Malatesta, Escritos revolucionários).

A atividade do anarquista, do socialista utópico (em sua sublime acepção de conquista da Esperança possível) não é violenta nem repentina, mas gradual, pedagógica, passo a passo.

"Não se trata de chegar à anarquia hoje, amanhã ou em dez séculos, mas caminhar seguramente rumo à anarquia hoje, amanhã e sempre. A anarquia é a abolição do roubo e da opressão do homem pelo homem, quer dizer, abolição da propriedade privada dos meios materiais e espirituais de produção e do governo formal; a anarquia é a destruição da miséria, da superstição e do ódio entre as pessoas. Portanto, cada golpe desferido nas instituições da propriedade privada dos meios de produção e do governo é um passo rumo à anarquia. Cada mentira desvelada, cada parcela de atividade humana subtraída ao controle da autoridade, cada esforço tendendo a elevar a consciência popular e a aumentar o espírito de solidariedade e de iniciativa, assim com a igualar as condições é um passo a mais rumo à anarquia."




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Fontes: (http://www.culturabrasil.pro.br/anarquia.htm)

SERVIDAO VOLUNTARIA - La Boetie

Existem profundas diferenças entre os homens. Mas, em vez de causas naturais, essas diferenças têm causas sociais. Alguns se alimentam bem todos os dias, têm muito dinheiro, trabalham poucas horas e dispõem de tempo e condições para desfrutar das mais variadas formas de lazer. Enquanto isso, outros, vivem situações absolutamente inversas.

La Boétie procurou explicar o motivo pelo qual as pessoas obedecem o tirano [o poder].
Suas observações e reflexões o levaram a afirmar que a sujeição de muitos por um tirano está relacionada muito mais com desejo do que com medo. Essa é a fonte do poder tirano: o desejo de poder de quem ele subjulga. Isso porque os menos favorecidos que se sujeitam ao tirano desejam também o poder porque este é o meio de ter posses.

Para garantir a posse dos bens, deseja-se a tirania e, para tê-la, acaba-se por obedecer ao tirano. Dessa maneira, as pessoas perdem sua liberdade no momento em que obedecem às outras, em busca da tirania para alcançar seus bens. Para La Boétie, essas pessoas se tornam escravas por livre vontade, vivendo uma verdadeira servidão voluntária.

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La Boétie, no início de seu Discurso da Servidão Voluntária, reporta-se a Homero, através da fala de Ulisses, quando este afirma que é melhor ter um senhor a ter vários. Argumenta dizendo que quando um senhor é mau, estamos sujeitos à infelicidade, quanto mais se nos sujeitarmos a vários. Em seguida, estupefato, o autor constata o absurdo de haver tantos homens, cidades e nações que facilmente se submetem a um só Tirano, cujo poderio é, ironicamente, outorgado por eles próprios. Conclui, então, ser resultado da fraqueza humana o submeter-se à servidão voluntária.

“Não é vergonhoso ver um número infinito de homens não só obedecer, mas rastejar (...)?” (Pág. 75; 9-10). Sob o domínio de um governo tirano, muitas adversidades são impostas, injustificadamente, a despeito de todas as implicações, atingindo desde os bens materiais até os laços afetivos mais caros, tudo ao bel-prazer de um homenzinho, o mais das vezes, covarde, vil e até afeminado.

“Será covardia?” (Pág. 79; 30) Uma humanidade inteira covarde? Como?! “Não é só covardia” (Pág. 75; 33). É o hiato entre a liberdade e a escravidão. Pois são os homens que se deixam escravizar, cair no vazio, no sem sentido de uma existência limitada, fruto de uma doação completa ao domínio tirânico, voluntariamente.

Mas, para alcançar a liberdade, basta aspirá-la? Não é assim tão simples. Como o fogo que consome continuamente para se perpetuar, “os tiranos, quanto mais pilham mais exigem; quanto mais arruínam e destroem, mais se lhes oferece (...); mas se nada se lhes dá (...), semelhante à árvore que, recebendo mais sumo e alimento para sua raiz, em breve é apenas um galho seco e morto” (Pág. 78; 2-9).

Vislumbra-se, assim, uma saída: a firme intenção de desejar as coisas, de cuja posse, torna-nos felizes. Menos a liberdade! Mas por que, já que, sem ela, resta-nos apenas a servidão? Será que a dificuldade reside na amedrontadora facilidade de ser livre?

Todos se enfraquecem para que um se fortaleça!


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Fontes: (SÃO PAULO-SEE, Caderno do professor: filosofia, EM, 1ª S., V.3, p.26)

ESTADO, O (John Locke)

Muitos filósofos trataram do tema Estado, como fruto de um pacto ou contrato a partir da união dos indivíduos. Em geral, esses filósofos se basearam no direito natural, ou seja, no jusnaturalismo. Hobbes, Rousseau e LOCKE discordaram do significado exato desses direitos, mas, de qualquer forma, muitas de suas teorias filosóficas foram bem-aceitas por uma classe tipicamente moderna, que é a burguesia. Em síntese, esse ideário ajudou a burguesia a se libertar da mediação política da tradição medieval e da Igreja Católica.

De modo especial, John Locke, ao se referir aos direitos naturais, pensava que todos nascem com direito:
  • à vida
  • à liberdade;
  • à propriedade.
Por isso, é função do Estado fazer com que a ida, a liberdade e a propriedade de cada um sejam respeitadas. Dessa maneira, a burguesia, que estava em plena ascensão entre os séculos XVII e XVIII, encontrou nessa teoria uma das bases para a legitimação de seu poder.

Com a teoria do indivíduo proprietário e livre para lucrar com o comércio e a indústria, constituiu-se o fundamento do liberalismo. No liberalismo, o Estado é responsável pela guarda das propriedades particulares contra os pobres, já que esses teriam perdido sua propriedade por usarem mal a própria liberdade. Assim, a pobreza é tida como responsabilidade do pobre, que deve usar a sua liberdade para o trabalho como fonte de novas propriedades.

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Fontes: (SÃO PAULO-SEE, Caderno do professor: filosofia, EM, 1ª S., V.3, p.26)

MOVIMENTOS SOCIAIS (Cartazes)

MOVIMENTOS SOCIAIS

Cartaz 1. Mov. Negro

Cartaz 2. Mov. Negro

Cartaz 3. Mov. GLBT

Cartaz 4. Mov. GLBT

Cartaz 5. Mov. Ambientalista

Cartaz 6. Mov. Ambientalista

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MOVIMENTOS SOCIAIS - 3º Anos (EE.Dr. Jorge Coury)

1. Movimento Nego, elaborado por: Bruna, 06; Cintia, 7; Felipe, 11; Guilherme, 12; Guilherme, 13; Livia, 21; Nilton, 27; Gianne, 32;
2. Movimento Nego, elaborado por: Anne, 4; Gerson, 13; Ingrid, 15; Renata, 24; Rogério, 26; Luis Vinicius, 20; Vilson, 30; Bruno, 35;
3. Movimento GLBT, elaborado por: Fabiana, 10; Filipe, 12; Gizele, 14; Pablo, 33; Danigleice, 32;
4. Movimento GLBT, elaborado por: Adriele, 1; Lais, 20; Marcela, 24; Murilo, 25; Patricia, 28; Natacha, 34;
5. Movimento Ambientalista, elaborado por: Carlos, 7; Jenifer, 16; Juliete, 19; Robson, 23; Romullo, 25; Sidney, 28
6. Movimento Ambientalista, elaborado por: Alexandre, 2; Augusto, 3; Bruna, 5; Deivid, 8; Denys, 9; Gustavo, 15; Magson, 23;

MOIRAS

AS DEUSAS DO DESTINO (MOIRAS)
"Já tive ocasião de dizer que o próprio Zeus sentia um sagrado e respeitoso temor da deusa Noite. Segundo as narrativas dos discípulos de Orfeu, que deixarei para mais tarde, própria Nyx era uma deusa tríplice. Entre os filhos da Noite figuravam as deusas do Destino, as Moiras. Essa tradição a respeito delas está no nosso Hesíodo, conquanto ele também afirme que as três deusas eram filhas de Zeus e da deusa Têmis. No dizer dos menos antigos devotos de Orfeu, elas viviam no Céu, numa caverna ao pé do lago cuja água branca jorra da mesma caverna: clara imagem do luar. O nome delas, a palavra moira, significa "parte"; e o seu número, explicam os orfistas, corresponde ao das três "partes"da lua; e é por isso que Orfeu canta "as Moiras de vestes alvas" (KERÉNYI, 1997).

Na Mitologia grega as moiras (em Língua grega antiga Μοῖραι) eram as três irmãs que determinavam o destino, tanto da Divindade (deuses), quanto dos seres humanos, eram três mulheres lúgubres, responsáveis por fabricar, tecer e cortar aquilo que seria o fio da vida de todos os indivíduos. Durante o trabalho, as moiras fazem uso da Roda da Fortuna, que é o tear utilizado para se tecer os fios, as voltas da roda posicionam o fio do indivíduo em sua parte mais privilegiada (o topo) ou em sua parte menos desejável (o fundo), explicando-se assim os períodos de boa ou má sorte de todos. As três deusas decidiam o destino individual dos antigos gregos e pertenciam à primeira geração divina (os deuses primordiais), e assim como Nix, eram domadoras de deusas e homens.

As moiras eram filhas de Nix (a noite). Moira, no singular, era inicialmente o destino. Na Iliada, representava uma lei que pairava sobre deuses e homens, pois nem Zeus estava autorizado a transgredi-la sem interferir na harmonia cósmica. Na Odisséia aparecem as fiandeiras.

As Moiras eram:

  • Átropos (Ἄτροπος; átropos) que para o grego significa aquela que segurava o fuso e tecia o fio da vida. Átropos era a responsável pelo "fiar", atuava como deusa dos nascimentos e partos.
  • Cloto (Κλωθώ; klothó) em grego significa aquela que sortear puxava e enrolava o fio tecido. Cloto, sorteando o quinhão de atribuições que se ganhava em vida.
  • Láquesis (Λάχεσις; láchesis) grego significa aquela que afastarva, ela cortava o fio da vida, determinava o fim da vida.
O fio da vida ficava a mercê das Moiras: Átropos fiava, Cloto enrolava e Láquesis cortava.

Por se tratar de um mito muito difundido, há confusões quanto aos nomes e funções das moiras. O que importa, no entanto, é a ideia de destino: algo fora do ser humano decide sobre a sua sorte, que já está determinada.

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Fontes: (JAPIASSU, Dicionário Básico de Filosofia, p.6; SÃO PAULO-SEE, Caderno do professor: filosofia, EM, 3ª S., V.3, p.16; CHALITA, Vivendo a Filosofia, p.25; http://pt.wikipedia.org/wiki/Moiras; Karl KERÉNYI, Os deuses gregos, 1997. In:http://www.lunaeamigos.com.br/mitologia/moiras.htm .

ALBERTO MAGNO, Santo

Alberto Magno (1200 Baviera - 1280 Colônia) nasceu de numa família militar que desejava para Alberto uma carreira militar ou administrativa. Mas, após de concluir os seus estudos em Pádua e em Paris, optou por seguir um caminho sacerdotal, entrando na Ordem de São Domingos. Devido à sua crescente fé em Deus e em Jesus Cristo e à sua dedicação à Ordem, foi promovido a superior provincial e mais tarde, nomeado bispo. Tornou-se famoso por seu vasto conhecimento e por sua defesa da coexistência pacífica da ciência e da religião. Ele é considerado o maior filósofo e teólogo alemão da Idade Média, e foi o primeiro intelectual medieval a aplicar a filosofia de Aristóteles no pensamento cristão.

Especulando sobre como atingir o conhecimento da verdade, procurou demonstrar que se podia alcançá-la por meio da revelação e da fé quanto por meio da filosofia e da ciência, sem contradições. Embora houvesse mistérios acessíveis somente à fé, alguns aspectos da doutrina cristão, como a imortalidade da alma, podiam ser compreendidos também pela razão. Sobre a liberdade, também dizia ser ela fruto da razão: "o homem livre é aquele que é causa de si e que não é coagido pelo poder de outro".

Dominava bem a Filosofia e a Teologia (matérias em que teve Tomás de Aquino como discípulo) e mostrou também grande interesse em ciências naturais ao ponto de dispensar, com a autorização do Papa, o episcopado, para continuar a prosseguir os seus estudos e a sua investigação com tranquilidade. Ocupou-se em várias áreas de conhecimento, como a mecânica, zoologia, botânica, metereologia, agricultura, física, química, tecelagem, navegação e mineralogia, de onde lhe valeu o apelido de Doutor Universal. Ele inseriu estes conhecimentos no seu caminho único de santidade, afirmando que a intenção última dele era conhecer a ciência de Deus. A suas obras escritas encheram 22 grossos volumes e exemplificou como viver com equilíbrio e graça a fé que não contradiz a razão.


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Fontes: (JAPIASSU, Dicionário Básico de Filosofia, p.6; SÃO PAULO-SEE, Caderno do professor: filosofia, EM, 3ª S., V.3, p.23; CHALITA, Vivendo a Filosofia, pp.162-164; http://pt.wikipedia.org/wiki/Santo_Alberto_Magno)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

DUAS VONTADES, As (Santo Agostinho)

[...] Por isso eu suspirava, atado, não pelas férreas cadeias duma vontade alheia, mas pelas minhas, também de ferro.
O inimigo dominava o meu querer, e dele me forjava uma cadeia com que me apertava. Ora, a luxúria provém da vontade pervesa. enquanto se serve à luxúria, contrai-se o hábito; e, se não se resiste a um hábito, origina-se uma necessidade. Era assim que, por uma espécie de anéis entrelaçados - por isso lhes chamei cadeia - , me segurava apertado em dura escravidão. A vontade nova, que começava a existir em mim, a vontade Vos honrar gratuitamente e de querer gozar de Vós, ó meu Deus, único contentamento seguro, ainda não se achava apta parasuperar a outra votnade, fortificada pela concupiscência. Assim, duas vontades, uma concupiscente, outra dominada, uma carnal e outra espiritual, batalhavam mutuamente em mim. Discordando, dilaceram-me a alma (Confissões, VIII, pp.134-135) .

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SANTO AGOSTINHO, Confissões, De magistro (Col. Os pensadores). São Paulo:Abril, 1987, 324p.

VONTADE

Do latim voluntas. 1. Disposição para agir. Exercício da atividade pessoal e consciente que resulta de um desejo e se concretiza na intenção de se obter um fim ou propósito determinado. Ex.: vontade gritar. Ver ação; volutarismo (Dicionário de Filosofia)

No campo da teologia: Para os filósofos Santo Agostinho e Descartes, vontade e liberdadesão a mesma coisa: a faculdade através da qual somos dignos de louvor, quando escolhemos o bom e dignos de reprovação, quando escolhemos o mau. Agostinho e Descartes concordam em que o fato de nós humanos termos vontade nos torna responsáveis pelas nossas decisões e acões. A dimensão moral do homem decorre do fato dele ter vontade. Em Agostinho, a escolha digna de reprovação é pecado. Em Descartes é erro. O pecado é uma falta religiosa oriunda da vontade. O erro é uma falta moral ou epistêmica. Moral quando a falta oriunda da vontade é prática. Epistêmica quando a falta oriunda da vontade é teórica. Agostinho e Descartes também concordam em afirmar que o fato de termos vontade não só nos torna responsáveis por nossos atos e decisões como também livra Deus de qualquer responsabilidade sobre a mesma, tal como explica a teodicéia (Wikipedia).

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Fontes: (JAPIASSU, Dicionário Básico de Filosofia, p.272;http://pt.wikipedia.org/wiki/Vontade )

MAL, O problema do (Santo Agostinho)

Do latim, malum. 1. Em um sentido geral, tudo que é negativo, nocivo ou prejudicial a alguém. "Podemos considerar o mal em um sentido metafísico, físico ou moral. O mal metafísico consiste na simples imperfeição; o mal físico no sofrimento; o mal moral no pecado, segundo Leibniz (Dicionário de Filosofia).

O mal, segundo Santo Agostinho, é o estado em que o homem se afasta de Deus, de seus preceitos, de seu amor. Contudo, é uma condição presente na vida de todos os homens, devido ao pecado original de Adão e Eva, conforme o livro bíblico, Gênesis. O afastamento da convivência espiritual com Deus e a desobediência à sua vontade provoca todo o mal presente na vida dos homens. Somente por intermédio de Jesus Cristo, o filho de Deus encarnado, os homens podem ser redimidos e reviver o estado pleno de bondade junto a Deus (Chalita).

Santo Agostinho tenta provar de forma filosófica de que Deus não é o criador do mal, em seu livro 'O Livre-arbítrio'. Pois, para ele, tornava-se inconcebível o fato de que um ser tão bom, pudesse ter criado o mal. A concepção que Agostinho tem do mal, esta baseada na teoria platônica, assim o mal não é um ser, mas sim a ausência de um outro ser, o bem. O mal é aquilo que "sobraria" quando não existe mais a presença do bem. Deus seria a completa personificação deste bem, portanto não poderia ter criado o mal. Deus em sua perfeição, quis criar um ser que pudesse ser autônomo e assim escolher o bem de forma voluntária. O homem, então, é o único ser que possuiria as faculdades da vontade, da liberdade e do conhecimento. Por esta forma ele é capaz de entender os sentidos existentes em si mesmo e na natureza. Ele é um ser capacitado a escolher entre algo bom (proveniente da vontade de Deus) e algo mal (a prevalência da vontade das paixões humanas) (Wikipedia).




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Fontes: (JAPIASSU, Dicionário Básico de Filosofia, pp.171-172; CHALITA, Vivendo a Filosofia, p.122; http://pt.wikipedia.org/wiki/Santo_agostinho)

LIVRE ARBÍTRIO

Faculdade que tem o indivíduo de determinar, com base em sua consciência apenas, a sua própria conduta; liberdade de escolha alternativa do indivíduo; liberdade de autodeterminação que consiste numa decisão independentemente de qualquer constrangimento externo mas de acordo com os motivos e intenções do próprio indivpiduo. Desde Santo Agostinho, passando pelos jansenistas e luteranos, o livre arbítrio tem sido tema de grandes polêmicas em teologia e em ética (Dicionário de Filosofia).

A expressão costuma ter conotações objetivistas e subjetivistas. No primeiro caso indicam que a realização de uma ação por um agente não é completamente condicionada por fatores antecedentes. No segundo caso indicam a percepção que o agente tem que sua ação originou-se na sua vontade. Tal percepção é chamada algumas vezes de "experiência da liberdade". A existência do livre-arbítrio tem sido uma questão central na história da filosofia e na história da ciência. O conceito de livre-arbítrio tem implicações religiosas, morais, psicológicas e científicas. Por exemplo, no domínio religioso o livre-arbítrio pode implicar que uma divindade onipotente não imponha seu poder sobre a vontade e as escolhas idndividuais. Em ética, o livre-arbítrio pode implicar que os indivíduos possam ser considerados moralmente responsáveis pelas suas ações. Em psicologia, ele implica que a mente controla certas ações do corpo (Wikipedia).




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Fontes: (JAPIASSU, Dicionário Básico de Filosofia, p.164; http://pt.wikipedia.org/wiki/Livre_arbitrio)

AGOSTINHO, Santo

Aurélio Agostinho (13/11/354 Tagasta - 28/08/430 Hipona), nasceu na Numídia (atual Argélia), de uma família burguesa, a 13 de novembro do ano 354. Seu pai, Patrício, era pagão, recebido o batismo pouco antes de morrer; sua mãe, Mônica, pelo contrário, era uma cristã fervorosa, e exercia sobre o filho uma notável influência religiosa. Indo para Cartago, a fim de aperfeiçoar seus estudos, começados na pátria, desviou-se moralmente. Caiu em uma profunda sensualidade, que, segundo ele, é uma das maiores conseqüências do pecado original; dominou-o longamente, moral e intelectualmente, fazendo com que aderisse ao maniqueísmo, que atribuía realidade substancial tanto ao bem como ao mal, julgando achar neste dualismo maniqueu a solução do problema do mal e, por conseqüência, uma justificação da sua vida. Tendo terminado os estudos, abriu uma escola em Cartago, donde partiu para Roma e, em seguida, para Milão. Afastou-se definitivamente do ensino em 386, aos trinta e dois anos, por razões de saúde e, mais ainda, por razões de ordem espiritual.
Entrementes - depois de maduro exame crítico - abandonara o maniqueísmo, abraçando a filosofia neoplatônica que lhe ensinou a espiritualidade de Deus e a negatividade do mal. Destarte chegara a uma concepção cristã da vida - no começo do ano 386. Entretanto a conversão moral demorou ainda, por razões de luxúria. Finalmente, como por uma fulguração do céu, sobreveio a conversão moral e absoluta, no mês de setembro do ano 386. Agostinho renuncia inteiramente ao mundo, à carreira, ao matrimônio; retira-se, durante alguns meses, para a solidão e o recolhimento, em companhia da mãe, do filho e dalguns discípulos, perto de Milão. Aí escreveu seus diálogos filosóficos, e, na Páscoa do ano 387, juntamente com o filho Adeodato e o amigo Alípio, recebeu o batismo em Milão das mãos de Santo Ambrósio, cuja doutrina e eloqüência muito contribuíram para a sua conversão. Tinha trinta e três anos de idade.

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Fontes: (JAPIASSU, Dicionário Básico de Filosofia, p.5; CHALITA, Vivendo a Filosofia, pp.119-130; COTRIM, Fundamentos da Filosofia, pp.118-121; http://pt.wikipedia.org/wiki/Santo_agostinho)

domingo, 8 de novembro de 2009

HOMEM SE FAZ, O (Sartre)

O homem faz-se; não está realizado logo de inicio, faz-se escolhendo sua moral, e a pressão das circunstâncias é tal que ele não pode deixar de escolher uma. Não definimos o homem senão em relação a um compromisso. ( ... ) sempre que o homem escolhe seu compromisso e seu projeto com toda a sinceridade e lucidez ...

Quando declaro que a liberdade, por meio de cada circunstância concreta, não pode ter outro fim senão querer-se a si própria, se alguma vez o homem reconheceu que estabelece valores no seu abandono ele já não pode querer senão uma coisa - a liberdade como fundamento de todos os valores.

Não significa que ele a queira em abstrato. Quer dizer simplesmente que os atos dos homens de boa-fé têm como último significado a procura da liberdade enquanto tal. Um homem que adere a tal sindicato comunista ou revolucionário quer fins concretos; estes fins implicam uma vontade abstrata da liberdade; mas esta liberdade quer-se em concreto.

Queremos a liberdade pela liberdade e por meio de cada circunstância particular. E, ao querermos a liberdade, descobrimos que ela depende inteiramente da liberdade dos outros, e que a liberdade dos outros depende da nossa.

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fonte:
Jean Paul SARTRE. O existencialismo e um humanismo, p 18-19.

INVENÇÕES COTIDIANAS

Seguem opiniões muito curiosas sobre INVENÇÕES COTIDIANAS QUE MELHORARAM A VIDA HUMANA, e que merecem uma resposta: Por quê?

Pergunte-se sobre o porquê dessa melhora e tente também contribuir com uma resposta.

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Imprensa - "Acelerou de forma sensacional a separação entre a cultura humana e a natureza. Com ela, pudemos acelerar o acúmulo sistemático de conhecimento para controlar a natureza." (Brian C. Goodwin, biólogo e cientista);

Tecnologia das comunicações - "Há 150 anos atrás, era impossível comunicarmo-nos em tempo real. Hoje vemos TV e usamos telefone e internet sem pensar. Por isso é fácil subestimar o significado das telecomunicações." (Tom Standage, jornalista de ciência da revista inglesa The Economist);

Sistema de contagem indo-arábico – "O sistema de contagem, com conteúdo da informação da posição (de modo que 111 significa 100 mais 10 mais 1), é hoje universal e está na base de toda ciência quantitativa, econômica e matemática." (John D. Barrow, professor de ciências matemáticas da Universidade de Cambridge, Inglaterra);

Encanamento e esgotos - "Tenho dificuldade para me lembrar de outra invenção que tenha detido tanta doença e morte. Sem o serviço de águas, as condições de amontoamento seriam insuportáveis. Basta ir a uma cidade pobre, sem água limpa, para ver isso." (Carl Zimmer, escritor e colaborador de revistas como Natural History e National Geographic);

Internet - "É de longe a mais importante invenção. Com os cursos on line, as universidades ficarão obsoletas. Centros comerciais ainda não se foram, mas irão. Jornais? Morrerão. Não sei se seremos mais felizes, mas seremos mais bem informados." (Roger C. Schank, diretor do Instituto de Ensino das Ciências da Northwestern University);

Caravela - "É o equivalente medieval da cápsula espacial Apollo. Com suas velas triangulares, podia velejar num ângulo oposto ao vento, em vez de ser soprada para a frente. Abriu caminho para a Era dos Descobrimentos e para o comércio internacional." (Alun Anderson, editor da revista inglesa New Scientist);

Telescópio - "A invenção do telescópio e seu posterior aperfeiçoamento por Galileu revelaram de forma conclusiva que há muito mais coisas no Universo do que o que está à disposição de nossos sentidos." (Brian Greene, professor de física e matemática na Universidade Colúmbia);

Relógio - "O relógio foi a corporificação da objetividade que abriu o caminho para o rigor da ciência objetiva. Transformou o tempo de uma experiência pessoal numa realidade independente de percepção." (W. Daniel Hillis, físico e cientista computacional);

Arado – "Os humanos já praticavam alguma agricultura há 30 mil anos, mas só ao revolverem o solo produziram grandes colheitas. O arado possibilitou-nos quebrar a lei ecológica de que grandes animais são raros. Já somos 6 bilhões." (Colin Tudge, pesquisador do Centro de Filosofia da London School of Economics);

Cesta - "Sem alguma coisa onde pôr o que se coleta, não se pode ter uma sociedade coletora com qualquer grau de complexidade, nem casa e lareira, nem divisão de trabalho, nem humanidade." (Jeremy Cherfas, biólogo e locutor da rádio BBC);

Estribo - "Assim que seu uso se generalizou, os soldados montados podiam brandir a lança e os arqueiros atirar da sela. Exércitos de cavaleiros armados passaram a cruzar o globo, travando batalhas que iriam alterar o destino das nações." (Peter Tallack, jornalista científico);

Aspirina - "Inventada em 1853 na França, que pilulazinha útil para reduzir dores de cabeça, do corpo e febres! Entre os masai, as dores de cabeça são tratadas com um bolo de fezes de cabra na cabeça. Prefiro a aspirina." (Marc D. Hauser, neurocientista cognitivo, professor de psicologia em Harvard, Estados Unidos);

Borracha de apagar – "A maior invenção é a borracha, assim como outros instrumentos que nos permitem voltar e corrigir nossos erros. Sem essa capacidade, não teríamos modelos nem meios de desenvolver governo, cultura ou ética." (Douglas Rushkoff, professor de cultura virtual na Universidade de Nova York);

Música clássica - "As composições musicais representam um incrível feito cerebral. A maioria das invenções pode ser usada para o bem ou para o mal. A música proporcionou mais prazer a mais indivíduos que qualquer outro artefato humano." (Howard Gardner, professor de educação da Universidade de Harvard, Estados Unidos);

Destilação - "Surpreende-me que ninguém tenha citado a invenção alquímica de transformação. Além de a alquimia ser a base da ciência e da indústria, a transformação de seres humanos causada pela ingestão de destilados me interessa muito." (Ron Cooper, pintor americano);

Óculos - "A mais importante invenção foram os óculos. Eles dobraram efetivamente a vida ativa de todos os que lêem ou fazem trabalhos de precisão. E impediram o mundo de ser governado por pessoas com menos de 40 anos." (Nicholas Humphrey, psicólogo teórico da London School of Economics);

Feno - "No mundo clássico não havia feno. A civilização só existia em climas quentes, onde cavalos podiam pastar no inverno. Até que o feno foi ceifado e armazenado e a civilização atravessou os Alpes, originando Viena, Paris e Londres." (Freeman Dyson, professor de física no Instituto de Estudo Avançado de Princeton);

Cadeiras e escadas - "São um salto imaginativo, compreendendo o valor para a anatomia humana de uma plataforma idealizada no espaço. Uma conseqüência das escadas é a maior densidade de ocupação." (Karl Sabbagh, escritor e produtor de documentários científicos para a BBC);

Jogo de tabuleiro - "Ofereceu um guia metafórico para a política e para a guerra tanto no Oriente (go) quanto no Ocidente (xadrez). Nos últimos séculos, inspirou modelos matemáticos e simulações de tudo, da genética à interacão social." (John Henry Holland, professor de ciência computacional e psicologia na Universidade de Michigan);

Espelho - "A mais influente invenção foi o espelho. Mostrou a cada um como ele parece a outras pessoas no planeta. Sua instalação na vida diária, no Renascimento, coincidiu com o advento de fenômenos como modos à mesa e estilos de roupa." (Tor Norretranders, escritor).


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fonte:
Felipe FERNÁNDEZ-AMESTO. Idéias que Mudaram o Mundo. s/c: Arx, 2004

VALORES (Quino)





















BIBLIOGRAFIA

Tem por finalidade informar as fontes que serviram de referência para a pesquisa, e que depois resultaram no trabalho construído. Nela, deve constar todo tipo de indicação que ajude a chegar às fontes pesquisadas.

Via de regra, deve-se atentar para a seguinte indicação para uma completa referência bibliográfica:

A. T. C: d, p.

Sendo que:

A (autor/a):

deve-se citar o (o/a/os/as) autor (autor/a/es/as) da obra , iniciando-se pelo sobrenome e depois o nome. Ao passo que o SOBRENOME é grafado em maiúsculo, o Nome somente a letra inicial, obedecendo a gramática da Língua Portuguesa (tudo em negrito). Como segue:

SEVERINO, Antônio Joaquim.

a) até dois autores, deve-se citar a ambos:

SOUZA, José de; CASTRO, Maria Rita.

b) mais de dois autores, deve-se citar apenas o primeiro e acrescer o “et al”:

CRISPIM, Marcolino. et al.

c) nomes estrangeiros não se traduz:

MARX, Karl


_________________________________

T (título):

separado do autor com um ponto simples (.), deve-se citar o título da obra destacado (em itálico ou sublinhado), e se houver o subtítulo, em texto comum.Como segue:

DE FAVARI, Sérgio. Delegacia da Mulher: caso de polícia ou questão social.
SALOMON, Delcio Vieira. Como fazer uma monografia: elementos de metodologia do trabalho científico.


a) em caso de haver indicação de volume, edição, revisão, ampliação na obra utilizada, deve-se proceder do seguinte modo, indicando-os logo após o título:

CORREA, Mark Luz. Violência: crime provocado ou provocação de crime. vol II, 2ª ed.


_________________________________

C (cidade):

após o título, separado por um ponto simples (.), deve-se citar a cidade na qual a obra foi publicada, em texto comum.Como segue:

BARBOSA, Neuza. O amor platônico. Piracicaba

OLIVEIRA, Marluce et al
. Questões de saúde nos primeiros anos de vida. Campinas


a) em caso de não houver menção da cidade, proceder do seguinte modo, indicando com um "s" seguido de barra:

VENÂNCIO, Luiza de Moraes. A arte de perguntar. s/c


_________________________________

E (editora):

após a cidade, separado por dois pontos (:), deve-se citar a editora pela qual a obra foi publicada, em texto comum. Como segue:

ABAGNANO, Nicola. História da filosofia. Lisboa: Presença

OLIVEIRA, Marluce et al
. Questões de saúde nos primeiros anos de vida. Campinas: Ed. Água viva


a) em caso de não houver menção da editora, como são os casos de textos copiados, proceder do seguinte modo, indicando com um "s" seguido de barra, ou escever "mimeo":

CORREA, Mark Luz. Violência: crime provocado ou provocação de crime. Rio de Janeiro: s/e

POA, João Cláudio. Uma questão de paz. São Paulo: (mimeo)


_________________________________

d (data):

após a editora, separado por vírgula (,), deve-se explicitar a data da última públicação da obra, em texto comum. Como segue:

PLATÃO. A República. São Paulo: Abril, 1987

DESCARTES.
Discurso do método. vol.II (Col. Melhores obras). Campinas: Zoé Editora, 1972

a) em caso de não houver menção da data, como são os casos de textos copiados, proceder do seguinte modo, indicando com um "s" seguido de barra:

ARRUDA, Mônica Cristina. A história de uma vida. Recife: Blackmoutain, s/d


_________________________________

p (página):

após a data, separado por vírgula (,), deve-se meniconar a quantidade de páginas numeradas da obra, em texto comum. Como segue:

SÃO PAULO-SEE. Caderno do Professor: filosofia. EM, 1ª série, vol.III. São Paulo: SEE, 2009, 42 p.


___________
fontes:
Antonio Joaquim SEVERINO, Metodologia do trabalho científico, pp.113-128.
Martha PELEGRINO da Silva, José Carlos ROTHEN, Receitas de dona metodologia, pp.105-113.

ILHA DAS FLORES (texto e filme)

FATOS

A Ilha das Flores está localizada à margem esquerda do Rio Guaíba, a poucos quilômetros de Porto Alegre. Para lá é levada grande parte do lixo produzido na capital. Este lixo é depositado num terreno de propriedade de criadores de porcos. Logo que o lixo é descarregado dos caminhões os empregados separam parte dele para o consumo dos porcos. Durante este processo começam a se formar filas de crianças e mulheres do lado de fora da cerca, a espera da sobra do lixo, que utilizam para alimentação. Como as filas são muito grandes, os empregados organizam grupos de dez pessoas que, num tempo estipulado de cinco minutos, podem pegar o que conseguirem do lixo. Acabado o tempo, este grupo é retirado do local, dando lugar ao próximo grupo.

O FILME

A idéia do filme é mostrar o absurdo desta situação: seres humanos que, numa escala de prioridade, se encontram depois dos porcos. Mulheres e crianças que, num tempo determinado de cinco minutos, garantem na sobra do alimento dos porcos sua alimentação diária. Esta situação absurda será mostrada de uma forma absurda. O filme será estruturado como um documentário científico, do tipo "Wild Life". A câmera vai seguir um tomate, desde a sua plantação até o consumo por uma criança da Ilha das Flores, passando pelo supermercado e pela casa de uma consumidora. Todas as informações do texto serão ilustradas, da maneira mais didática possível. A narração será feita no padrão normal dos documentários, sem qualquer tom caricato e sem emoções.

INFLUÊNCIAS

As principais influências deste filme são: a arte de identificação, Kurt Vonnegut Jr., Meu Tio da América, as matérias da RBS TV enviadas de Tramandaí, a Enciclopédia Conhecer e os documentários "Wild Life". O público alvo, assim como o do disco metálico de informações enviadas a Plutão pela NASA, são os seres extraterrestres, se eles existirem. O texto de narração tem 185 linhas, 183 foram criadas pelo telencéflao altamente desenvolvido do autor. Duas linhas são de Cecília Meireles.

AS IMAGENS

O filme inicia com três frases que surgem na tela;

. Este não é um filme de ficção

. Esta não é a sua vida

. Deus não existe

As frases desaparecem em fade e surge um globo girando, como o início de Casablanca. Aproximação do globo com fusões sucessivas até um mapa onde se lê "Belém Novo" ou "Porto Alegre". Fusão para uma plantação de tomates em Belém Novo. Cam na mão avança em direção a um japonês que está de pé, no meio da plantação. A partir daí, a câmera mostra exatamente o que o texto diz, da forma mais didática, óbvia e objetiva possível. Quando o texto fala em números eles são mostrados num quadro negro ou em gráficos.

O TEXTO

Estamos em Belém Novo, município de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, no extremo sul do Brasil, mais precisamente na latidude 30 graus, 2 minutos e 15 segundos Sul e longitude 51 graus, 13 minutos e 13 segundos Oeste. Caminhamos neste momento numa plantação de tomates e podemos ver a frente, em pé, um ser humano, no caso, um japonês.

Os japoneses se distinguem dos demais seres humanos pelo formato dos olhos, por seus cabelos lisos e por seus nomes característicos. O japonês em questão chama-se Toshiro [Susuki]1.

Os seres humanos são animais mamíferos, bípedes, que se distinguem dos outros mamíferos, como a baleia, ou bípedes, como a galinha principalmente por duas características: o telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor. O telencéfalo altamente desenvolvido permite aos seres humanos armazenar informações, relacioná-las, processá-las e entendê-las. O polegar opositor permite aos seres humanos o movimento de pinça dos dedos o que, por sua vez, permite a manipulação de precisão.

O telencéfalo altamente desenvolvido somado a capacidade de fazer o movimento de pinça com os dedos deu ao ser humano a possibilidade de realizar um sem número de melhoramentos em seu planeta, entre eles, plantar tomates.

O tomate, ao contrário da baleia, da galinha, dos japoneses e dos demais seres humanos, é um vegetal. Fruto do tomateiro, o tomate passou a ser cultivado pelas suas qualidades alimentícias a
partir de 1800. O planeta Terra produz cerca de 28 bilhões de toneladas de tomates por ano.

O senhor Toshiro [Susuki], apesar de trabalhar cerca de 12 horas por dia, é responsável por uma parte muito pequena desta produção. A utilidade principal do tomate é a alimentação dos seres humanos.
O senhor Toshiro [Susuki] é um japonês e, portanto, um ser humano. No entanto, o senhor Toshiro [Susuki] não planta os tomates com o intuito de comê-los. Quase todos os tomates produzidos pelo senhor Thoshiro [Susuki] são entregues a um supermercado em troca de dinheiro.

O dinheiro foi criado provavelmente por iniciativa de Giges, rei da Lídia, grande reino da Asia Menor, no século VII Antes de Cristo. Cristo era um judeu.

Os judeus possuem o telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor. São, portanto, seres humanos.

Até a criação do dinheiro, o sistema econômico vigente era o de troca direta. A dificuldade de se avaliar a quantidade de tomates equivalentes a uma galinha e os problemas de uma troca direta de galinhas por baleias foram os motivadores principais da criação do dinheiro. A partir do século III A.C. qualquer ação ou objeto produzido pelos seres humanos, frutos da conjugação de esforços do telencéfalo altamente desenvolvido com o polegar opositor, assim como todas as coisas vivas ou não vivas sobre e sob a terra, tomates, galinhas e baleias, podem ser trocadas por
dinheiro.

Para facilitar a troca de tomates por dinheiro, os seres humanos criaram os supermercados.

Dona Anete é um bípede, mamífero, possui o telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor. é, portanto, um ser humano. Não sabemos se ela é judia, mas temos quase certeza que ela não é japonesa. Ela veio a este supermercado para, entre outras coisas, trocar seu dinheiro por tomates. Dona Anete obteve seu dinheiro em troca do trabalho que realiza. Ela utiliza seu telencéfalo altamente desenvolvido e seu polegar opositor para trocar perfumes por dinheiro.

Perfumes são líquidos normalmente extraídos das flores que dão aos seres humanos um cheiro mais agradável que o natural. Dona Anete não extrai o perfume das flores. Ela troca, com uma fábrica, uma quantidade determinada de dinheiro por perfumes. Feito isso, dona Anete caminha de casa em casa trocando os perfumes por uma quantidade um pouco maior de dinheiro. A diferença entre estas duas quantidades chama-se lucro. O lucro de Dona Anete é pequeno se comparado ao lucro da fábrica, mas é o suficiente para ser trocado por 1 k de tomate e 2 k de carne, no caso, de porco.

O porco é um mamífero, como os seres humanos e as baleias, porém quadrúpede. Serve de alimento aos japoneses e aos demais seres humanos, com exceção dos judeus.

Os alimentos que Dona Anete trocou pelo dinheiro que trocou por perfumes extraídos das flores, serão totalmente consumidos por sua família num período de sete dias. Um dia é o intervalo de tempo que o planeta terra leva para girar completamente sobre o seu próprio eixo. Meio dia é a hora do almoço. A família é a comunidade formada por um homem e uma mulher, unidos por laço
matrimonial, e pelos filhos nascidos deste casamento.

Alguns tomates que o senhor Toshiro [Susuki] trocou por dinheiro com o supermercado e que foram trocados novamente pelo dinheiro que dona Anete obteve como lucro na troca dos perfumes extraídos das flores foram transformados em molho para a carne de porco. Um destes tomates, que segundo o julgamento altamente subjetivo de dona Anete, não tinha condições de virar molho, foi colocado no lixo.

Lixo é tudo aquilo que é produzido pelos seres humanos, numa conjugação de esforços do telencéfalo altamente desenvolvido com o polegar opositor, e que, segundo o julgamento de um determinado ser humano, num momento determinado, não tem condições de virar molho. Uma cidade como Porto Alegre, habitada por mais de um milhão de seres humanos, produz cerca de 500 toneladas de lixo por dia.

O lixo atrai todos os tipos de germes e bactérias que, por sua vez, causam doenças. As doenças prejudicam seriamente o bom funcionamento dos seres humanos. Além disso, o lixo tem aspecto e aroma extremamente desagradáveis. Por tudo isso, ele é levado na sua totalidade para um único lugar, bem longe, onde possa, livremente, sujar, cheirar mal e atrair doenças.

O lixo é levado para estes lugares por caminhões. Os caminhões são veículos de carga providos de rodas. Quando da realização deste documentário, em 1989, os caminhões eram dirigidos por seres humanos.

Em Porto Alegre, um dos lugares escolhido para que o lixo cheire mal e atraia doenças foi a Ilha das Flores.

Ilha é uma porção de terra cercada de água por todos os lados. A água é uma substância inodora, insípida e incolor formada, teoricamente, por duas moléculas de hidrogênio e uma molécula de oxigênio. Flores são os órgãos de reprodução das plantas, geralmente odoríferas e de cores vivas. De flores odoríferas são extraídos perfumes, como os que do Anete trocou pelo dinheiro que trocou por tomates.

Há poucas flores na Ilha das Flores. Há, no entanto, muito lixo e, no meio dele, o tomate que dona Anete julgou inadequado para o molho da carne de porco. Há também muitos porcos na ilha.

O tomate que dona Anete julgou inadequado para o porco que iria servir de alimento para sua família pode vir a ser um excelente alimento para o porco e sua família, no julgamento do porco. Cabe lembrar que dona Anete tem o telencéfalo altamente desenvolvido enquanto o porco não tem nem mesmo um polegar, que dirá opositor.

O porco tem, no entanto, um dono. O dono do porco é um ser humano, com telencéfalo altamente desenvolvido, polegar opositor e dinheiro. O dono do porco trocou uma pequena parte do seu dinheiro por um terreno na Ilha das Flores, tornando-se assim, dono do terreno. Terreno é uma porção de terra que tem um dono e uma cerca. Este terreno, onde o lixo é depositado, foi cercado
para que os porcos não pudessem sair e para que outros seres humanos não pudessem entrar, o que faria do dono do porco um ex-dono de porco.

Os empregados do dono do porco separam no lixo aquilo que é de origem orgânica daquilo que não é de origem orgânica. De origem orgânica é tudo aquilo que um dia esteve vivo, na forma animal ou vegetal. Tomates, galinhas, porcos, flores e papel são de origem orgânica.

O papel é um material produzido a partir da celulose. São necessários 300 quilos de madeira para produzir 60 quilos de celulose. A madeira é o material do qual são compostas as árvores. As árvores são seres vivos. O papel é industrializado principalmente na forma de folhas, que servem para escrever ou embrulhar. Este papel, por exemplo, foi utilizado para elaboração de uma prova de História da Escola de Segundo Grau Nossa Senhora das Dores e aplicado à aluna Ana Luiza Nunes, um ser humano.

Uma prova de História é um teste da capacidade do telencéfalo de um ser humano de recordar dados referentes ao estudo da História, por exemplo: quem foi Mem de Sá? Quais eram as capitanias hereditárias? A História é a narração metódica dos fatos ocorridos na vida dos seres humanos. Recordar é viver.

Os materiais de origem orgânica, como os tomates e as provas de história, são dados aos porcos como alimento. Durante este processo, algumas mulheres e crianças esperam no lado de fora da cerca na Ilha das Flores. Aquilo que os porcos julgarem inadequados para a sua alimentação, será utilizado na alimentação destas mulheres e crianças.

Estas mulheres e crianças são seres humanos, com telencéfalo altamente desenvolvido, polegar opositor e nenhum dinheiro. Elas não têm dono e, o que é pior, são muitas. Por serem muitas, elas são organizadas pelos empregados do dono do porco em grupos de dez e têm a permissão de passar para o lado de dentro da cerca. Do lado de dentro da cerca elas podem pegar para si todos os alimentos que os empregados do dono do porco julgaram inadequados para o porco.

Os empregados do dono do porco estipularam que cada grupo de dez seres humanos tem cinco minutos para permanecer do lado de dentro da cerca recolhendo materiais de origem orgânica, como restos de galinha, tomates e provas de história. Cinco minutos são 300 segundos. Desde 1958, o segundo foi definido como sendo o equivalente 9 bilhões, 192 milhões, 631 mil 770 mais ou menos 20 ciclos de radiação de um átomo de césio quando não perturbado por campos exteriores. O césio é um material não orgânico encontrado no lixo em Goiânia.

O procedimento dos seres humanos que recolhem materiais orgânicos no lado de dentro da cerca da Ilha das Flores é semelhante apenas em objetivo ao procedimento de Dona Anete no supermercado. No supermercado Dona Anete troca o dinheiro que trocou por perfumes extraídos das flores pelo material orgânico; na Ilha das Flores os seres humanos não têm dinheiro algum; no supermercado dona Anete tem o tempo que julgar necessário para apanhar materiais orgânicos mas não há provas de história disponíveis.

(A partir deste momento a câmera se fixa exclusivamente nas mulheres e crianças no meio do lixo)

O que coloca os seres humanos da Ilha das Flores numa posição posterior aos porcos na prioridade de escolha de materiais orgânicos é o fato de não terem dinheiro nem dono. Os humanos se diferenciam dos outros animais pelo telencéfalo altamente desenvolvido, pelo polegar opositor e por serem livres. Livre é o estado daquele que tem liberdade. Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.

FIM

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1. grifo nosso para se conformar mais ao vídeo assistido em sala de aula;
FONTE (http://www.casacinepoa.com.br/os-filmes/roteiros/ilha-das-flores-texto-original)

VELHICE, A (Simone de Beauvoir)

Simone de Beauvoir procurou refletir sobre a exclusão dos idosos em sua sociedade, mas do ponto de vista de que sabia que iria se tornar um deles, como quem pensava o próprio destino. Para ela, um dos problemas da sociedade capitalista está no fato de que cada indivíduo percebe as outras pessoas como meio para a realização de suas necessidades: proteção, riqueza, prazer, dominação. Desta forma, nos relacionamos com outras pessoas priorizando nossos desejos, pouco compreendendo e valorizando suas necessidades.

Esse processo aparece com nitidez em nossa relação com os idosos. Em seu livro, a pensadora demonstra que há uma duplicidade nas relações que os mais jovens têm com os idosos, uma vez que, na maioria das vezes, mesmo sendo respeitado por sua condição de pai ou de mãe, trata-se o idoso como uma espécie de ser inferior, tirando dele suas responsabilidades ou encarando-o como culpado por sobrecarga de compromissos que imputa a filhos ou netos.

Mesmo em situações de proteção, pode-se ter processos de humilhação quando, sem a devida atenção sobre as reais condições que a apresentam os idosos para resolver com autonomia seus problemas, os mais jovens passam a subestimar os mais velhos, assumindo tarefas em seu lugar.

Quando não se respeita uma pessoa em sua integridade emocional, intelectual e material, ela é excluída da sociedade pelos governos, pelas instituições, pelas famílias, pelas pessoas em geral. Os grupos mais excluídos por essas práticas são as crianças e os idosos.

Em vários lugares,como bancos e supermercados, há caixas preferenciais para idosos, mas, mesmo que elas sejam suficientes para garantir seu conforto, será que suas condições sociais também o são? Há, também, a gratuidade no transporte coletivo, mas quem viaja de ônibus sabe que às vezes suas condições não adequadas para o transportar quem tem um corpo frágil.

Além do desamparo quanto às condições materiais, a desconsideração para com opiniões e emoções dos idosos também deve ser analisada para a superação das condições de humilhação sofrida por eles em nossa sociedade.

No texto, A velhice (1970), Simone de Beauvoir escreveu que o idoso é uma espécie de objeto incômodo, inútil, e quase tudo que se deseja é poder tratá-lo como quantia desprezível.

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Fontes: (SÃO PAULO-SEE, Caderno do professor: filosofia, EM, 3ª S., V.3, pp.112-13; http://www.simonebeauvoir.kit.net/links_02.htm)

HOBBES, Thomas

Thomas Hobbes (05/04/1588 Westport – 04/12/1679 Hardwick Hall) foi um matemático, teórico político, e filósofo inglês. De família humilde, somente conseguiu concluir seus estudos graças a intervenção de um parente. Aproveitando-se das oportunidades e de seu gênio intelectivo, foi professor de inúmeros filhos de nobres, inclusive do Príncipe de Gales, que mais tarde viria a ser o Rei da Inglaterra, Carlos II.

Escreveu muitos livros falando sobre filosofia política e outros assuntos, oferecendo uma descrição da natureza humana como cooperação em interesse próprio. Ele foi contemporâneo de Descartes e escreveu uma das respostas para a obra Meditações sobre filosofia primeira, deste último. Sua obra mais famosa é Leviatã (1651) e Do cidadão (1651).

Em sua definição de filosofia, diz que é a ciência dos corpos. O primeiro corpo da filosofia é o corpo natural (filosofia da natureza); o segundo, o corpo artificial (filosofia política). Tudo o que ão é corpóreo é excluído da filosofia como não filosofia.

Sobre os homens, defendia a ideia eles só poderiam viver em paz se concordassem em submeter-se a um poder absoluto e centralizado. Para Hobbes, a Igreja cristã e o Estado cristão formavam um mesmo corpo, encabeçado pelo monarca, que teria o direito de interpretar as Escrituras, decidir questões religiosas e presidir o culto.

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Fontes: (JAPIASSU, Dicionário Básico de Filosofia, pp.129-130; CHALITA, Vivendo a Filosofia, pp.207-215; COTRIM, Fundamentos da Filosofia, pp.162-163;SÃO PAULO-SEE, Caderno do professor: filosofia, EM, 1ª S., V.3, pp.13-16; http://pt.wikipedia.org/wiki/Hobbes)

MONTESQUIEU

Charles-Louis de Secondat (18/01/1689 Bordeaux — 10/02/1755 Paris), ficou conhecido como MONTESQUIEU, foi um político, filósofo e escritor francês. Filho de família nobre e desde cedo teve formação iluminista. Foi um crítico da monarquia absolutista decadente, e também do clero católico, apesar de sua formação cristã. Adquiriu sólidos conhecimentos humanísticos e jurídicos, mas também frequentou em Paris os círculos da boêmia literária.

Com menos de 30 anos, já tinha sua estabilidade financeira garantida por vários anos. Foi então que tomou a decisão de também se dedicar aos estudos. Iniciou, na Academia de Bordeaux, estudos do direito romano e à biologia, física e geologia.

Após dois anos de sua entrada para o tribunal provincial de Bordeaux, presidiu-o de 1716 a 1726. Fez longas viagens pela Europa e, de 1729 a 1731, esteve na Inglaterra. Escreveu livros importantes e influentes, como Cartas persas (1721), que escreveu anonimamente, Considerações sobre as causas da grandeza dos romanos e de sua decadência (1734) e O Espírito das leis (1748), a sua mais famosa obra, cujo teor se volta a separação dos poderes do Estado em Legislativo, Executivo e Judiciário, como forma de evitar abusos dos governantes e de proteger as liberdades individuais.

Contribuiu também para a célebre Enciclopédia, juntamente com Diderot e D'Alembert.
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Fontes: (JAPIASSU, Dicionário Básico de Filosofia, p.187; CHALITA, Vivendo a Filosofia, pp.277-278; COTRIM, Fundamentos da Filosofia, pp.171-172; ARANHA, Filosofando, p.257; SÃO PAULO-SEE, Caderno do professor: filosofia, EM, 1ª S., V.3, pp.17-24; http://pt.wikipedia.org/wiki/Montesquieu)