quinta-feira, 19 de novembro de 2009

NEGRITUDE (Jean-Paul Satre)

A condição do negro está ligada ao racismo e à miséria [1]. A miséria causado pelo racismo e pelas políticas de Estado pós-libertação dos escravos e a despreocupação das autoridades geram um contingente de excluídos ou marginalizados, que são reconhecidos pela mesma cor de pele, cabelo, lábios e cultura de raízes africanas - os negros.
A falta do mínimo necessário para a vida gerou e fera duas orientações: a revolta e a acomodação.
a) a revolta: pode ser política, isto é, negros e negras se encontram para discutir o que lhes faz sofrer e cobrar das autoridades a igualdade;
b) a acomodação: pode ser entendida como uma alienação. Muitos negros e negras simplesmente aceitam o papel que as elites lhes impuseram durante séculos - a de que eram trabalhadores braçais em situação precária. Por outro lado, a alienação pode gerar a vitimização: o indivíduo se vê sempre perseguido e incapaz de agir, o que resulta em baixa autoestima. Em consequência, os negros valorizam outras culturas, como a da hegemonia branca europeia.
O negro precisa encontrar a sua 'negritude', que é a maneira dialética, ou a negação da injustiça, causada pelo capitalismo. A condição negra de miséria, de humilhação e exclusão social, foi gerada pelo capitalismo, em processos de escravização de um povo sobre outro povo.
Do ponto de vista cultural, diferentemente do proletário europeu, formado pelas fábricas, o negro tece um espaço para desenvolver sua cultura, que só podia ser uma cultura de resistência. Cada vez que o negro coloca uma roupa que expressa sua identidade, compõe uma música que fala de sua vida, não tenta moldar o seu corpo para ser igual aos outros, ele produz a 'negritude', a resistência cultural dentro do capitalismo racial e cristão. A negação do ato colonizador.
O capitalismo colocou o burguês e o trabalhador em oposição por meio de uma situação de exploração. Mas o capitalismo também colocou o branco europeu em oposição ao negro escravo e ao negro pós-libertação, o que também resultou em formas de exploração. O capitalista oprime o trabalhador enquanto, em certa medida, o trabalhador branco oprime o negro. Por isso, o negro deve assumir a consciência de que a sua raça é explorada por uma questão social de dominação do homem branco e não por sua natureza biológica.
Em Sartre, há uma diferença entre o trabalhador branco e o trabalhador negro, pois apesar de ambos sofrerem as dificuldade da pobreza, o negro sofre como negro, isto é, além da pobreza, ele encontra a discriminação junto àqueles que também são pobres e oprimidos, e até os trabalhadores brancos discriminam o trabalhador negro.
É preciso que cada um tome consciência de sua condição; que o trabalhador tome consciência de sua exploração e perceba que os problemas advêm de sua posição no mundo capitalista; que o negro identifique sua condição de submetido pelo racismo. Sob esta inspiração, pode-se pensar que a consciência de que é submetido ao racismo deve favorecer o entendimento por parte dos negros de que é preciso assumir-se como negro, sem negar origens africanas e história cultural, mas negando a condição de exclusão e inferioridade de que foram vítimas. Assim, o negro deve orgulhar-se de sua negritude, atribuindo significados positivos ao fato de ser negro.
Sartre inspira um pensamento de valorização do negro. Um olhar sobre o mundo. Uma compreensão de que o negro não poder ser conjugado como o mal [2].
A ideia de negritude entendida como valorização do negro e crítica à visão negativa do mesmo impõe outra opção à ordem da cultura excludente. Sendo chamados de negros ou afrodescendentes, essas pessoas se encontraram pela negritude, que significa valorização do negro, da história dos povos africanos, da cultura negra e de uma nova visão sobre os negros, bem como sobre a impressão de superação da exclusão social a que foram submetidos.
A negritude seria o desenvolvimento da cultura negra após a colonização. Nela, estaria uma inversão em oposição ao sistema eurocêntrico capitalista e branco. A negritude revela o racismo.

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1. Considerando a população brasileira em geral, pode-se afirmar que raros sãos os casos nos quais os negros supram condição de pobreza ou mesmo de miséria e recebem notoriedade social.
2. A cultura brasileira associa palavras negro, negra, preto ou preta e crítica a ideia pejorativas. Por exemplo, o que significam as expressões "mercado negro", "o lado negro", "magia negra", " a coisa está preta"?.

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Fontes: (SÃO PAULO-SEE, Caderno do professor: filosofia, EM, 2ª S., V.3, pp.18-19)

5 comentários:

  1. Concordo que há sim acomdados não sei se por cansaço ou medo! poriso que vejo a diferença do racismo americano lá a maioria se uniu e lutou e conseguiu os objetivos.Qanto as expresões concordo tambem elas são o racismo embutido.

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  2. Caro 'Basiko',
    o filósofo Dussel, comentando um outro filósofo, dizia que temos medo da liberdade, porque a desconhecemos. Talvez seja esse medo do desconhecido é que propicia às pessoas subjugarem as demais como sendo inferiores do que elas próprias. E aos subjugados, diz Dussel, também o medo de se verem livres dos condicionamentos costumeiros, é mais fácil manter na situação com a qual estão acostumados. É um tanto complexo quebrar com o círculo vicioso que se formou. Todavia, vale a pena tentar.
    Muito obrigado!
    Prof.Fred

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  3. gostei muito
    esta me ajudando a fazer meu seminário sobre consciência negra
    brigada

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  4. de Angola xcreve Hermenegildo Tchindjovola... devo dizer k isto ajudou-m imenso no meu trabalho... thanks...

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  5. this is gkstar..i might say thanks `cause this is helping me so much in my seminary about this matter...thanhs and peace n`love

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