terça-feira, 14 de agosto de 2012

ESCOLARIZACAO E CRESCIMENTO ECONOMICO



OTAVIANO HELENE
Não podemos justificar o desenvolvimento escolar apenas pelas possibilidades de crescimento econômico que ele gera. Ao contrário, o crescimento econômico só é justificável pelo desenvolvimento social, educacional inclusive, que ele propicia. Entretanto, não podemos ignorar a relação direta existente entre a melhoria do sistema escolar e o desenvolvimento econômico.
Diversos especialistas têm se dedicado a estudar o impacto econômico dos investimentos em educação escolar. Embora suas conclusões quantitativas sejam dependentes de opções ideológicas automaticamente embutidas nas análises matemáticas, especialmente quando envolvem a relação entre a distribuição de renda e a escolaridade, um ponto é comum a todos eles: investimentos em educação escolar provocam crescimento econômico. A taxa de crescimento econômico varia de país para país, de época para época, e depende do nível de escolaridade da população. Em termos aproximados, essa variação está entre cerca de 10%, no caso do ensino superior nos países ricos, e cerca de 30%, no caso do ensino básico nos países pobres.
Esse retorno econômico é um reflexo em escala nacional do aumento da renda individual com o aumento da escolaridade do trabalhador. Cada ano a mais de escolaridade garante um aumento individual de renda que varia entre cerca de 5 % a 10 %, no caso de países com fortes mecanismos de controle de renda e sistemas escolares muito organizados, a cerca de 100%, no caso do ensino fundamental em países pobres de populações subescolarizadas.
A situação brasileira é aproximadamente a seguinte: cada ano a mais de escolaridade implica em um aumento individual de renda entre cerca de 10%, no caso do ensino fundamental, e cerca de 30%, no caso do ensino superior. Descontados o custo da escolarização e a ausência do mercado de trabalho durante o período de estudo, esses aumentos individuais de renda fazem com que cada cruzeiro investido em educação escolar se pague em aproximadamente em seis anos.
Comparado com outros países, O Brasil tem investido muito pouco em educação escolar. Se existe um teorema que mostra que é necessário investir em educação para se conseguir um crescimento econômico, deve existir seu corolário: não investir em educação é suficiente para bloquear o crescimento. Podemos perguntar, então, que proporção de nossa crise econômica atual é devida a subinvestimentos em educação (Folha de S.Paulo, 25/07/1992 Apud INFANTE, s/d, p.83).
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Fonte bibliográfica (INFANTE, U. Curso de gramática aplicada aos textos. S. Paulo: Scipione, s/d)

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